quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Água fluoretada faz bem pra quem?

O texto abaixo é lúcido e bem escrito, vale a leitura! 

Água fluoretada, uma herança nazista

                                                                Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana.

Em setembro de 2003, e lá se vão oito anos, uma petição internacional assinada por mais de 300 cientistas, químicos, técnicos e ambientalistas de 37 países, pediu a revisão, esclarecimento e discussão sobre os benefícios e malefícios da adição à água encanada do flúor, íon utilizado como preventivo de cáries. Atendendo à petição, foram apresentados vários estudos comprovando os riscos para a saúde geral do corpo, especialmente dos ossos, devido à ingestão desse potente agente químico que quando ultrapassa apenas 1 ppm já causa problema até nos dentes. De lá para cá, muitas pesquisas vêm atestando ligações
entre ingestão de flúor e doenças da modernidade.

Autistas, por exemplo, não devem beber água fluoretada. Embora não haja confirmação de associação direta
entre o flúor e a disfunção, sabe-se que ele potencializa os sintomas do autismo.

O problema da adição de uma droga, venenosa ou não, na água de todas as pessoas, é uma questão delicada. Até que ponto as autoridades têm o direito de institucionalizar um tratamento medicamentoso na água para todos os cidadãos de todas as idades?

Sabendo-se da ligação entre tal produto e desencadeamento de patologias, como e por quais razões se mantêm a mesma diretriz? A retirada, diante das evidências, bate na trave econômica e política. Subproduto da indústria do alumínio, o íon, que mata um corpo adulto com apenas 5 gramas, não pode ser simplesmente jogado na natureza. A confiança inicial de que em doses ínfimas espalhadas pelas águas e alimentos no mundo, só faria bem aos dentes, evitando cáries, fez com as políticas se consolidassem nesse gigantesco contrato comercial mundial, agora difícil de ser desfeito, especialmente em países em desenvolvimento que têm de um lado a população ignorante que aceita as decisões públicas e privadas sem questionamentos e de outro os concentradores de renda, que defendem o status quo a qualquer preço.

Alguns países, já a partir de 2003, outros antes, retiraram o flúor da água e passaram a adicioná-lo ao sal de cozinha, já que se consome menos sal do que água, o que reduziria o risco de ingestão excessiva do íon, cumulativo no corpo humano. Diante das evidências e para reparar a visão equivocada, baseada em pesquisas que só levavam em conta a prevenção de cáries, muitos países simplesmente não utilizam mais o uso sistêmico do flúor como preventivo de cáries; apostam na educação alimentar, higiene e no uso tópico, diretamente aplicado nos dentes.

No Canadá, Áustria, Finlândia, Bélgica, Noruega, França e Cuba, alguns dos países que pararam de fluoretar suas águas, os índices de cáries continuaram caindo. Estudos sobre a ingestão do flúor, que a partir da década de 1970 também foi adicionado a alimentos, leites em pós e a alguns medicamentos, apontam malefícios graves e cumulativos para a saúde em geral. Os danos começam pela fluorose, que pode ser leve, causando manchas esbranquiçadas nos dentes ou grave, quando a dentição permanente fica com manchas marrons ou chega a ser perdida, esfacelando os dentes. Para que isso ocorra basta que crianças de zero a seis anos sejam expostas à ingestão diária do íon. O resultado visível só aparece nos dentes permanentes, já a ingestão de flúor na gravidez compromete a primeira dentição da criança.

O flúor no corpo- Quando ingerido o flúor é rapidamente absorvido pela mucosa do estômago e do intestino delgado. Sabe-se que 50% dele é eliminado pelos rins e que a outra metade aloja-se junto ao cálcio dos tecidos conjuntivos. Dentes e ossos, ao longo do tempo, passam a ficar deformados, surgem doenças e rachaduras.

A hipermineralização dos tecidos conectivos dos ossos, da pele e da parede das artérias é afetada, os tecidos
perdem a flexibilidade, se tornam rígidos e quebradiços. Para que tudo isso ocorra, segundo estudo de 1977 da National Academy of Sciences, dos EUA, o corpo humano precisaria absorver durante 40 anos apenas 2mg de flúor por dia. Parece difícil ingerir tanto, mas a fluorose já é um fato, uma doença moderna comprovada.

Diversos estudos químicos atestam que o flúor é tão tóxico como o chumbo e, como este, cumulativo. Quanto mais velhos mais aumentamos a concentração de flúor nos nossos ossos, o que traz maiores riscos de rachaduras e doenças como a osteoporose (veja o primeiro link). A versão natural do flúor, encontrada na natureza, inclusive em águas minerais, peixes, chás e vegetais tem absorção de 25% pelo corpo humano, mas a fluoretação artificial é quase que totalmente absorvida. A maior parte se deposita nas partes sólidas do organismo, os ossos, e parte pequena vai para os dentes. Acredita-se que o fluoreto natural tenha algum papel importante para a saúde humana, mas isso ainda não foi completamente comprovado.

No Brasil a adição de flúor à água começou em 1953 em Baixo Guandu, ES, virou lei federal
(6.050/74) e a campanha da fluoretação das águas, abraçada pela odontologia em parceria com sucessivos governos desde a década de 1960, continua em alta e tem como meta atingir 100% da água brasileira encanada. Águas potáveis também recebem flúor e algumas águas minerais possuem mais flúor em sua composição do que é recomendado para evitar a fluorose, que é algo situado entre 0,5 ppm e 1ppm, dependendo da temperatura ambiente, já que no verão ou em locais mais quentes se consome mais água.
 
Os odontologistas que ainda defendem a adição do flúor na água potável e encanada afirmam ser a fluorose, que atingiu adolescentes nas últimas gerações com manchas brancas, um problema menor diante das evidências de redução das cáries, comprovadas por várias teses, elaboradas nos anos 1960 e 1970.

Segundo eles esse método é o mais eficaz para reduzir índices de cárie que variam entre 20% e 60%. Da década de 1960 para cá, além da fluoretação das águas brasileiras, a população teve acesso maior às escovas de dentes, que tornaram-se mais baratas e populares. Na Suécia, por exemplo, onde não há fluoretação das águas, a cárie foi erradicada por meio da educação da população.

O flúor nos dentes- A redução de cáries por acesso ao flúor ocorre em decorrência de uma
regulação do ph bucal, que teria maior constância via corrente sangüínea a partir da ingestão dessa substância. Após escovarmos os dentes com creme dental fluoretado, mantemos o ph ideal por cerca de duas horas. Apesar da campanha pró-ingestão de flúor, nenhum dentista defende a água fluoretada sem a dobradinha boa higiene e boa alimentação. Não há ph administrado pelo flúor que regule os detritos retidos entre os dentes; esses detritos desregulam o ph local, tornando-o mais ácido, o que favorece o surgimento de cáries e outras doenças periodontais. O açúcar torna o ph do sangue muito ácido e ao lado dele o outro grande vilão é o carboidrato, daí os odontologistas condenarem o abuso de doces, biscoitos e pães entre as refeições, especialmente os feitos com farinhas refinadas. Segundo Pedro Cordeiro, odontologista em Florianópolis, uma boa alimentação e uma escovação bem feita três vezes ao dia são métodos extremamente eficazes para a prevenção de cáries. “Recomendo aos pais que não usem creme dental fluoretado em crianças até cinco anos, pois é possível que engulam o creme acidentalmente ou voluntariamente, o que acarretaria a fluorose.” Uso de fio dental, escovação com água e uma boa alimentação são suficientes para evitar o surgimento de cáries em qualquer idade, garante o dentista.

Medidas seguras- Na água potável encanada são recomendados no máximo 0,6 ppm de flúor, o que causa em crianças menores de sete anos uma fluorose mínima ao nascerem os dentes permanentes. “Acima de 1,5 ppm de flúor na água bebida por crianças menores de sete anos a fluorose é mais agressiva e pode causar má aparência nos dentes permanentes, mas existe tratamento para essa fluorose nos consultórios dentários”, garante o professor Jaime Cury, da Unicamp, defensor da adição de flúor à água.

