sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Feminismo e o caso de Cece MacDonald

Encontrei esse excelente texto de Leda Ferreira no Blog das Blogueiras Feministas. Interessante e bastante denso. Para pensar e quebrar paradigmas.



Mulheres invisíveis


Ela andava pela rua junto com algumas amigas, quando de repente começam a ouvir vozes, proferindo ofensas raciais e sexuais. Era um grupo de homens e mulheres brancos, héteros e cissexuais, um dos quais é defensor da supremacia branca, a ponto de portar em seu corpo uma tatuagem da suástica nazista.

Palavras de baixo calão. Ouvir xingamentos é algo dolorido, e ela passava por aquilo todos os dias. Não suportou ouvir tantos despautérios. Tinha que reagir. Confrontou o grupo que agredia verbalmente ela e suas amigas, dizendo que não toleraria preconceito. A agressão verbal se tornou agressão física, e uma das mulheres a agrediu com um copo de vidro, ferindo-a no rosto. A vítima tentou escapar, e já havia chegado à esquina quando um dos agressores – Dean Schmitz, o nazista, que já tinha histórico criminal de violência – tentou impedi-la de escapar puxando-a pelo braço na direção dele. Ao fazer isso, a tesoura que a vítima trazia para se defender – a realidade da sua vida a motivou a tomar precauções para se proteger – entrou em seu peito, e ele morreu. Quando a polícia apareceu, a vítima, que estava num ato de legítima defesa, virou a ré, e acabou sendo a única pessoa presa. Foi processada e sua liberdade lhe foi tirada.

Apesar das evidências de autodefesa que foram levantadas, e de que as agressões verbais e físicas partiram do grupo de Schmitz, a corte se recusou a levá-las em consideração. A voz da vítima foi abafada. Foi enviada para uma prisão masculina, e até os remédios receitados para um tratamento de saúde lhe foram retirados. Seus direitos foram totalmente pisoteados.

Lendo esta história logo imaginamos um roteiro de um filme de suspense, ou até mesmo um drama ocorrido no século 19. Não, essa história não é ficcional, nem muito menos aconteceu num país que não respeita a liberdade dos seus cidadãos. Isso aconteceu nos Estados Unidos da América. Quando? Não, não foi no século 19, foi este ano, em pleno século 21. Achou absurdo? Acha que as autoridades americanas enlouqueceram? Como uma mulher pode ser vítima de agressões verbais racistas e sexistas, seguidas de agressão física, e ser considerada culpada por matar em auto defesa? E que idéia é essa de enviar uma mulher para uma prisão masculina? Será que não passou pela cabeça das autoridades que ela corre risco de vida em uma prisão masculina?

Toda essa história ocorreu com uma mulher chamada CeCe McDonald. CeCe, na nossa sociedade, não é vista como uma mulher. E porque não é vista? Simples: CeCe nasceu com um pênis, e na nossa sociedade pessoas que nascem com pênis são automaticamente classificadas como homens. Os genitais são considerados determinantes do gênero da pessoa. Ou seja, CeCe é uma mulher transexual. Isso por si só já bastaria para expô-la a todo tipo de preconceito de gênero, e transfobia. Não apenas isso, CeCe é uma mulher transexual e negra, o que também a expõe a racismo.

Será que CeCe, por ter nascido com um pênis, não pode ser uma mulher? Quem dita as regras? Quem disse que pessoas com vaginas são mulheres e pessoas com pênis são homens? Por que são outras pessoas que escolhem por nós a que gênero pertencemos, e não nós mesmos?


CeCe MacDonald. Clique na imagem para ler uma entrevista em inglês do site Pretty Queer com CeCe.

Ainda: mulheres com pênis não podem ter sua pauta de obtenção de diretos incluídos na luta feminista? Quem define isto?

Mulheres com pênis na nossa sociedade são tratadas como doentes mentais. Doentes porque ao nascer não aceitaram o rótulo de gênero que lhes foi imposto. Quem determina que pessoas que não se identificaram com o rótulo de gênero que receberam ao nascer são doentes mentais? As pessoas que aceitaram o rótulo de gênero que receberam no nascimento? Por que essas pessoas deveriam ter o poder de fazer essa definição, e de interferir na vida das pessoas transexuais desta forma? Porque essas pessoas têm o poder de classificar mulheres com pênis como pessoas anormais, e de negar a elas o reconhecimento de sua identidade de gênero?

E você, que é feminista? Acha que estas mulheres são anormais? Acha que estas mulheres devem ter os mesmos direitos que você tem? Acha que você, uma mulher que nasceu com vagina, é mais mulher que uma mulher com pênis? Acha que mulheres com pênis que sofrem injustiças devem ter apoio de ativistas que lutem por seus direitos? Se sim, o que você está fazendo?

CeCe McDonald é uma mulher, negra, e transexual, que desde sempre tem sofrido preconceitos raciais, como tantas outras pessoas negras, e desde sempre tem sofrido preconceitos de gênero, como tantas outras pessoas transexuais. Ao sofrer agressões verbais e físicas e reagir em auto defesa, viu o Estado, que deveria estar a favor dela enquanto cidadã, corroborar os preconceitos sociais, raciais e sexuais ao condená-la – por ter sobrevivido – a quatro anos de assédio sexual numa prisão masculina, não só por parte de presidiários, como também de funcionários, pois um Estado que pune uma vítima para inocentar o homem branco, hétero e cissexual de seu racismo e preconceito, certamente vai fechar os olhos para abusos cometidos pelos funcionários dos presídios.

Você, mulher feminista, que nasceu com uma vagina, acha que essa história não tem nada a ver com você? Que as demandas das mulheres transexuais não podem fazer parte das pautas do seu feminismo? Que as mulheres transexuais não merecem que você lute por elas? Até quando vai fechar os olhos para as mulheres cujo corpo não é o mesmo que o seu?

Nota: No site http://supportcece.wordpress.com, é possível acompanhar notícias sobre CeCe e o blog pessoal dela, e também obter informações sobre como ajudar financeiramente, enviar cartas, mensagens de apoio, livros e revistas para ela.  Leia também o post sobre o  caso de CeCe no site http://transfeminismo.com/, que possui  mais referências em idioma estrangeiro sobre o tema.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Comidinhas Naturebas: Guacamole (Receita Vegana)

Imagem fofa retirada do Google
Guacamole pode parecer tão óbvio, que eu nunca havia pensado em postar. Mas pensei bem e percebi que mesmo eu, uma precoce curiosa culinarística, só descobri o guacamole já com uns 20 anos. Trocando em miúdos: tá todo mundo perdoado. ;)

O guacamole é uma salada cremosa feita com base de abacate. Sim, é salgada. O estranhamento é devido à cultura brasileira de se consumir o fruto com açúcar. Mas abacate nunca precisou de açúcar para se gostoso. É maravilhoso de qualquer jeito, rico em gorduras do bem, vitamina E e ácidos graxos importantíssimos para a saúde, cuida de cabelos, pele e unhas, de dentro pra fora, de fora pra dentro.