Em Cocalzinho, cidade de Santa Catarina, o flúor contido numa água natural, (1000 ppm) causou sérios danos aos dentes das crianças da região, com perdas parciais e totais dos dentes permanentes. Profissionais de várias partes do Brasil interessaram-
se pelo caso, que foi documentado no final da década de 1980. Em 2004 a água mineral Charrua, do RS, apresentava 4ppm de flúor, o que pode resultar em fluorose avançada.

O flúor está presente nos cremes dentais desde 1989, inclusive nos infantis, sendo hoje difícil encontrar no mercado convencional um creme dental para uso diário sem o íon. Normalmente os cremes dentais recebem de 1000 ppm a 1800 ppm de flúor. Não há pesquisa que ateste que o flúor aplicado, sem ingestão, cause qualquer mal, mas segundo vários estudos em odontopediatria os problemas de fluorose verificados em todo o Brasil nos últimos anos estão relacionados ao uso de creme dental porque crianças pequenas, além de serem extremamente vulneráveis à ingestão do flúor, engolem acidentalmente ou voluntariamente o creme dental. Uma das razões da ingestão voluntária, em crianças maiores de 3 anos, se deve ao sabor doce dos géis dentais infantis. A fluorose aparente nos dentes de crianças e adolescentes é uma realidade no Brasil.

Flúor e o nazismo
As primeiras pesquisas com ingestão de flúor em humanos foram feitas em campos de concentração nazistas com o intuito de acalmar os prisioneiros, que ingeriam o íon a partir da água com até 1500 ppm de flúor. O resultado gerava uma espécie de apatetamento, os prisioneiros cumpriam melhor suas tarefas sem questioná-las. Com o mesmo objetivo o flúor é adicionado a alguns medicamentos psiquiátricos hoje em dia. Mais de 60 tranquilizantes largamente utilizados contêm flúor, como Diazepan, Valium e Rohypnol, da Roche, ligada à antiga I.G.Farben, indústria química que atuou a serviço da Alemanha nazista.

http://www.theforbiddenknowledge.com/hardtruth/fluoridation.htm

Essa ligação histórica desperta brigas ferrenhas entre os adeptos da adição do flúor à água e os que são contra, esses últimos acusados pelos primeiros de fazer terrorismo e estabelecer o caos social em nome da nova ordem mundial, que está aí a questionar as bases que sustentam a economia.

A Associação Brasileira de Odontologia recomenda a adição de flúor à água potável como método preventivo fundamental para o Brasil, país grande, de população pobre e desinformada sobre os hábitos de higiene e de alimentação. Segundo o professor Jaime Cury,que passou mais de 20 anos estudando a prevenção da cárie, o flúor adicionado à água tem uma importância social inquestionável. “Gostaria de ser o primeiro a anunciar que o flúor não precisa mais ser adicionado à água, mas o povo brasileiro, a maior parte da população, a que é pobre e desinformada, não escova os dentes corretamente, não pode cuidar da alimentação e é beneficiada pela adição de flúor na água.” Para ele, “a fluorose leve que não causa mal-estar social, nem deveria ser considerada um problema ou doença porque as crianças com fluorose leve, manchinhas brancas, têm dentes mais fortes.”

Questões políticas
A ciência odontológica vê a fluorose média ou grave como problema principal em conseqüência da adição de flúor à água, mas médicos, químicos e toxicologistas afirmam que a fluorose é apenas o começo de um problema espalhado por todos os ossos do corpo, sobrecarregando a glândula pineal e acarretando outras conseqüências na saúde devido a alteração do funcionamento bioquímico. Eles alertam que as doenças podem demorar anos para surgir, pois o flúor é cumulativo. Nunca houve uma denúncia formal ligando o flúor à indústria de alumínio; as pesquisas feitas por químicos e neurologistas focam exclusivamente os danos do íon à saúde humana.
Polêmica à parte, algo não está sendo levado em conta: é praticamente impossível encontrar água que não tenha sofrido adição de flúor. Por uma convenção entre sucessivos governos, a ciência odontológica e a indústria de alumínio, o brasileiro perdeu o direito de beber água sem o aditivo.

Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana, autora de Bebês de Mamães mais que Perfeitas, 2008. Centauro Editora. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O engodo das datas comemorativas

Hoje, 28 de julho é dia do produtor rural. Cômico, se não fosse trágico. Com tanto desrespeito pelo verdadeiro produtor, o massacre dos agrotóxicos, dos transgênicos, das 'terminator' das multinacionais, da produção em massa, da política pública nó cego desse país...

E a frase brinde que recebo logo de manhã: 'Se você já comeu hoje, agradeça a um produtor rural'... ahã. Sem mais comentários.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Para saber mais sobre sustentabilidade

Recebi por email e posto porque conheço vários dos títulos, são mesmo imprescindíveis!
Pelo que entendi, são as 50 obras mais importantes sobre sustentabilidade de acordo com a Universidade de Cambridge. Vale ir adquirindo.

(1) O Banqueiro dos Pobres, Muhammad Yunus (1999)

(2) Biomimetismo, Janine Benyus (2003)

(3) Blueprint para uma Economia Verde, David Pearce, Markandya Anil e Edward B. Barbier (1989)

(4) Business as Insólito, Anita Roddick (2005)

(5) Canibais com Garfo e Faca, John Elkington (1999)

(6) Capitalismo: Como se o Mundo Importa, Jonathon Porritt (2005)

(7) O Capitalismo na Encruzilhada, Stuart Hart (2005)

(8) Mudando o Rumo: uma Perspectiva Empresarial Global sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, Stephan Schmidheiny e o WBCSD (1992)

(9) O Ponto do Caos: o Mundo na Encruzilhada, por Ervin Laszlo (2006)

(10) A Corporação Civil: A Nova Economia da Cidadania Empresarial, Simon Zadek (2001)

(11) Colapso, Jared Diamond (2005)

(12) A Corporação, Joel Bakan (2005)

(13) Do Berço ao Berço, William McDonough e Michael Braungart (2002)

(14) O Sonho da Terra, Thomas Berry (1990)

(15) Desenvolvimento como Liberdade, por Amartya Sem (2000)

(16) A Ecologia do Comércio, Paul Hawken (1994)

(17) A Economia das Alterações Climáticas: o Relatório Stern, Nicholas Stern (2007)

(18) O Fim da Pobreza, Jeffrey Sachs (2005)

(19) Fator Quatro: um Relatório para o Clube de Roma, Ernst VonWeizsäcker, Amory B. Lovins e L. Hunter Lovins (1998)

(20) O Falso Amanhecer: os Equívocos do Capitalismo Global, John Gray (2002)

(21) Fast Food Nation, Eric Schlosser (2005)

(22) Um Destino Pior que a Dívida: a Crise Financeira Mundial e os Pobres, Susan George (1990)

(23) Para o Bem Comum: o Redirecionamento da Eeconomia para Comunidade, Meio Ambiente e Futuro Sustentável, Herman Daly e John Cobb (1989)

(24) Riqueza na Base da Pirâmide, CK Prahalad (2004)

(26) Gaia, James Lovelock (1979)

(27) A Globalização e os seus Malefícios, Joseph Stiglitz (2002)

(28) Calor: Como Parar a Queima do Planeta, George Monbiot (2006)

(29) Escala de Desenvolvimento Humano: Concepção, Aplicação e as Novas reflexões, Manfred Max-Neef (1991)

(30) O Espírito Ávido, Charles Handy (1999)

(31) Uma Verdade Inconveniente, Al Gore, 2006

(32) Os Limites do Crescimento, Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jorgen Randers (1972)

(33) Maverick, Ricardo Semler (1993)

(34) O Mistério do Capital: Por que o Capitalismo Triunfa no Oeste e Falha em Toda a Parte, Hernando De Soto (2000)

(35) Capitalismo Natural, Paul Hawken, Amory Lovins e L. Hunter Lovins (2000)

(36) Sem Logo, Naomi Klein (2002)

(37) Sociedade Aberta: Reformar o Capitalismo Global, George Soros (2000)

(38) Manual de Operação para Espaçonave Terra, Buckminster Fuller (1969)

(39) Nosso Futuro Comum, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1987)

(40) The Population Bomb, Paul Ehrlich (1968)

(41) Presença, Peter Senge, Otto Scharmer, Joseph Jaworski e Betty Sue Flowers (2005)

(42) A River Runs Black: O Desafio Ambiental para o Futuro da China,

Elizabeth C. Economy (2004)

(43) Sand County Almanac, Aldo Leopold (1949)

(44) Primavera Silenciosa, Rachel Carson (1962)

(45) O Ambientalista Cético, Bjorn Lomborg (2001)

(46) Small is Beautiful, EF Schumacher (1973)

(47) Staying Alive: Mulher, Ecologia e Desenvolvimento, por Vandana Shiva (1989)

(48) The Turning Point, Fritjof Capra (1984)

(49) Unsafe at Any Speed, Ralph Nader (1965)

(50) Quando as Corpora€ ¦ções Regem o Mundo, David Korten, 2001

terça-feira, 19 de julho de 2011

7º Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia - São Paulo

Bienal do Ibirapuera recebe feira orgânica e natural

       A Bienal do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, de 21 a 24 de julho, será palco do maior evento profissional do mundo orgânico e natural. A Bio Brazil Fair – 7ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e a Natural Tech – 7ª Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde irão trazer novidades do setor e disponibilizar, gratuitamente, palestras ao público visitante.

 
      A Bio Brazil Fair é a maior vitrine de negócios do setor orgânico. Fabricantes, produtores, distribuidores e importadores vão expor produtos, como laticínios, frutas e vegetais, cereais e massas, carnes e ovos, refeições congeladas e desidratadas, geléias, doces e sorvetes, bebidas, ração para animais, entre outros, todos orgânicos. Expositores de todas as regiões do Brasil e de países visitantes, como Bolívia, Canadá, Chile, Estados Unidos, França, Inglaterra, Peru, Portugal devem comparecer. A feira sedia, ainda, a 7ª edição do Fórum Brasileiro de Agricultura Orgânica e Sustentável que, neste ano, discutirá o “Brasil Orgânico”.

          Já a Natural Tech vai trazer novidades em produtos naturais para nutrição, beleza e saúde. Esse é a único evento de negócios do setor, e vai apresentar alimentos funcionais, probióticos e integrais, fitoterápicos, suplementos, linhas diet e light, mel e derivados, cosméticos naturais, óleos essenciais e velas e terapias complementares. Nos dias 23 e 24 de julho, a Natural Tech oferecerá um ciclo de palestras dos expositores que abordará assuntos relacionados às práticas saudáveis. Aromaterapia, terapia floral, ginástica cerebral, energia renovável e lecitina em soja estão entre os temas.
Bio Brazil Fair e Natural Tech

Data: de 21 a 24 de jullho

Local: Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

Mais informações: no site http://www.biobrazilfair.com.br/

Fonte: Portal Apas

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Pessoas Peculiares!

Agradeço sempre, até nos dias nebulosos, pelas oportunidades que tenho de conhecer novos lugares, através do meu trabalho. Hoje conheci, além de um belo lugar em uma cidade que subestimava, pessoas muito especiais. Fotografei as lindas meninas índias que vivem na maior e mais urbanizada cidade desse Vale do Paraíba. Vivem de maneira simples, humilde. O brilho no olhar delas me comoveu profundamente. E eu cri no ser humano mais uma vez.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Publicaram-me!

Para quem se interessar, um artigo meu foi publicado no Portal Materna, há algumas semanas.

O Portal Materna, de tema maternidade, é direcionado para o público feminino, às gestantes e mães de crianças de 0 a 5 anos de idade. Lá, um monte de informação interessante sobre alimentação, comportamento, sustentabilidade e outros temas importantes para mães e não mães.

O artigo tem linguagem bem acessível e trata de um assunto já falado aqui no Blog: o direito de escolha em relação aos transgênicos e projeto de lei para o fim da rotulagem dos OGMs. Você pode ler o artigo na íntegra, aqui.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

E. coli e Gurts - será coincidência?

Muita coisa acontecendo nesse mundão de meu deus, nesse Brasil nosso também. Tanto assunto me deixa assim, paralisada. Foi Belo Monte pra cá e pra lá, Código Florestal, a suspensão dos kits anti-homofobia, metrô de Higienópolis e eu aqui, boquiaberta, sem saber o que postar sobre tudo isso. A verdade é que essa politicagem e desrespeito me chocam ainda.

Mas eis que surgiu um assunto que me chamou a atenção, em particular: a tal estirpe resistente de E. coli na Europa. Quando comecei a ver as chamadas, achei a história mal contada. Alimentos vegetais contaminados por uma cepa muito virulenta da bactéria (uma comensal inofensiva na maior parte do tempo, que vive nos nossos intestinos) e pessoas morrendo de infecção no continente referência em saúde, alimentação e saneamento? No mínimo estranha essa idéia. E começa o bombardeio de informações truncadas, a cada dia um novo dado, mais estranho que o primeiro. Colocaram a culpa no pepino, depois no broto de feijão, orgânicos, diga-se de passagem. Se tem interesse de grandes multinacionais por trás dessa conversa? Vai saber, conspiração é o que não falta nesse mundo. E considerando-se que o continente Europeu é o MAIOR importador de orgânicos do mundo e que houve, há poucos dias (17 de abril) em Bruxelas, na Bélgica, o International Days of Action (Dia de ação internacional para as sementes livres), acho que é para se pensar...

Outro assunto, ligadíssimo a esse, acontece no Brasil: tramita em regime de prioridade um projeto de lei do líder do governo na câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT - SP) que revoga o artigo da Lei de Biossegurança que proíbe a utilização das chamadas Gurts - Tecnologias Genéticas de Restrição de Uso. Uma das Gurts consiste na  'Tecnologia Terminator' e suas famosas 'Sementes Suicidas' que germinam uma única vez, obrigando os produtores a comprarem sempre as sementes que vão plantar, já que não poderiam mais guardar parte da safra para o replantio. Uma enorme afronta à soberania alimentar nacional.

O que Europa e Brasil tem em comum, nesse caso? É a pergunta que não cala.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uganda: Derrotada lei homofóbica!



A lei homofóbica de Uganda, que ficou famosa através da petição Avaaz, foi derrotada mais uma vez. Seria entregue ao parlamento na última sexta-feira, mas depois da petição com mais de um milhão e seiscentas mil assinaturas, dezenas de milhares de chamadas telefônicas para o governo do país, centenas de reportagens sobre a campanha e da manifestação geral contra a barbárie, a lei não foi apresentada.

Na Uganda é possível apresentar o mesmo projeto após 18 meses de rejeição, portanto, a luta ainda não acabou. 

Mesmo em nações consideradas 'gay friendly' é cultivado o ódio irracional desmotivado contra homossexuais, transsexuais e transgêneros. É necessária uma verdadeira e profunda mudança de atitude em relação às diversidades sexuais e o caminho para essa mudança é o caminho do coração, da generosidade, da compaixão e do amor. :)


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Código Florestal precisa mudar, mas não para pior!

Venho tentando produzir um texto sobre essa situação toda do Código Florestal, mas a falta de tempo não me permitiu, apesar de ter começado e parado por duas vezes.
De qualquer forma, publico a entrevista do Professor Thomas Lewinsohn ao Jornal Unicamp. É um texto não tendencioso e nos leva a refletir sobre o assunto. 

Entrevista realizada por Manuel Alves Filho, no Jornal da Unicamp Nº 493, publicada pelo EcoDebate, 11/05/2011:

Quando o leitor estiver com este Jornal da Unicamp em mãos, é possível que a Câmara dos Deputados já tenha votado o controverso projeto de reforma do Código Florestal Brasileiro. No momento do fechamento da edição, informações vindas de Brasília davam conta de que a matéria seria apreciada em plenário na última quarta-feira. Dias antes, o JU ouviu uma das lideranças científicas brasileiras contrárias à proposta, o professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, Thomas Lewinsohn, que também responde pela presidência da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (Abeco). Preocupado com a possibilidade de o projeto relatado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ser aprovado da forma como foi apresentado, o docente voltou a advertir para o risco dessa situação. “Se for aprovado da forma como está, o novo Código se constituirá numa legislação da tragédia anunciada”, afirmou. Na entrevista que segue, Thomas Lewinsohn fala sobre os outros riscos oferecidos pelo modelo proposto por Rebelo, acerca da mobilização da comunidade científica contra essa posição, a propósito da importância do uso do conhecimento científico nas discussões em torno do tema e a respeito da exequibilidade de se conciliar o desenvolvimento da produção agrícola com a conservação do meio ambiente.