O abacateiro é espécie exótica em nosso país, mas os estudiosos não se preocupam muito com possíveis invasões em ambientes naturais: os caroços costumas ficar sob a árvore mãe e raramente são carregados para longe. Também, com um peso daqueles!

Abacate tem um monte de tipos. Meus preferidos são o abacate manteiga e o avocado, primo chique do abacate, mais doce e denso, de gordura muito fina. Mas sem preconceitos, como todos e acho é bom.

Comida típica mexicana, o guacamole abriu espaço em outros países com a globalização e no Brasil faz a cabeça de muita gente esperta.

Minha receita não leva pimenta, já que sou um pouco sensível. Mas uma boa dedo-de-moça faz feliz quem pode, picadinha e misturada lá.

Minha receita:

1 abacate maduro, mas firme, amassado com o garfo
1 cebola média, picadinha
1 tomate maduro, mas firme, picado miúdo
1 pimentão de qualquer cor, em cubinhos
suco de 1 limão
3 colheres de azeite de oliva extra-virgem
sal a gosto
cheiro verde a gosto (para quem gosta, coentro combina muito bem)

Misturar tudo e pronto. Serve-se com saladas de folhas, pão, tortilhas e fica muito bom com os Doritos naturebas.


sábado, 18 de agosto de 2012

Comidinhas Naturebas: Tortéis de moranga ao sugo e de ricota com nozes ao pesto de rúcula (Receita Vegetariana)

Mais uma vez no furor culinário mode on. Robin disse: Batman, porque não usamos as deliciosas massas frescas de Quiririm para fazer tortéis? 

Maravilha. Moramos perto de uma colônia italiana, de onde saem massas frescas de primeira. Daí que os recheios para os tortéis pululavam nas nossas cabeças. O de moranga, meu amigo Gilberto Bolson, que aprendeu com a vó gaúcha, fez o favor de me ensinar. Claro que os dele são muito melhores, sabem como é, está no sangue. 

As massas para lasanha e caneloni, de Quiririm, são deliciosamente frescas e foram utilizadas aqui para substituir a massa caseira de tortéi. Garanto, fica excelente.

As receitas:

Recheio de moranga

três gomos grossos de abóbora japonesa
1 xíc de parmesão não muito duro ralado fino
1 pitada de noz moscada
1 pitada de sal
1 colher de chá de canela em
5 colheres de soa de azeite d eoliva extra-virgem

Cozinhar a abóbora no vapor (fica mais sequinha que na água). Amassar com um garfo e misturar os outros ingredientes. Esse recheio é o mais tradicional para tortéi e é meu preferido. Na minha opinião combina muito com molho ao sugo, feito em casa, de preferência com tomates orgânicos bem maduros e cozidos longa e lentamente. Um pouco de pimenta rosa (frutinhos da planta Schinus terebinhtifolius) dá um chame no acabamento e combina perfeitamente. Coloque uma colherada dentro de uma folha de massa fresca e aperte as beiradas com um garfo. Coloque no forno com o molho durante cerca de 15 minutos (a massa que utilizei é pré-cozida).

Recheio de ricota com nozes

200g de ricota fresca (usei congelada, não é a melhor mas dá certo também)
50 gramas de nozes quebradas bem miúdo
2 dentinhos pequenos de alho picados miudo
5 colheres de azeite de oliva extra-virgem
sal a gosto

Amassar tudo com o garfo e misturar. Rechear cada folha de massa fresca com uma boa colherada. Levar ao forno com o molho de sua preferências por cerca de 15 minutos (se a massa for pré-cozida). Achei que esse recheio combinaria muito bem com pesto de rúcula, receita aqui. Ficou muito bom, mas confesso que o sabor fica um pouco forte, pode não agradar a paladares mais sensíveis. ;)

Um frisante brut ou um prosecco fazem uma festa de acompanhamento.

Bom apetite!
 

Furor Culinário e a panela a vapor


Cozinhando abóboras jaonesas em baixo e descongelando ricota em cima.
Quem me conhece sabe que tenho um ou outro furor culinário, de tempo em tempo. E como tod@ amante da boa gastronomia caseira, vivo procurando novidades. Eis que inventei de comprar uma panela a vapor, dessas baratas, elétricas e que facilite certas manobras na cozinha. Fiquei encucada no começo, quando vi a figura: de plástico, cara de made in china (e é, claro). Mas funciona perfeitamente! Cozinha legumes, frutas e peixes, esquenta arroz integral, descongela rapidinho o que se precisa em cima da hora. Deve ter uma série de outras utilidades, que pretendo ir descobrindo, aos poucos. 

Coisas da vida moderna. Quem dera ter tempo e espaço para o slow food de cada dia. Enquanto não é assim, "a gente vai levando essa manha." ;)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Receitinhas Naturebas: pesto de rúcula! (Receita Vegana)

Atendendo a pedidos, mais uma receitinha natureba deliciosa (uma das minhas obsessões, aliás hahaha).

Aprendi a fazer com minhas queridas amigas matutuenses, que guardam verdadeiros tesouros culinários. Meu agradecimento a elas!





pesto de rúcula

1 maço de rúcula
folhas de manjericão
1 dente de alho
1/2 xíc. de azeite de oliva extra virgem
100g de nozes
sal a gosto

Bater tudo no liquidificador ou usando o  mixer. Só! :-)

Como como molho para macarrão, nhoque e lazanha, recheio de sanduíche (combina muito com presunto de parma e salada crocante), dá um bom molho para saladas e, claro, serve bem como pasta para dippar com os doritos naturebas que postei há alguns dias. 

Essa receita ode ser feita também com agrião e fica igualmente deliciosa.

sábado, 21 de julho de 2012

Receitinhas Naturebas: Abará, mas do meu jeito (Receita Vegana)

Aproveitei que estava com bastante feijão fradinho já demolhado em casa, produto da receitinha caseira contra fungos que andei fazendo e que você pode encontrar no Blog Deixa Sair, e fui procurar receitas pra alegrar o fim de semana.

Encontrei duas ótimas receitas de abará - o bolinho de feijão cru que serve de base para o acarajé - no Blog da Carol Daemon e adaptei de acordo com minha intuição e os ingredientes que tinha em casa. O resultado foi muito bom, algo entre abará e faláfel, de sabor sutil e leve. O acompanhamento foi uma saladinha verde estilo vinagrete (mas sem vinagre!) que combinou perfeitamente. 