Jornal da Unicamp – Enquanto conversamos, as notícias vindas de Brasília dão conta de que o projeto de reforma do Código Florestal pode ser votado nos próximos dias. O senhor acredita nessa possibilidade?

Thomas Lewinsohn - Existem tentativas de forçar a votação desde o ano passado. Formalmente, o que acontece é que foi feito um projeto, do qual o deputado Aldo Rebelo foi o relator, que foi apresentado durante a Copa do Mundo, em dia de jogo do Brasil, se não me falha a memória. Na ocasião, o parlamentar queria votar a matéria rapidamente. Entretanto, ele teve que começar a segurar a votação porque as coisas não estavam tão fáceis como imaginava. Existe um lobby muito forte e articulado que está tentando passar um rolo compressor para que o projeto seja aprovado. Mas o simples fato de ele não ter sido votado ainda significa que existe alguma relutância no governo e que alguma renegociação terá que ser feita. Assim, não estou certo se, quando esta entrevista for publicada, a matéria terá sido mesmo votada.

JU – A comunidade científica começou a se mobilizar contra a proposta de reforma do Código no ano passado. A carta publicada na revista Science, em meados de 2010, foi a primeira manifestação pública nesse sentido?

Lewinsohn – A comunidade científica já estava se mobilizando nos meses anteriores à publicação da carta na Science. Houve várias manifestações em reuniões, diversas cartas e artigos que publicamos na imprensa brasileira. Isso repercutiu de muitas maneiras. As manifestações, portanto, vinham desde o começo do ano passado. Ou seja, nos meses que precederam a publicação na Science já estavam se organizando várias iniciativas entre cientistas. Desde logo, a Academia Brasileira de Ciências [ABC] e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência [SBPC] se engajaram nesse movimento.

JU – Agora, no final de abril, os cientistas divulgaram um documento amplo, apoiado em dados científicos, no qual reafirmam a posição contrária a esta reforma do Código. Que contribuições esse documento pretende dar às discussões em torno do tema?

Lewinsohn – O sumário executivo desse documento foi apresentado no começo do ano. O documento completo, divulgado agora, estende os pontos básicos que foram apresentados desde meados do ano passado, quando o projeto do deputado Rebelo foi tornado público e posteriormente aprovado por uma comissão mista da Câmara por 13 votos a 8. A comunidade científica não tem pensamento monolítico sobre o tema, e é bom que não tenha. Temos diferentes avaliações e pontos de vista, mas existe um amplo consenso de que o projeto tal qual foi apresentado tem problemas graves. Ele propõe certas alterações, particularmente em relação às APPs [Áreas de Proteção Permanentes] e Reservas Legais, que são extremamente comprometedoras em relação à conservação. A maioria dos cientistas que elaboraram o documento, e que pertencem a variadas instituições, converge em ver que a proposta compromete muito a integridade dos ecossistemas em troca de ganhos que são extremamente discutíveis. O argumento apresentado para a urgência em atualizar o Código é de que a produção agrícola brasileira estaria sendo estrangulada pela legislação. E que isso requereria relaxamentos para o setor se expandir. A imagem pública que se construiu é de que o agronegócio, que tem alavancado a balança comercial, estaria sendo ameaçado por um Código arcaico e que vem sendo defendido por meia dúzia de pessoas que são obstinadas em colocar a conservação da natureza acima dos interesses do país.

JU – Essa imagem não corresponde à realidade, então?

Lewinsohn – São falsos dilemas. É quase irônico que se construa um cenário desses. Em outros lugares do mundo você tem dilemas mais reais. O Brasil tem opções em relação a uma combinação saudável e viável de produção agrícola com conservação ambiental, o que poucos países do mundo têm. Aqui nós temos uma terceira via. Os países tropicais da África têm dificuldades muito maiores. No Brasil, não. O que está forçando esse atropelo da reforma do Código são interesses que não são os mais republicanos. O deputado Aldo Rebelo tem se apresentado como o paladino dos pequenos e indefesos agricultores, mas isso não condiz com a realidade. Os pequenos têm muito a perder com a aprovação desse projeto. Afrouxando as exigências de conservação, aumenta o risco de deterioração ambiental das pequenas propriedades, o que irá cada vez mais comprometer a produção e interferir negativamente na qualidade de vida das populações rurais. Ou seja, compromete-se no médio prazo o que se diz que está defendendo. Se há alguém que está particularmente vulnerável nessa história, é justamente o pequeno produtor.

JU – Quais seriam os comprometimentos aos pequenos produtores?

Lewinsohn – A reforma comprometeria uma série de fatores. A polinização das plantas é um exemplo. Se você está numa paisagem muito degradada, você não tem polinizadores nativos. Então, a alternativa que sobra é fazer esse serviço manualmente, o que é muito caro. Nesse caso, a produção fica praticamente inviabilizada. A grande propriedade tem capital e pode se defender desse tipo de dificuldade. O pequeno produtor, não.

JU – A comunidade científica é contra toda e qualquer reforma do Código ou contra a proposta relatada pelo deputado Aldo Rebelo?

Lewinsohn – Há um consenso entre os cientistas de que o Código Florestal precisa ser atualizado. Ele precisa incorporar o conhecimento existente e estabelecer o melhor cenário possível. Há propostas muito melhores do que a apresentada, que sugerem o uso de instrumentos interessantes. Há um ponto da proposta que está tramitando na Câmara com o qual a maioria dos cientistas concorda. É o seguinte: o Estado aparece muitas vezes como um ente puramente fiscalizador e punitivo. No discurso da mudança do Código há um tópico segundo o qual o pequeno produtor está sendo estrangulado. A legislação impõe de fato muitas exigências, mas não oferece mecanismos para a construção de alternativas. Isso é péssimo. É um problema clássico da relação do Estado com os cidadãos, que a gente conhece de outros terrenos, como saúde e educação. Ao revisar o Código, há que se considerar mecanismos que obriguem a conservar e ao mesmo tempo criem melhores condições de trabalho e de produção aos proprietários rurais. Há um consenso nesse sentido. Mas qual é a estratégia proposta na reforma do Código? É de relaxar todas as salvaguardas. O Código instituiu exigências mais estritas a partir dos anos 80, e houve um longo prazo de adaptação. Durante décadas isso não foi implementado. Quando os prazos começaram a expirar, aí os representantes do agronegócio começaram a se mobilizar para conseguir adiamento – e conseguiram já por duas vezes. Isso tem sido usado como abertura para uma anistia geral e irrestrita. Ou seja, por esse argumento, o que aconteceu fica por isso mesmo e aproveita-se para relaxar as exigências, diminuindo as matas ciliares e as Reservas Legais. Isso não é admissível.

JU – O que os cientistas propõem?

Lewinsohn – O que os cientistas estão propondo é o seguinte. Número um, a votação não precisa ocorrer de modo tão açodado. Número dois, não existe esse conflito entre conservação e produção. Não são objetivos inconciliáveis. É preciso ceder de um lado e do outro, mas existe uma ampla margem para o desenvolvimento de projetos lúcidos e factíveis que permitem à agricultura continuar tendo ganhos de produção sem que a conservação mínima seja comprometida.

JU – Qual seria o prazo mínimo para uma discussão mais aprofundada acerca do tema?

Lewinsohn – Falo como pesquisador e como presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação [Abeco]. Eu não estive envolvido na elaboração desse último documento, mas participei dos anteriores. Eu vejo a questão sob o seguinte ângulo: não adianta discutirmos prazos antes de obtermos concordância quanto à necessidade dessa discussão mais aprofundada. Temos que conseguir sentar à mesa para debater a melhor alternativa para o país e sua população. O deputado Aldo Rebelo e os interesses que ele representa infelizmente acham que podem ganhar o jogo no grito, sem discussão séria. Eles alegam que a comunidade científica já foi ouvida e que não há mais nada a discutir, mas isso não é verdade.