Como havia comprado uma panela a vapor na semana passada, resolvi testar fazendo os bolinhos no vapor. Maravilha! A panela funciona que é uma beleza!


A receita do bolinho, adaptada:

250 g de feijão fradinho demolhado durante uma noite (cerca de meio quilo após a demolha)
1 cebola grande
2 dentes de alho
100 g de castanha de caju
3 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
sal a gosto

Bater tudo no liquidificador, com a ajuda de uma espátula, já que é um pouco denso (coloque um pouquinho de água, mas pouca, só para ajudar no começo). Bater um pouco a massa com uma colher, para aerar. Esse bolinho pode ser frito ou cozido no vapor, embrulhado em folha de bananeira, palha de milho, folha de caeté,ou qualquer outro invólucro que permita o cozimento. Usei palha de milho e cozinhei no vapor por cerca de 40 minutos.

A saladinha de acompanhamento:

 1 maço de ramas de cenoura (ou outro verdinho de preferência)
 1 maço de salsa
1 cebola picadinha 
Azeite, sal e limão a gosto

Complementa o sabor, fica excelente. 

Depois de comermos uns 5 bolinhos cada, minha parceira de cozinha deu a idéia de rechearmos com tahine. Delícia total. :-)

 

  

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Doritos* naturebas (Receita Vegana)



Me ocorreu de vir postar minha última obsessão, algo muito similar aos Doritos Dippas. Como os transgênicos, os aditivos químicos e a alimentação do consumo inconsciente não estão entre minhas preferências, eis que inventei os crocs com molho mais deliciosos do mundo. Tá certo, foi sem querer, só me caiu a ficha ontem, após dias produzindo e comendo. Fiquei feliz, já que essa é uma das naturebices que não há quem não goste. Tudo que faço acaba em minutos. Servi para família, amig@s, colegas. Todo mundo devorou.

Mais simples impossível: pão pitta (daquele árabe chato, chamado também de pão boina ou sírio) rasgado em pedaços, torrado no forno com azeite de oliva extravirgem ou manteiga de garrafa. Em alguns coloco um pouco de zattar por cima. Assim,  só eles, crocantes já são perfeitos. 

Mas um pouco de molho também vai bem e os torradinhos viram comida de festa.

Daí que faço babaganuje, hommus tahine e coalhada seca. Molhos perfeitos. Comi hoje com guacamole e, podem acreditar, é um espetáculo. 

Fácil, fácil. :-)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Festas Juninas Inclusivas

Adoro festas juninas! Além de serem festas alegres, tem todo aquele charme do inverno. É uma festa típica nossa, caipira de verdade. Claro que existem as festas juninas totalmente descaracterizadas, de caipira mesmo, muito pouco. 

Neste fim de semana fui a uma festa legal, com fogueira, quadrilha das crianças, comidas típicas, caldos, bolinhos caipira, pipoca (tá certo que rondam sempre uns refrigerantes, um vinho quente dooooce). Me emocionei ao ver uma menininha deficiente dançando com seu pai, feliz, incluída. Fazia parte dali, tanto quanto qualquer outra criança. Lindo de ver.

Enquanto estava ali, observando, pensei que as festas juninas seguem o modelo social heterosexista. Damas de um lado, cavalheiros de outro. Homem protegendo a mulher. Ainda que tenha algum participante de roupa trocada, a idéia nunca é de quebra da heteronormatividade e acaba contribuindo para o seu fortalecimento. 

Ao observar, compreendo ainda mais que para que consigamos uma sociedade realmente inclusiva, livre de discriminação e mais aberta, é necessário grande esforço coletivo e muita atenção. Vamos lá.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Ato Médico está no Senado.

Li no Blog da Sonia a notícia desagradável e desconcertante de que os médicos (indústria médica e farmacêutica) não desistiram do tenebroso e nebuloso 'Ato médico', que, no fim das contas, pretende desqualificar e subestimar todos os profissionais de saúde (enfermeiros, fisioterapeutas, acupunturistas, terapeutas holísticos, terapeutas homeopáticos, nutricionistas, fonoaudiólogos, psicólogos e tantos mais) e creditar aos médicos formados em faculdades convencionais a capacidade única e exclusiva de cuidar da saúde. 

O texto completo, com abaixo-assinado para o Senado e comentários interessantes, acesse aqui.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Basf desiste de transgênicos na Europa

E aí, será que vivendo em um paísão enorme e fértil como o nosso, seremos obrigados a importar não-transgênicos da Europa? 

Notícia da AS-PTA  
Número 570 - 20 de janeiro de 2012

A Basf, multinacional do setor químico com sede na Alemanha, anunciou esta semana a decisão de abandonar o mercado europeu de sementes transgênicas. Segundo um comunicado divulgado pela empresa, a decisão é devida ao fato de que “ainda existe uma falta de aceitação à tecnologia em muitas partes da Europa – por parte da maioria dos consumidores, agricultores e políticos”. A empresa irá concentrar seus esforços em “mercados mais atrativos para a biotecnologia de plantas na América do Norte, na América do Sul e nos mercados em crescimento na Ásia”.
A Basf é detentora da patente de uma das duas únicas variedades transgênicas aprovadas para cultivo na Europa: a batata transgênica Amflora, destinada à produção de amido para uso industrial. A produção de plantas alimentícias transgênicas para uso industrial é fortemente criticada em função do risco de contaminação de lavouras destinadas à alimentação. Desde que foi autorizada há dois anos, a Amflora foi cultivada em apenas algumas dezenas de hectares e já envolveu um escândalo em 2010, quando um campo experimental da própria empresa, na Suécia, foi contaminado por uma outra variedade de batata transgênica não autorizada, chamada Amadea. Um porta-voz da empresa declarou à AFP que, desde o episódio sueco, o cultivo da Amflora se limitou a uma parcela de dois hectares na Alemanha e que as vendas em 2011 foram “praticamente nulas” (UOL, 16/1/12).
Com a saída da Europa, a Basf interromperá a comercialização e o desenvolvimento de todos os produtos transgênicos destinados ao mercado Europeu, incluindo as batatas transgênicas para a produção de amido industrial (Amflora, Amadea e Modena), uma batata resistente a uma doença conhecida como requeima e uma variedade de trigo resistente a doença fúngica. A empresa apenas dará continuidade aos pedidos de autorização comercial que já estão em curso.
A notícia é, sem sombra de dúvida, uma grande vitória de todo o movimento anti-transgênicos na Europa e da forte resistência manifesta por consumidores e produtores. Não se pode deixar de observar, entretanto, que isso se deve, em parte, ao fato de que a biotecnologia não trouxe nenhum benefício real à população. Os consumidores não só não obtêm nenhuma vantagem ao adquirirem produtos transgênicos como, ao consumi-los, expõem-se a riscos ainda não devidamente avaliados. E os produtores, amplamente bombardeados com propagandas prometendo aumentos de produtividade e redução de custos de produção, atestam, na prática, que essas vantagens, quando ocorrem, são passageiras e que as lavouras transgênicas logo começam a provocar problemas antes inexistentes (que a indústria sempre promete resolver com seus novos lançamentos).
É evidente que se os transgênicos trouxessem benefícios reais (além dos benefícios econômicos para as empresas que os comercializam), a resistência europeia não se consolidaria. E é também verdade que nos países onde os transgênicos se difundiram (lembrando que o cultivo mundial está concentrado em apenas 4 países: EUA, Canadá, Brasil e Argentina) também existe forte objeção por parte de agricultores e consumidores – que infelizmente ainda não foi capaz de vencer o poder de lobby das indústrias sobre as instâncias decisórias dos governos, e nem o efeito provocado pela extrema concentração do mercado de sementes, que retira de circulação a maior parte das variedades convencionais e disponibiliza aos agricultores prioritariamente as transgênicas.

Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Receitinhas Naturebas - Lassi! (Receita Lactovegetariana)

Minha bebida favorita nesse calorão tem sido o Lassi, essa delícia indiana que alimenta, refresca, ajuda na digestão e é muito probiótica.

O Lassi tem sempre como base o iogurte natural, sendo que pode-se variar bastante nas combinações.Postarei duas receitas que curto muito, por motivos diferentes, além de uma outra que foi a primeira que aprendi, com minha querida Adriana Medina.







Lassi de Manga

Esse eu amo porque não precisa colocar açúcar nem mel, é docinho por natureza! E cremoso, alimenta bem!

Uma manga média, meio copo de iogurte natural, um copo de água gelada, 5 pedras de gelo, duas favinhas de cardamomo e umas raspas de canela. Bata tudo muito bem no liquidificador e glupt!






Lassi de Limão com Hortelã

Esse eu adoro porque é super refrescante e muito, muito saboroso mesmo!

Meio copo de iogurte natural, um copo de água gelada, 5 pedras de gelo,suco de um limão grande, folhas de um raminho de hortelã, uma lasquinha da casca do limão, uma colher de açúcar mascavo (ou de mel), duas favinhas de cardamomo e uma pitada de noz moscada. Bata tudo no liquidificador novamente e está pronto! 




Lassi de Água de Rosas

Esse foi o primeiro lassi que tomei e que aprendi a fazer. Não é meu preferido do coração, mas é gostoso também e muito simples. 

Para as mesmas medidas acima de iogurte natural, água e gelo, coloque uma colher de sopa de água de rosas e uma colher de açúcar mascavo ou mel. Só bater e tomar. Creio que ficará muito bom também se substituirmos a água por suco de laranja.








Outras receitas deliciosas são feitas com goiaba, damasco seco, ameixa seca, morango, uva, pêssego... é ir fazendo e provando... as especiarias em geral dão um sabor muito interessante a essa bebidas, combinam e ajudam na digestão do leite (que já estará mais fácil de digerir se o iogurte estiver bem fermentado).


Refrigerante e suco de caixa pra quê, minha gente? :-)









terça-feira, 15 de novembro de 2011

A pipoca nossa de cada dia

E, num dia ensolarado, quente mesmo, algum ancestral índio, talvez no Peru ou nos Estados Unidos, labutava sob o sol e, de repente, daquela espiga dura e avermelhada, poc! pula um algodãozinho crocante. A responsável pela mágica poderia ser uma pedra lascada de superfície muito refletora que direcionou raios de sol bem praquele milhozinho lá. A umidade dentro daquela semente se transformou em vapor d'água com todo aquele calor, a pressão interna aumentou e rompeu a casquinha fina. A pipoca inventou-se a si mesma!

Inventei essa historinha, claro, com o máximo de imaginatividade que minha persoalidade mental permitiu. De qualquer forma, gosto de pensar na pipoca assim.

Penso na pipoca há tempo, desde que percebi que existe uma tendência geral em desmoralizá-la, assim como outros tantos alimentos tradicionais. Outro dia fui comprar um saquinho de pipoca na praça central da cidade. Cidade pequena, ainda cheia de pipoqueiros espalhandos pelos meio-fios. Ao provar, senti instantaneamente gosto de glutamato monossódico. Perguntei ao pipoqueiro porque colocava e ele afirmou que 'o povo prefere assim'. Perguntei se poderia trocar por um saquinho sem o tal Ajisal, não, ele coloca já na panela, na hora de estourar. Pena. Devolvi e fui embora frustrada.

Aí que me deu uma vontade de pesquisar e andei pela cidade perguntando o que os pipoqueiros tem colocado na pipoca, aquela coisinha mágica perfeita, saborosa e cheirosa. A grande maioria respondeu que coloca Ajisal. Pior: a maioria mantém um saleiro onde se misturam, meio a meio, sal e glutamato. 

Pensei nas 'pipocarias' dos grandes cinemas, com seus baldes enorrrrrmes de pipoca encharcada por uma coisa estranha, aromatizada artificialmente, a que chamam manteiga. Em geral os baldões custam mais caro que o próprio ingresso para assistir ao filme. É a perversão da idéia principal. 

Faço em casa, então. Aliás, assisto a filmes em casa que é o melhor que tá tendo. Mas quando bate aquele cheirinho de pipoca no fim da trade, na praça cheia de gente andante... que dá uma tristeza, dá...

P.s.: nenhuma referência sobre transgenia, pipoca de microondas e outras peripécias da indústria. É proposital.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Receitinhas naturebas! Homus Tahine de feijão branco (Receita Vegana)


Aproveitando nossos últimos tempos de feijão não-transgênico... creio que vai ser mais difícil, muito em breve, encontrar feijões que se prestem a comidinhas naturebas de verdade. :-(

Atendendo a pedidos, abri espaço no tempo (hehehe) para postar minha receita de Homus Tahine com feijão branco. Acho bem mais leve que o Homus tradicional, feito com grão-de-bico. Na verdade nem curto tanto o tal do grão, o gosto é um pouco forte para meu paladar e geralmente só belisco os pratos por onde ele anda. Já o feijão branco é dos meus preferidos, então...

Bem, em primeiro lugar: feijão a gente tem que saber fazer, não é só ir jogando na panela, não senhor.

Primeiro pelo menos uma noite inteira de molho – costumo deixar 12, 18, 24 horas, na verdade. E troco a água pelo menos uma vez durante esse processo, quando aparecem espuminhas.