JU – Ou seja, os cientistas querem ser ouvidos…

Lewinsohn – Não queremos que os cientistas sejam “ouvidos” simbolicamente. Queremos que o conhecimento científico disponível seja considerado na elaboração do projeto. Desprezar esse conhecimento é criminoso. Sacrificar alternativas seguramente melhores e que contemplam mais satisfatoriamente um leque de interesses econômicos, sociais e ambientais não é admissível. A Abeco tem defendido que os cientistas não pretendem ter palavra final sobre o assunto, mas considera que o Brasil não pode ter o luxo de jogar fora o conhecimento científico acumulado em torno dessa questão. Esse conhecimento não dita, mas traz informações sobre as melhores alternativas.

JU – Na hipótese de o projeto de reforma do Código Florestal ser aprovado da forma como está proposto, quais as consequências para o ambiente?

Lewinsohn – Teremos um avanço agressivo sobre os espaços naturais preservados. Teremos um abocanhamento da Amazônia, uma deterioração das pequenas propriedades, que seriam liberadas das salvaguardas. Isso é o mesmo que dizer que, já que há muito motorista que não está usando o cinto de segurança, o melhor é abolir de uma vez a lei que instituiu esse uso. Ou seja, em sendo aprovado da forma como está, o Código favorecerá a aceleração da degradação ambiental e, como consequência, comprometerá a qualidade da produção agropastoril. Em vez de otimizar e redistribuir a produção, pretende-se dar livre curso ao comprometimento das paisagens naturais remanescentes do Brasil. No que toca às regiões urbanas, estaremos encomendando as próximas tragédias.

JU – Como assim?

Lewinsohn – Se o Código Florestal, tal como ele é hoje, tivesse sido cumprido à risca, desde os anos 60, uma boa parte das tragédias que ocorreram recentemente em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, em razão das chuvas, não teriam ocorrido ou não teriam tido as graves consequências que tiveram. Se a lei fosse seguida, não teríamos tantas pessoas morando em situação de risco, pois as áreas de proteção dentro do espaço urbano teriam impedido isso. As chuvas teriam provocado desmoronamentos, mas as consequências humanas teriam sido muito menores. Se for aprovado da forma como está, o Código se constituirá numa legislação da tragédia anunciada. Isto não é lamento de Cassandra. Não é preciso ser especialmente iluminado para saber que isso equivale a sancionar a ampliação da ocupação de áreas de grande risco.

JU – Em outras palavras, essa discussão representa o legado que pretendemos deixar à geração mais imediata?

Lewinsohn – Legado que pretendemos deixar para a nossa própria geração. Estamos falando de coisas que já estão acontecendo. O Brasil é um país onde a ocupação do solo se deu com uma velocidade vertiginosa. Lembro-me de um episódio, ocorrido numas das primeiras reuniões da SBPC, que foi fundada no início dos anos 50. Na oportunidade, um pesquisador alertou que estava preocupado com as florestas do Paraná. Ele dizia que se a degradação continuasse no ritmo em que estava, em um século não haveria mais florestas no Estado. Na ocasião, esse pesquisador não foi levado a sério pelos próprios pares. E é claro que ele estava mesmo errado. A devastação não demorou nem metade do que ele previra, mas sim 40 anos. O processo foi muito mais rápido. No Brasil, é espantosa a velocidade como a degradação avançou sobre um patrimônio biológico único no mundo. Não há mais florestas intermináveis nem fronteiras agrícolas sem fim.


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terça-feira, 10 de maio de 2011

Petição pelo fim da influência comercial na Faculdade de Nutrição da USP

Copiei do Blog Deixa Sair, da Sonia Hirsch, e compartilho aqui por se tratar de assunto de enorme interesse para tod@s que desejam melhor informação sobre alimentação.

Estamos recolhendo assinaturas, por meio de um abaixo-assinado, para regulamentar a publicidade e propaganda de alimentos, fórmulas infantis e de nutrição enteral e parenteral em ambientes acadêmicos relacionados aos cursos de Nutrição.

Entendemos que as indústrias alimentícias investem em estudantes de Nutrição, através do envio de representantes para ministrarem aulas nos cursos, promovendo seus produtos e distribuindo brindes e amostras grátis, além do patrocínio de eventos universitários e congressos, porque sabem que esses irão utilizar as informações obtidas em sala de aula como parâmetro para a atuação profissional, sendo os futuros propagandistas de suas marcas e seus produtos.

Este abaixo-assinado será enviado ao Conselho Federal de Nutricionistas e aos Ministérios da Saúde e da Educação.

Se também for contra essa prática nos cursos de Nutrição, assine e nos ajude a divulgar.


Abraços,

Centro Acadêmico Emílio Ribas

Nutrição - FSP - USP

Av. Dr. Arnaldo, 715 São Paulo-SP

Fone/Fax: (11) 3061-7725

www.caemilioribas.wordpress.com

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Enquanto isso, fora do Brasil...

Suécia em breve estará livre de alimentos transgênicos

 
Desde que a União Europeia, após forte lobby das indústrias de transgênicos, permitiu que a regulamentação de rotulagem não obrigasse a identificação dos produtos derivados de animais alimentados com ração transgênica, a Coalizão dos Consumidores da Suécia começou um árduo trabalho para convencer os criadores de animais a assinar compromissos públicos de não utilizar ração transgênica.
Como resultado, todas as organizações de criadores de aves, ovelhas, bovinos para carne e gado leiteiro estabeleceram regras para não permitir o fornecimento de ração transgênica a seus animais. Os únicos que não aderiram ao movimento foram alguns grandes produtores de suínos, incluindo o ex-presidente da organização dos criadores.
Os ativistas começaram então uma campanha de boicote à carne de porco da Suécia. A campanha teve início em março de 2010, inicialmente limitada a 3 meses para iniciar um processo de diálogo. Como este diálogo não teve resultado no curto prazo, a campanha foi prolongada.
Finalmente, o maior matadouro do país, chamado SCAN, decidiu não mais aceitar porcos alimentados com ração transgênica. Pela nova regra, divulgada no dia 01 de maio, a partir de 01 de setembro de 2011 nenhum suíno alimentado com transgênicos será aceito. Em seguida, outros matadores declararam que vão seguir a mesma decisão do SCAN.
Isto significa, na prática, que nenhum grão transgênico será mais importado por criadores suecos ou processadores de alimentos e, assim, todos os alimentos suecos serão, enfim, livres de transgênicos. Exceção apenas para alguns alimentos importados e para os 5 hectares de batata transgênica para fins industriais (não alimentares) que a Basf cultivará no norte do país.

 
Fonte: Sweden will soon be GM-free! - GMWatch, 28/04/2011.


Lima (Peru) diz não aos transgênico
A capital do Peru planeja se declarar “zona livre de transgênicos” depois que foi publicado um polêmico decreto que, segundo os críticos à transgenia, irá inundar o país com transgênicos.
Muitos municípios além de Lima (que tem mais de 8 milhões de habitantes), assim como grupos de agricultores, agrônomos e médicos denunciaram o decreto publicado em 15 de abril.
O vice-prefeito Eduardo Zagarra declarou esperar que o novo regulamento municipal seja aprovado “tão rápido quanto possível” pela nova administração socialista de Lima. “Não permitiremos a entrada de sementes transgênicas. Com esta declaração Lima está dizendo não à experimentação com sementes transgênicas. É uma medida de precaução, para preservar nossa biodiversidade, depois deste surpreendente decreto.”
O ministro de Agricultura do Peru, Rafael Quevedo, minimizou o decreto de abril e disse que a norma pretende apenas regulamentar os procedimentos de entrada para transgênicos entre as várias agências governamentais responsáveis pela biodiversidade. “É uma regulamentação que tenta eliminar erros, controlar o uso de transgênicos e assegurar que eles não entrem no país se for constatado que representam risco”, disse ele.
Campos experimentais de milho transgênico já foram autorizado no Peru e soja e milho transgênicos são importados para ração animal. Pela lei, alimentos contendo transgênicos devem ser rotulados. (...)
Fonte: Lima to declare itself a GMO-free zone - AFP, 28/04/2011 (em GMWatch).