Depois: ferver o feijão e dispensar a água da primeira fervura. Em geral, junto com essa água vai embora uma densa espuma branca (fermentação maléfica – ia fermentar dentro de você...). Lavo bem o feijão e volto pra panela com água limpa. Se continuar juntando espuma, jogo fora a segunda água de fervura também.

Próximo passo: cozinhar em panela grossa, semi-tampada. Uso, em geral, panela de aço inox de fundo triplo, por não ter uma panela grande de pedra ou de barro. Fogo baixinho e cozinha por mais de uma hora.
Essa receita fiz com cerca de meio quilo de feijão.
Maravilha, feijão cozido! Depois de frio, amasse bem com o garfo em uma tigela e vá fazendo alquimia: uma colher de tahine (pasta de gergelim), uma colherinha de sal, umas 3 de azeite de oliva extra-virgem, um punhado de cebolinha e salsa picadinhas, suco de um limão. Misture tudo muito bem. Bata um pouco com o garfo.

Delícia para comer com pão, com cenoura e pepino, fazendo sanduíche ou do jeito que preferir!


P.S. Esse post foi feito em homenagem a minha querida Jéssica, que me alegra os dias. :-)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Polêmico Feijão Transgênico

Quem quiser ouvir uma excelente matéria sobre a liberação do Feijão Transgênico da Embrapa, por André Trigueiro, pode visitar o site da CBN e clicar no áudio, que está com a data de sábado, 29/09/2011.

Se preferir, ouça aqui mesmo, nesse player aí em baixo.

Discussões no próximo post!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ambiente Sustentável: A discussão do Código Florestal e a criação da Bolsa Verde

A discussão sobre o Novo Código Florestal continua acontecendo no Senado. Enquanto isso, a Câmara começa a discutir esta semana a medida provisória (MP) que autoriza o pagamento de uma bolsa a famílias em situação de extrema pobreza que desenvolverem atividades de preservação do meio ambiente na área rural.
O que causa maior reflexão, na minha opinião, é a seguinte questão: como pessoas em situação de extrema pobreza podem desenvolver atividades de preservação do meio ambiente? Essas pessoas possuem acesso a informações importantes para a preservação e manutenção saudável do seu ambiente?

Juristas esquentam debate sobre o Código Florestal
Nathália Clark
13 de Setembro de 2011

“Busquem uma definição para ‘utilidade pública’. Não exercitem a delegação de poderes de forma indireta através do uso de expressões ambíguas, porque, quando o legislador, para conseguir formar a vontade majoritária, usa da ambiguidade, está transferindo um poder legislativo a quem não tem poder para tal, que é o Poder Judiciário, o que cria uma imensa confusão. Resolvam aqui as questões que devem trazer unidade nacional a esse país”, alertou o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, que, na audiência desta terça-feira (13), no Senado Federal, atacou alguns pontos do projeto do Código Florestal, principalmente a proposta do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) de delegar mais poder legislativo aos governos estaduais.

Jobim era um dos juristas presentes e foi quase unânime a posição entre o grupo que participou do encontro de que o Projeto de Lei que reforma a legislação ambiental brasileira e também o relatório de Luiz Henrique levam a mais desmatamentos. No debate, promovido pelas comissões de Constituição e Justiça (CCJ), de Meio Ambiente (CMA), de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Agricultura (CRA), Nelson Jobim, também ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), frisou que dar mais poder aos estados pode causar uma “concorrência predatória” e prejuízos ao meio ambiente.

Segundo ele, deve-se buscar unidade nacional para evitar os conflitos interestaduais e competências concorrentes. “Os estados devem legislar de forma suplementar e não devem comprometer as normas gerais. Há que se considerar os fatos e realidades específicas, mas a conseqüência de atribuirmos essa responsabilidade aos estados é a inconsistência nacional. Os senhores devem produzir algo que tenha compromisso com o futuro do país, pois o resultado do que os senhores fazem é o país quem paga”, afirmou.

Jobim considera que, se for deixado aos governos estaduais o poder de fixar as dimensões mínimas para Áreas de Preservação Permanente (APP), por exemplo, haverá o risco de conflitos e disputas econômicas. Ele lembrou também a responsabilidade dos parlamentares e disse que, ao deixar complementações a serem feitas por quem deve aplicar e executar as leis, os legisladores "fogem da obrigação de legislar".

O professor da Universidade de Limoges (França), Paulo Affonso Leme Machado, foi contra a anistia e a exploração de APPs. “Quem destrói floresta de preservação permanente é um produtor de seca e de desertificação. As florestas são protegidas, pois, por sua vez, são protetoras dos recursos das águas e do solo, fundamentais à vida e à produção. Além do mais, o PL do Código introduz um conceito sublimado de anistia, sem utilizar esse termo”, disse ele.

Antonio Herman Benjamin, Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concordou nesse aspecto. Segundo ele, é preciso deixar claro no texto legal que o que está escrito não se trata de dispensa ou “perdão”. “Chamemos a anistia que está colocada ali de compromisso de adequação à realidade da lei. Dessa forma, o texto pode ser aperfeiçoado”.

Benjamin lembrou ainda o caso específico do Pantanal, que “foi colocado na vala comum” e precisa de uma lei própria. “Do jeito que está hoje, desaparece a proteção do Pantanal brasileiro, que é uma enorme planície inundável. Quando mudamos o critério do calculo da APP para a calha regular, todo aquele ecossistema deixa de ser de preservação permanente. Estamos admitindo, assim, a possibilidade de utilização de todo o Pantanal”, ressaltou.

Modelo conflituoso de produção


Já Mário José Gisi, subprocurador-geral da República do Ministério Público Federal (MPF), defendeu a necessidade de revisão do modelo produtivo brasileiro. “A segunda causa de poluição das águas é o uso de agrotóxicos, e nós somos um dos maiores consumidores do planeta. Precisamos estimular outro modelo de produção”, disse.

Em sua fala, Kátia Abreu (DEM-TO) levantou dados que, segundo ela, são do IBGE, de que 61% das áreas do país são destinadas à conservação e apenas 27% à produção. Quanto a isto, Gisi rebateu: “Quando aponta esses dados, a senhora ignora solenemente a grande parcela da população que produz, mas não está inserida no modelo de produção do agronegócio, dos agrotóxicos, que é insustentável”.

Exaltada, a senadora infringiu as regras regimentais da Casa, interrompeu o presidente da mesa, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), e afirmou que “não estamos aqui discutindo modelos de produção. Não se pode insultar assim a agricultura que abastece o mundo de alimentos”.


Governo discute a criação da Bolsa Verde

A Câmara começa a discutir esta semana a medida provisória (MP) que autoriza o pagamento de uma bolsa a famílias em situação de extrema pobreza que desenvolverem atividades de preservação do meio ambiente na área rural. A MP 535/11 cria o Programa de Apoio à Conservação Ambiental e o Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais e faz parte do Plano Brasil sem Miséria.

Pela proposta, as famílias receberão a chamada Bolsa Verde, no valor de R$ 300, pagos trimestralmente por um período de até dois anos, podendo ser prorrogado.

Para ter acesso ao benefício, as famílias deverão estar em situação de plena pobreza, inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal e desenvolver atividades de conservação em áreas de florestas nacionais, reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável, assentamentos florestais ou agroextrativistas criadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ou em áreas consideradas prioritárias pelo Executivo, que definirá também o conceito de extrema pobreza.

A medida provisória também concede benefícios a agricultores familiares, pescadores e silvicultores. As famílias beneficiadas poderão receber até R$ 2,4 mil, em três parcelas, durante dois anos. A ideia é estimular a geração de trabalho e renda e a estruturação produtiva desses grupos.

Fonte: Revista Globo Rural On-line

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Água fluoretada faz bem pra quem?

O texto abaixo é lúcido e bem escrito, vale a leitura! 

Água fluoretada, uma herança nazista

                                                                Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana.

Em setembro de 2003, e lá se vão oito anos, uma petição internacional assinada por mais de 300 cientistas, químicos, técnicos e ambientalistas de 37 países, pediu a revisão, esclarecimento e discussão sobre os benefícios e malefícios da adição à água encanada do flúor, íon utilizado como preventivo de cáries. Atendendo à petição, foram apresentados vários estudos comprovando os riscos para a saúde geral do corpo, especialmente dos ossos, devido à ingestão desse potente agente químico que quando ultrapassa apenas 1 ppm já causa problema até nos dentes. De lá para cá, muitas pesquisas vêm atestando ligações
entre ingestão de flúor e doenças da modernidade.

Autistas, por exemplo, não devem beber água fluoretada. Embora não haja confirmação de associação direta
entre o flúor e a disfunção, sabe-se que ele potencializa os sintomas do autismo.

O problema da adição de uma droga, venenosa ou não, na água de todas as pessoas, é uma questão delicada. Até que ponto as autoridades têm o direito de institucionalizar um tratamento medicamentoso na água para todos os cidadãos de todas as idades?

Sabendo-se da ligação entre tal produto e desencadeamento de patologias, como e por quais razões se mantêm a mesma diretriz? A retirada, diante das evidências, bate na trave econômica e política. Subproduto da indústria do alumínio, o íon, que mata um corpo adulto com apenas 5 gramas, não pode ser simplesmente jogado na natureza. A confiança inicial de que em doses ínfimas espalhadas pelas águas e alimentos no mundo, só faria bem aos dentes, evitando cáries, fez com as políticas se consolidassem nesse gigantesco contrato comercial mundial, agora difícil de ser desfeito, especialmente em países em desenvolvimento que têm de um lado a população ignorante que aceita as decisões públicas e privadas sem questionamentos e de outro os concentradores de renda, que defendem o status quo a qualquer preço.

Alguns países, já a partir de 2003, outros antes, retiraram o flúor da água e passaram a adicioná-lo ao sal de cozinha, já que se consome menos sal do que água, o que reduziria o risco de ingestão excessiva do íon, cumulativo no corpo humano. Diante das evidências e para reparar a visão equivocada, baseada em pesquisas que só levavam em conta a prevenção de cáries, muitos países simplesmente não utilizam mais o uso sistêmico do flúor como preventivo de cáries; apostam na educação alimentar, higiene e no uso tópico, diretamente aplicado nos dentes.

No Canadá, Áustria, Finlândia, Bélgica, Noruega, França e Cuba, alguns dos países que pararam de fluoretar suas águas, os índices de cáries continuaram caindo. Estudos sobre a ingestão do flúor, que a partir da década de 1970 também foi adicionado a alimentos, leites em pós e a alguns medicamentos, apontam malefícios graves e cumulativos para a saúde em geral. Os danos começam pela fluorose, que pode ser leve, causando manchas esbranquiçadas nos dentes ou grave, quando a dentição permanente fica com manchas marrons ou chega a ser perdida, esfacelando os dentes. Para que isso ocorra basta que crianças de zero a seis anos sejam expostas à ingestão diária do íon. O resultado visível só aparece nos dentes permanentes, já a ingestão de flúor na gravidez compromete a primeira dentição da criança.

O flúor no corpo- Quando ingerido o flúor é rapidamente absorvido pela mucosa do estômago e do intestino delgado. Sabe-se que 50% dele é eliminado pelos rins e que a outra metade aloja-se junto ao cálcio dos tecidos conjuntivos. Dentes e ossos, ao longo do tempo, passam a ficar deformados, surgem doenças e rachaduras.

A hipermineralização dos tecidos conectivos dos ossos, da pele e da parede das artérias é afetada, os tecidos
perdem a flexibilidade, se tornam rígidos e quebradiços. Para que tudo isso ocorra, segundo estudo de 1977 da National Academy of Sciences, dos EUA, o corpo humano precisaria absorver durante 40 anos apenas 2mg de flúor por dia. Parece difícil ingerir tanto, mas a fluorose já é um fato, uma doença moderna comprovada.

Diversos estudos químicos atestam que o flúor é tão tóxico como o chumbo e, como este, cumulativo. Quanto mais velhos mais aumentamos a concentração de flúor nos nossos ossos, o que traz maiores riscos de rachaduras e doenças como a osteoporose (veja o primeiro link). A versão natural do flúor, encontrada na natureza, inclusive em águas minerais, peixes, chás e vegetais tem absorção de 25% pelo corpo humano, mas a fluoretação artificial é quase que totalmente absorvida. A maior parte se deposita nas partes sólidas do organismo, os ossos, e parte pequena vai para os dentes. Acredita-se que o fluoreto natural tenha algum papel importante para a saúde humana, mas isso ainda não foi completamente comprovado.

No Brasil a adição de flúor à água começou em 1953 em Baixo Guandu, ES, virou lei federal
(6.050/74) e a campanha da fluoretação das águas, abraçada pela odontologia em parceria com sucessivos governos desde a década de 1960, continua em alta e tem como meta atingir 100% da água brasileira encanada. Águas potáveis também recebem flúor e algumas águas minerais possuem mais flúor em sua composição do que é recomendado para evitar a fluorose, que é algo situado entre 0,5 ppm e 1ppm, dependendo da temperatura ambiente, já que no verão ou em locais mais quentes se consome mais água.
 
Os odontologistas que ainda defendem a adição do flúor na água potável e encanada afirmam ser a fluorose, que atingiu adolescentes nas últimas gerações com manchas brancas, um problema menor diante das evidências de redução das cáries, comprovadas por várias teses, elaboradas nos anos 1960 e 1970.