Fonte geral: AS - PTA

O Brasil e os transgênicos


Projeto que acaba com rotulagem de transgênicos pode ir a votação na Câmara

O deputado Lincoln Portela (PR-MG) apresentou no último dia 4 requerimento para que entre na ordem do dia o projeto de lei que propõe fim da rotulagem dos produtos transgênicos. A proposta é de autoria do deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP/RS).

O que diz o PL 4148/08?

A proposta elimina a informação no rótulo se não for detectável a presença do transgênico no produto final - o que exclui a maioria dos alimentos (como óleos, bolachas, margarinas, enlatados, papinhas de bebê etc.); (2) não obriga a rotulagem dos alimentos de origem animal alimentados com ração transgênica; (3) exclui o símbolo T que hoje facilita a identificação da origem transgênica do alimento (como tem se observado nos óleos de soja); e (4) não obriga a informação quanto à espécie doadora do gene.

Resumo dos principais argumentos contra o PL:

1) Fere o direito à escolha e à informação assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, nos artigos 6º, II e III e 31 e desrespeita a vontade dos cidadãos que já declararam que querem saber se um alimento contém ou não ingrediente transgênico (74% da população - IBOPE, 2001; 71% - IBOPE, 2002; 74% - IBOPE, 2003; e 70,6% - ISER, 2005).

2) Representa um retrocesso ao direito garantido pelo Decreto Presidencial 4.680/03 (Decreto de Rotulagem de Transgênicos) que impõe a rastreabilidade da cadeia de produção como meio de garantir a informação e a qualidade do produto (vale lembrar que a identificação da transgenia já é feita para a cobrança de royalties).

3) Impedir a informação da característica não geneticamente modificada do produto é um desrespeito ao direito dos consumidores, dos agricultores e das empresas alimentícias que optam por produzir alimentos isentos de ingredientes transgênicos e tem como única finalidade favorecer a produção de transgênicos.

4) A rotulagem de transgênicos é medida de saúde pública relevante ao permitir o monitoramento pós-introdução no mercado e pesquisas sobre os impactos na saúde.

5) Pode impactar fortemente as exportações, na medida em que é grande a rejeição às espécies transgênicas em vários países que importam alimentos do Brasil.

6) Descumpre compromissos internacionais assumidos no âmbito do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, Acordo Internacional ratificado por 150 países, do qual o Brasil é signatário. De acordo com o Protocolo, os países membros devem assegurar a identificação de organismos vivos modificados nas importações/exportações, destinados à alimentação humana e animal (artigo 18. 2. a).

Veja o Projeto de Lei diretamente da Câmara dos deputados, clicando aqui. 

Fonte: AS - PTA

Foto retirada desse blog. 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bruxelas 17 abr – o futuro das sementes crioulas

Foto: Kenia Bahr - Menininho de Paraibuna

Como muitos já estão sabendo, no próximo dia 17 em Bruxelas, Bélgica, será decidido o futuro das sementes crioulas e, conseqüentemente, o futuro da soberania alimentar no planeta.

Se as agro-corporações conseguirem o que querem, o trabalho dos pequenos agricultores que vêm reproduzindo e armazenando sementes puras será considerado oficialmente ilegal.

Com as sementes sendo “legalmente” privatizadas, num futuro próximo todos passarão a ter que comprar sementes dessas grandes empresas.

 
Em última instância isso significa que a geração dos nossos filhos já não terá acesso a alimentos não-transgênicos.

 
Christine e Yanick (os produtores fanceses que deram cursos no Brasil em Dezembro passado) solicitam acesso ao link http://www.seed-sovereignty.org/ que reúne os esforços de resistência internacional contra esse ataque decisivo ao mais fundamental dos direitos humanos: o direito à alimentação de qualidade.

 
O site tem versão em português. Yanick estará lá em Bruxelas dia 17. Nesse site é possível acompanhar mais de perto esse movimento e tem também o link da petição internacional em defesa da soberania das sementes.

Fonte: Núcleo de Economia Solidária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Acesse aqui o site.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

É tempo de pinhão!

A semente do Pinheiro-do-Paraná ou Pinheiro Brasileiro (Araucaria angustifolia) é chamada pinhão e concebida como fruto por muitas pessoas, inclusive, para meu espanto, pelo conceituado Harri Lorenzi em seu livro Árvores Brasileiras. Aprendi na Biologia que a Araucária, sendo uma planta da família das Gymnospermas, não dá frutos (Gymnos = nu, sperma = semente), sendo suas sementes nascidas diretamento no estróbilo (flor) feminino após a fecundação. Enfim, sistemática à parte, o pinhão é uma das maravilhas nativas do Brasil que nem todo mundo conhece ou acessa pelo motivo óbvio: só aparece do sul de Minas Gerais pra baixo, o que inclui São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O pinhão é rico em proteínas, minerais e carboidratos. Alimenta e faz crescer, além de ter textura e sabor deliciosos. Gosto de pinhão é único, mas dá pra arriscar algo entre o milho verde e a mandioca com uma lembrança suave de essência de Pinus, quando as sementes estão mais jovens. Conheci o pinhão assado na brasa, com casca e tudo e descascado quente, numa noite muito fria de julho na zona rural de Urupema/SC. Depois descobri que se come cozido na água também, claro que não tem o mesmo charme e nem o mesmo sabor, mas também é muito bom.

Tem festa do pinhão pra tudo que é canto desse lado de baixo do trópico de capricórnio e ele é parte fundamental da dieta de milhões de pessoas, além de fazer bonito no turismo rural e regional. Minha amiga Mara da Pousada do Matutu, coleta os pinhões que caem todos os anos no imenso quintal e congela pra servir o ano todo sob a forma de farofa, purê, patê e molho para os diversos pratos vegetarianos que serve no restaurante da pousada. A história mais linda era a da brincadeira que fazia todos os anos com as crianças da pequena escola que ela mesma dirigia, encravada no Vale do Matutu: a corrida do pinhão. As crianças coletavam o máximo que conseguissem de pinhões e enchiam sacos, por equipe. A partir daí, separavam as sementes que conseguiam de acordo com comandos da professora. Assim, aprendiam a somar, subtrair, multiplicar e dividir. Faziam porcentagem. Uma parcela das sementes eram plantadas e estudava-se o ciclo biológico da planta, como brotava, como crescia. As que ficavam esquecidas morriam e secavam, dando às crianças a noção de cuidado, amor e responsabilidade. Replantadas, as sementes estudadas agora viravam arvores lindas que um dia iriam repor as que ficavam velhinhas e morriam ou as que por algum motivo tiveram que ser retiradas.

Agora é tempo de pinhão. Os pinhões mais novinhos estão a cair e em alguns lugares é possível coletá-los até meados de junho.

Pinhão é símbolo de tradição, de gente junta comemorando, se aquecendo nesses tempos em que o coração pede calor. É soberania alimentar, é semente do povo brasileiro. Viva!

P.s.: receitinhas de pinhão ficarão pro próximo post!

1º Encontro Brasileiro do Mercado de Produtos e Sementes Livres de Transgênicos

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fim das sacolinhas em BH?

Minha opinião: muita lei pra pouca ética. Mas vale a leitura infomativa e reflexiva.

Lei que proíbe uso de sacolas plásticas entra em vigor em BH cercada de dúvidas
Flávia Ayer
Publicação: 18/04/2011 06:05

As sacolas plásticas entram, a partir desta segunda-feira, para a lista de produtos ilícitos em Belo Horizonte. Começa a valer, nesta segunda-feira, a Lei 9.529/2008, que determina a substituição dos modelos convencionais, à base de petróleo, pelos feitos de material biodegradável ou retornável. A medida promete mudar radicalmente os hábitos dos 2,3 milhões de moradores da capital e levanta uma pergunta que não quer calar: será que ela vai pegar? A dúvida se justifica por um gordo histórico de leis adormecidas no papel. Minas Gerais, se consideradas somente as normas estaduais, ganhou 660 novas regras apenas no período entre 2007 e 2010, que se somaram às mais de 12 mil já existentes.