Segundo eles esse método é o mais eficaz para reduzir índices de cárie que variam entre 20% e 60%. Da década de 1960 para cá, além da fluoretação das águas brasileiras, a população teve acesso maior às escovas de dentes, que tornaram-se mais baratas e populares. Na Suécia, por exemplo, onde não há fluoretação das águas, a cárie foi erradicada por meio da educação da população.

O flúor nos dentes- A redução de cáries por acesso ao flúor ocorre em decorrência de uma
regulação do ph bucal, que teria maior constância via corrente sangüínea a partir da ingestão dessa substância. Após escovarmos os dentes com creme dental fluoretado, mantemos o ph ideal por cerca de duas horas. Apesar da campanha pró-ingestão de flúor, nenhum dentista defende a água fluoretada sem a dobradinha boa higiene e boa alimentação. Não há ph administrado pelo flúor que regule os detritos retidos entre os dentes; esses detritos desregulam o ph local, tornando-o mais ácido, o que favorece o surgimento de cáries e outras doenças periodontais. O açúcar torna o ph do sangue muito ácido e ao lado dele o outro grande vilão é o carboidrato, daí os odontologistas condenarem o abuso de doces, biscoitos e pães entre as refeições, especialmente os feitos com farinhas refinadas. Segundo Pedro Cordeiro, odontologista em Florianópolis, uma boa alimentação e uma escovação bem feita três vezes ao dia são métodos extremamente eficazes para a prevenção de cáries. “Recomendo aos pais que não usem creme dental fluoretado em crianças até cinco anos, pois é possível que engulam o creme acidentalmente ou voluntariamente, o que acarretaria a fluorose.” Uso de fio dental, escovação com água e uma boa alimentação são suficientes para evitar o surgimento de cáries em qualquer idade, garante o dentista.

Medidas seguras- Na água potável encanada são recomendados no máximo 0,6 ppm de flúor, o que causa em crianças menores de sete anos uma fluorose mínima ao nascerem os dentes permanentes. “Acima de 1,5 ppm de flúor na água bebida por crianças menores de sete anos a fluorose é mais agressiva e pode causar má aparência nos dentes permanentes, mas existe tratamento para essa fluorose nos consultórios dentários”, garante o professor Jaime Cury, da Unicamp, defensor da adição de flúor à água.

Em Cocalzinho, cidade de Santa Catarina, o flúor contido numa água natural, (1000 ppm) causou sérios danos aos dentes das crianças da região, com perdas parciais e totais dos dentes permanentes. Profissionais de várias partes do Brasil interessaram-
se pelo caso, que foi documentado no final da década de 1980. Em 2004 a água mineral Charrua, do RS, apresentava 4ppm de flúor, o que pode resultar em fluorose avançada.

O flúor está presente nos cremes dentais desde 1989, inclusive nos infantis, sendo hoje difícil encontrar no mercado convencional um creme dental para uso diário sem o íon. Normalmente os cremes dentais recebem de 1000 ppm a 1800 ppm de flúor. Não há pesquisa que ateste que o flúor aplicado, sem ingestão, cause qualquer mal, mas segundo vários estudos em odontopediatria os problemas de fluorose verificados em todo o Brasil nos últimos anos estão relacionados ao uso de creme dental porque crianças pequenas, além de serem extremamente vulneráveis à ingestão do flúor, engolem acidentalmente ou voluntariamente o creme dental. Uma das razões da ingestão voluntária, em crianças maiores de 3 anos, se deve ao sabor doce dos géis dentais infantis. A fluorose aparente nos dentes de crianças e adolescentes é uma realidade no Brasil.

Flúor e o nazismo
As primeiras pesquisas com ingestão de flúor em humanos foram feitas em campos de concentração nazistas com o intuito de acalmar os prisioneiros, que ingeriam o íon a partir da água com até 1500 ppm de flúor. O resultado gerava uma espécie de apatetamento, os prisioneiros cumpriam melhor suas tarefas sem questioná-las. Com o mesmo objetivo o flúor é adicionado a alguns medicamentos psiquiátricos hoje em dia. Mais de 60 tranquilizantes largamente utilizados contêm flúor, como Diazepan, Valium e Rohypnol, da Roche, ligada à antiga I.G.Farben, indústria química que atuou a serviço da Alemanha nazista.

http://www.theforbiddenknowledge.com/hardtruth/fluoridation.htm

Essa ligação histórica desperta brigas ferrenhas entre os adeptos da adição do flúor à água e os que são contra, esses últimos acusados pelos primeiros de fazer terrorismo e estabelecer o caos social em nome da nova ordem mundial, que está aí a questionar as bases que sustentam a economia.

A Associação Brasileira de Odontologia recomenda a adição de flúor à água potável como método preventivo fundamental para o Brasil, país grande, de população pobre e desinformada sobre os hábitos de higiene e de alimentação. Segundo o professor Jaime Cury,que passou mais de 20 anos estudando a prevenção da cárie, o flúor adicionado à água tem uma importância social inquestionável. “Gostaria de ser o primeiro a anunciar que o flúor não precisa mais ser adicionado à água, mas o povo brasileiro, a maior parte da população, a que é pobre e desinformada, não escova os dentes corretamente, não pode cuidar da alimentação e é beneficiada pela adição de flúor na água.” Para ele, “a fluorose leve que não causa mal-estar social, nem deveria ser considerada um problema ou doença porque as crianças com fluorose leve, manchinhas brancas, têm dentes mais fortes.”

Questões políticas
A ciência odontológica vê a fluorose média ou grave como problema principal em conseqüência da adição de flúor à água, mas médicos, químicos e toxicologistas afirmam que a fluorose é apenas o começo de um problema espalhado por todos os ossos do corpo, sobrecarregando a glândula pineal e acarretando outras conseqüências na saúde devido a alteração do funcionamento bioquímico. Eles alertam que as doenças podem demorar anos para surgir, pois o flúor é cumulativo. Nunca houve uma denúncia formal ligando o flúor à indústria de alumínio; as pesquisas feitas por químicos e neurologistas focam exclusivamente os danos do íon à saúde humana.
Polêmica à parte, algo não está sendo levado em conta: é praticamente impossível encontrar água que não tenha sofrido adição de flúor. Por uma convenção entre sucessivos governos, a ciência odontológica e a indústria de alumínio, o brasileiro perdeu o direito de beber água sem o aditivo.

Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana, autora de Bebês de Mamães mais que Perfeitas, 2008. Centauro Editora. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O engodo das datas comemorativas

Hoje, 28 de julho é dia do produtor rural. Cômico, se não fosse trágico. Com tanto desrespeito pelo verdadeiro produtor, o massacre dos agrotóxicos, dos transgênicos, das 'terminator' das multinacionais, da produção em massa, da política pública nó cego desse país...

E a frase brinde que recebo logo de manhã: 'Se você já comeu hoje, agradeça a um produtor rural'... ahã. Sem mais comentários.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Para saber mais sobre sustentabilidade

Recebi por email e posto porque conheço vários dos títulos, são mesmo imprescindíveis!
Pelo que entendi, são as 50 obras mais importantes sobre sustentabilidade de acordo com a Universidade de Cambridge. Vale ir adquirindo.

(1) O Banqueiro dos Pobres, Muhammad Yunus (1999)

(2) Biomimetismo, Janine Benyus (2003)

(3) Blueprint para uma Economia Verde, David Pearce, Markandya Anil e Edward B. Barbier (1989)

(4) Business as Insólito, Anita Roddick (2005)

(5) Canibais com Garfo e Faca, John Elkington (1999)

(6) Capitalismo: Como se o Mundo Importa, Jonathon Porritt (2005)

(7) O Capitalismo na Encruzilhada, Stuart Hart (2005)

(8) Mudando o Rumo: uma Perspectiva Empresarial Global sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, Stephan Schmidheiny e o WBCSD (1992)

(9) O Ponto do Caos: o Mundo na Encruzilhada, por Ervin Laszlo (2006)

(10) A Corporação Civil: A Nova Economia da Cidadania Empresarial, Simon Zadek (2001)

(11) Colapso, Jared Diamond (2005)

(12) A Corporação, Joel Bakan (2005)

(13) Do Berço ao Berço, William McDonough e Michael Braungart (2002)

(14) O Sonho da Terra, Thomas Berry (1990)

(15) Desenvolvimento como Liberdade, por Amartya Sem (2000)

(16) A Ecologia do Comércio, Paul Hawken (1994)

(17) A Economia das Alterações Climáticas: o Relatório Stern, Nicholas Stern (2007)

(18) O Fim da Pobreza, Jeffrey Sachs (2005)

(19) Fator Quatro: um Relatório para o Clube de Roma, Ernst VonWeizsäcker, Amory B. Lovins e L. Hunter Lovins (1998)

(20) O Falso Amanhecer: os Equívocos do Capitalismo Global, John Gray (2002)

(21) Fast Food Nation, Eric Schlosser (2005)

(22) Um Destino Pior que a Dívida: a Crise Financeira Mundial e os Pobres, Susan George (1990)

(23) Para o Bem Comum: o Redirecionamento da Eeconomia para Comunidade, Meio Ambiente e Futuro Sustentável, Herman Daly e John Cobb (1989)

(24) Riqueza na Base da Pirâmide, CK Prahalad (2004)

(26) Gaia, James Lovelock (1979)

(27) A Globalização e os seus Malefícios, Joseph Stiglitz (2002)

(28) Calor: Como Parar a Queima do Planeta, George Monbiot (2006)

(29) Escala de Desenvolvimento Humano: Concepção, Aplicação e as Novas reflexões, Manfred Max-Neef (1991)

(30) O Espírito Ávido, Charles Handy (1999)

(31) Uma Verdade Inconveniente, Al Gore, 2006

(32) Os Limites do Crescimento, Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jorgen Randers (1972)

(33) Maverick, Ricardo Semler (1993)

(34) O Mistério do Capital: Por que o Capitalismo Triunfa no Oeste e Falha em Toda a Parte, Hernando De Soto (2000)

(35) Capitalismo Natural, Paul Hawken, Amory Lovins e L. Hunter Lovins (2000)

(36) Sem Logo, Naomi Klein (2002)

(37) Sociedade Aberta: Reformar o Capitalismo Global, George Soros (2000)

(38) Manual de Operação para Espaçonave Terra, Buckminster Fuller (1969)

(39) Nosso Futuro Comum, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1987)

(40) The Population Bomb, Paul Ehrlich (1968)

(41) Presença, Peter Senge, Otto Scharmer, Joseph Jaworski e Betty Sue Flowers (2005)

(42) A River Runs Black: O Desafio Ambiental para o Futuro da China,

Elizabeth C. Economy (2004)

(43) Sand County Almanac, Aldo Leopold (1949)

(44) Primavera Silenciosa, Rachel Carson (1962)

(45) O Ambientalista Cético, Bjorn Lomborg (2001)

(46) Small is Beautiful, EF Schumacher (1973)

(47) Staying Alive: Mulher, Ecologia e Desenvolvimento, por Vandana Shiva (1989)

(48) The Turning Point, Fritjof Capra (1984)

(49) Unsafe at Any Speed, Ralph Nader (1965)

(50) Quando as Corpora€ ¦ções Regem o Mundo, David Korten, 2001

terça-feira, 19 de julho de 2011

7º Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia - São Paulo

Bienal do Ibirapuera recebe feira orgânica e natural

       A Bienal do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, de 21 a 24 de julho, será palco do maior evento profissional do mundo orgânico e natural. A Bio Brazil Fair – 7ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e a Natural Tech – 7ª Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde irão trazer novidades do setor e disponibilizar, gratuitamente, palestras ao público visitante.

 
      A Bio Brazil Fair é a maior vitrine de negócios do setor orgânico. Fabricantes, produtores, distribuidores e importadores vão expor produtos, como laticínios, frutas e vegetais, cereais e massas, carnes e ovos, refeições congeladas e desidratadas, geléias, doces e sorvetes, bebidas, ração para animais, entre outros, todos orgânicos. Expositores de todas as regiões do Brasil e de países visitantes, como Bolívia, Canadá, Chile, Estados Unidos, França, Inglaterra, Peru, Portugal devem comparecer. A feira sedia, ainda, a 7ª edição do Fórum Brasileiro de Agricultura Orgânica e Sustentável que, neste ano, discutirá o “Brasil Orgânico”.

          Já a Natural Tech vai trazer novidades em produtos naturais para nutrição, beleza e saúde. Esse é a único evento de negócios do setor, e vai apresentar alimentos funcionais, probióticos e integrais, fitoterápicos, suplementos, linhas diet e light, mel e derivados, cosméticos naturais, óleos essenciais e velas e terapias complementares. Nos dias 23 e 24 de julho, a Natural Tech oferecerá um ciclo de palestras dos expositores que abordará assuntos relacionados às práticas saudáveis. Aromaterapia, terapia floral, ginástica cerebral, energia renovável e lecitina em soja estão entre os temas.
Bio Brazil Fair e Natural Tech

Data: de 21 a 24 de jullho

Local: Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

Mais informações: no site http://www.biobrazilfair.com.br/

Fonte: Portal Apas