Grande parte desse calhamaço de leis certamente passa em branco na vida da população, outra parcela é conhecida mas ignorada e um pequeno número cumprido à risca. Pisar em cocô de cachorro na rua desperta ódio em qualquer mortal, ainda mais ao saber que, além de ato de cidadania, recolher as fezes do animal é lei que não decolou na capital mineira. Os donos de cães em BH figuram também entre os que ignoram a norma que obriga o uso de focinheiras e coleiras pelos bichos de estimação, como é possível comprovar num passeio em pistas de cooper e parques da cidade. As letras da lei também ainda não foram capazes de equilibrar o conflito entre barulho e sossego em BH.

Mas, desrespeito total às regras é o que ocorre nas agências bancárias: 15 minutos é o tempo máximo determinado na capital para o atendimento ao cliente nas filas de bancos. Por outro lado, em meio à pilha de deveres e obrigações de um mundo do papel, há normas totalmente incorporadas ao dia a dia do cidadão. A saúde falou mais alto e o fumo saiu de vez dos ambientes coletivos públicos e privados. A batalha contra a obesidade também conseguiu transformar cardápio das cantinas dos colégios e a lei da merenda saudável barrou coxinhas, refrigerantes e balas dos lanches de estudantes mineiros. Motoristas usufruem, no Faixa Azul, do tempo adicional de 30 minutos acrescentados por lei em BH.
Resta saber agora em qual time a proibição das sacolas plásticas vai entrar. O secretário municipal de Serviços Urbanos, Pier Giorgio Senesi Filho, à frente da pasta que regulará a matéria, está confiante: “Essa lei já pegou. A população comprou a ideia e está imbuída da responsabilidade de transformar a cidade em exemplo para o mundo.” Ele promete que a determinação não vai empacar na falta de fiscais. “Estamos agregando essa competência à rotina dos fiscais de meio ambiente e aos de posturas das nove regionais. A multa inicial é de R$ 1 mil e a reincidência, de R$ 2 mil. Se houver persistência, o alvará de funcionamento e localização do empreendimento pode ser cassado”, ressalta.
Divergências

Se depender do aposentado Vander Cruz, de 65 anos, as sacolas plásticas não terão mais vez. Há cerca de três meses ele adotou e aprovou o modelo ecológico, de pano. “É melhor, porque evita que carreguemos muitas sacolas”, diz, durante compras no sacolão, no Bairro Nova Floresta, na Região Nordeste da capital. O gerente do estabelecimento, Eli Fernandes, também está preparado para as mudanças. “A partir de segunda vamos ter bacias para pesar as frutas, como era feito antigamente”, conta. O advogado Alcides Teixeira, de 66, vê problemas na nova norma. “O consumidor vai ter que pagar pela sacola plástica”, afirma, certo de que a lei só será cumprida com “mão pesada sobre comerciante”.

Para o presidente do Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos, que batalha pelo descarte responsável do produto, Miguel Bahiense, do ponto de vista ambiental a lei já nasce fadada ao fracasso. “Estudo inglês mostra que, na produção de sacolas de plástico comum é produzido menos gás carbônico do que na de alternativas. Pesquisa Ibope mostra que 75% dos consumidores preferem a sacola convencional e 100% deles a usam para acondicionar o lixo. A questão é garantir a qualidade das sacolas de plásticos e educar o consumidor a usar apenas o necessário”, afirma Bahiense. “Acredito que uma lei sai do papel quando tem embasamento técnico para isso e, nesse caso, a lei de BH não faz o menor sentido.”

A partir desta segunda-feira, consumidores na capital mineira deverão buscar soluções alternativas para carregar compras. Carrinhos, sacolas de pano, TNT, sisal e caixas são algumas das opções. Esquecidos podem recorrer às sacolas biodegradáveis, ao valor de R$ 0,19 cada. Feita à base de amido, ela se decompõe em 180 dias, enquanto o modelo convencional demora 400 anos. A lei das sacolas plásticas foi sancionada em 2008 pelo prefeito Fernando Pimental e é originária de projeto do vereador Arnaldo Godoy (PT).

Respeitadas

Lei Antifumo (nº 12.903)

Proíbe fumo em ambientes fechados de uso coletivo, públicos e privados em Minas Gerais

Lei da Merenda Saudável (nº 15.072)

Proíbe o fornecimento e comercialização de produtos e preparações com alto teor de caloria, gordura saturada, gordura trans, açúcar livre e sal ou com poucos nutrientes

Lei do Faixa Azul (nº9.372)

Altera a folha do Estacionamento Rotativo e permite segundo uso por período de 30 minutos adicionais

Desrespeitadas

Lei das focinheiras e correntes (nº 8.198)

Obriga o uso de focinheiras e correntes pelos cães que circulam com os donos nas ruas e praças de Belo Horizonte

Lei da fila de banco (nº7.617)

Determina o prazo máximo de 15 minutos para o atendimento de clientes em filas de bancos situados na capital

Lei do Silêncio (nº 9.505)

Dispõe sobre o controle de ruídos em BH e proíbe, por exemplo, sons que causem perturbação ao sossego ou ao bem-estar públicos

Lei das fezes de cães*

Obriga condutores de animais, em BH, a recolher fezes depositadas em local público. O recolhimento deve ser feito com saco de lixo e o material deve ser jogado na lixeira

Lei do Cardápio em Braile*

Obriga hotéis, restaurantes, lanchonetes, bares e similares a fornecer cardápio em Braile a cegos em BH

Lei do lixo e panfleto*

Proíbe jogar lixo e a distribuição de panfletos nas ruas e avenidas da capital
*Essas regras estão contidas no Código de Posturas (nº9.845)

Fonte: Estado de Minas. Clique aqui pra ler a matéria.

Enquanto isso no Brasil...

Governo fecha acordo sobre Código

Para pôr fim a impasse, margens degradadas dos rios terão proteção de 15 metros; as preservadas de desmatamento deverão se manter em 30 metros
15 de abril de 2011

 

Os ambientalistas e os ruralistas da Esplanada dos Ministérios fecharam na quinta-feira, 14, um acordo para negociar sem rachas internos a reforma do Código Florestal com o Congresso.
 
Na polêmica sobre as Áreas de Proteção Permanente (APPs), por exemplo, o Ministério do Meio Ambiente concordou em reduzir para 15 metros as APPs às margens já degradadas dos rios de até 10 metros de largura. Por sua vez, a Agricultura aceitou manter os 30 metros nas margens hoje preservadas do desmatamento.

Quem comandou a reunião que produziu o consenso técnico do Executivo foi o presidente da República em exercício, Michel Temer. "O governo tem de ter uma estratégia de diálogo com o Congresso", argumentou o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ao admitir que não seria possível negociar com ministros brigando entre si.

Os próprios aliados já vinham cobrando do governo que se acertasse internamente. Na semana passada, percebendo que havia "um conflito muito radicalizado" entre os vários ministérios envolvidos na polêmica e na iminência de uma derrota no Congresso, o PT deu um ultimato: "Só votamos o Código Florestal quando houver unidade no governo", disse o líder petista na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

Reserva Legal. Além das APPs às margens dos rios, o governo também se entendeu com os produtores rurais em outro conflito. A Reserva Legal (parcela da propriedade que deve manter a vegetação nativa) não precisará ser averbada em cartório. A proposta é que este processo seja simplificado, bastando uma declaração ao órgão ambiental.

A preservação das encostas também foi revista pelo governo. O tema apavorava a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que argumentava que o Código Florestal empurraria para a ilegalidade toda a produção nacional de café, uva e maçã. Pelo novo cálculo, ficarão preservados topos dos morros e encostas com inclinações acima de 45 graus, onde raramente se cultivam essas culturas.

Temer ponderou que era preciso fechar posições que servissem de parâmetro no diálogo com a base governista. O objetivo do consenso era garantir um marco regulatório que mantivesse intactas áreas hoje preservadas, ao mesmo tempo em que possibilitasse a recuperação de faixas degradadas, retirando os produtores rurais da ilegalidade.

"Agora temos o argumento técnico de que precisávamos para trabalhar a unidade da base", comemorou o líder Teixeira, ao informar que o PT destacou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para negociar as polêmicas com os partidos da base aliada, em busca de um consenso político para votar o novo Código.

PROPOSTA POLÊMICA x ACORDO

Moratória
A ideia de dar uma moratória de cinco anos para quem desmatou, proposta pelo relator Aldo Rebelo, foi abandonada.

Desmate autorizado
Novas autorizações para corte de vegetação nativa têm apoio de ruralistas, parte dos ambientalistas, governo e entidades estaduais da área.

Área de Proteção Permanente (APP)
O relatório aprovado na Câmara reduziu pela metade, para 15 metros, a área de proteção às margens dos rios de até 10 metros de largura. Governo, ambientalistas e entidades estaduais defendem a manutenção da APP em 30 metros.

O acordo: Ministério do Meio Ambiente concordou em reduzir para 15 metros as APPs às margens já degradadas dos rios de até 10 metros de largura. Por sua vez, a Agricultura aceitou manter os 30 metros nas margens hoje preservadas do desmatamento
Direito de não recompor

A dispensa da recuperação da reserva legal em áreas de até 4 módulos fiscais é a maior polêmica no texto. O relator Aldo Rebelo mantém a proposta, com apoio de ruralistas.

Mais pontos de acordo:
A Reserva Legal (parcela da propriedade que deve manter a vegetação nativa) não precisará ser averbada em cartório. A proposta é que este processo seja simplificado, bastando uma declaração ao órgão ambiental.

A preservação das encostas também foi revista pelo governo, para proteger a produção nacional de café, uva e maçã.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110415/not_imp706488,0.php

P.s.: Apesar de ser notícia do Estadão, considerei razoavelmente neutra, menos tendenciosa que o usual... :)




segunda-feira, 11 de abril de 2011

Campanha Nacional contra o uso de agrotóxicos



Enquanto se discutem as mudanças no Código Florestal (Lei Federal 4.771/65), continuamos a conviver com a triste realidade da guerra diária pela alimentação de qualidade. Tive a alegria de estar com amig@s querid@s no Rio, neste fim de semana, de tomar deliciosos sucos, comer coisinhas nordestinas maravilhosas, sabendo da procedência orgânica dos produtos. Sim, eles são, assim como eu, preocupad@s com o que comem, bebem, vestem, falam... Quando chego a Taubaté, de volta de lindos dias, a dificuldade de obter alimentos do bem volta junto. Isso aqui tem sido uma labuta!

Enfim, dando uma espiada nos blogs que sigo, achei uma notícia que me pareceu boa, inicialmente. Foi lançada a Campanha Nacional contra o uso de agrotóxicos no Brasil. Inicialmente, eu disse, e me explico: atuando dentro de um órgão ambiental, do governo, vejo que a guerra sangrenta ruralista x ambientalista está longe de terminar. De cada lado, interesses muitas vezes obscuros e pouco éticos. Dinheiro, poder, dinheiro, poder... egoísmo, desligamento do sagrado (em sua mais natural tradução), ignorância, preguiça de pensar, preguiça de agir, hedonismo exagerado, imediatismo. Todos os dias observo, consternada (às vezes nem tanto) as ações e reações de muitas pessoas que são, além de profissionais de extensão, especialistas ambientais, produtores, diretores de empresas e órgão públicos, pessoas! Pessoas humanas, perdidas nesse mundão... Difícil saber que rumo vai tomar essa campanha. Mas a esperança cutuca o tempo todo e eu gosto!

Pesquisando, também descobri um blog da campanha, onde há informações interessantes sobre o tema: http://mpacontraagrotoxicos.wordpress.com/
O link do Blog Em Pratos limpos, onde está o que li de primeira, você pode acessar aqui.

A publicação original está no Site da FioCruz (onde, por acaso já trabalhei) e copio aqui da forma em que se apresenta. De qualquer forma, o link para a chamada você acessa aqui.

08/04/2011

Lançada campanha nacional permanente contra o uso de agrotóxicos

Raquel Júnia - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio - EPSJV/Fiocruz

Movimentos sociais e pesquisadores afirmam que é possível e urgente produzir sem venenos que afetam a saúde humana e do meio ambiente

Suco de frutas, verduras, legumes, cereais. Alimentação saudável? Nem sempre. Lançada nesta semana, no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Campanha permanente contra o uso de agrotóxicos e pela vida pretende alertar que o veneno usado nos cultivos agrícolas brasileiros prejudica muito a saúde das pessoas e do meio ambiente. De acordo com a organização da campanha, com os atuais níveis de utilização de agrotóxicos, cada brasileiro consome em média 5,2 kg de veneno por ano e o Brasil foi considerado em 2009, segundo o sindicato dos próprios produtores de defensivos agrícolas, o maior consumidor destas substâncias pelo segundo ano consecutivo. A campanha é organizada por mais de 20 entidades e movimentos sociais, que pretendem realizar atividades em todo o país para conscientizar sobre a necessidade de outro modelo de produção agrícola, sem utilização de veneno e baseado no respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, para aí, sim, produzir alimentos verdadeiramente saudáveis.
A campanha escolheu o Dia Mundial da Saúde para lançar oficialmente as atividades. Mas, mesmo antes da data, seminários, palestras e outros eventos tiveram como tema o prejuízo dos agrotóxicos à saúde. Em Brasília, uma passeata contra o uso de agrotóxicos e em defesa do código florestal reuniu mais de duas mil pessoas. A atividade fez parte da Jornada contra o Uso de Agrotóxicos, em Defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária, realizada nos dias 6 e 7 de abril. O professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília, Fernando Carneiro, presente nas atividades da jornada, conta que os eventos foram lotados. Para ele, lançar a campanha no Dia Mundial da Saúde é muito simbólico. “Quando se fala de saúde da nossa população sempre se associa à fila de hospitais, mas hoje [7 de abril] foi uma manhã histórica porque estávamos discutindo verdadeiramente o conceito ampliado de saúde, discutindo o modelo agrícola brasileiro, o que este modelo tem gerado em termos de impacto às populações e as dificuldades do próprio sistema de saúde em notificar os problemas decorrentes do uso de agrotóxicos”, detalha.
O professor explica porque as lutas contra o uso de venenos na agricultura e em defesa do código florestal são convergentes. “A bancada ruralista quer alterar a legislação para liberalizar os agrotóxicos. No código florestal, vemos o mesmo movimento. E quem está por trás destas duas articulações é o próprio agronegócio: querem desmatar mais áreas e querem ter isenção de impostos para agrotóxicos. Além disso, os temas se relacionam porque à medida que se limita a proteção das nascentes com a mudança no código florestal, por outro lado, se facilita a contaminação da água pelos próprios agrotóxicos. Então, são temas com interação muito grande, que significam ameaça à biodiversidade, à qualidade da água, elementos vitais para o nosso país”, diz.
Para a coordenadora do Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rosany Bochner, é necessário negar totalmente o uso dos agrotóxicos devido aos prejuízos que tem causado à saúde. “É preciso deixar claro que o que queremos com a campanha não é usar produtos menos tóxicos, não é nada paliativo. Nós não queremos mais agrotóxicos de nenhuma forma. É uma mudança de filosofia, temos que partir para produzir diversidade. Vamos ter que comer diferente, que fazer muita coisa e não depende só do agricultor, depende também da população, porque do jeito que está não é possível mais ficar”, reforça. Rosany, que também é consultora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), participou, junto à EPSJV/Fiocruz e a Via Campesina, de um seminário na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) sobre os impactos dos agrotóxicos.
No dia 7 de abril, também foram realizadas atividades no Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Sergipe e Goiás. Em Limoeiro do Norte, no Ceará, nos dias 19 e 20 de abril, serão realizadas várias mobilizações contra o uso de agrotóxicos e em protesto pela impunidade do assassinato do líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, que denunciou os impactos dos agrotóxicos na região. No dia 21 de abril faz um ano que o agricultor foi assassinado próximo de casa e as investigações, até o momento, não apontaram os autores do crime.
Também no Dia Mundial da Saúde, na Câmara Federal, uma subcomissão especial criada para avaliar as conseqüências do uso de agrotóxicos para o país realizou uma audiência pública sobre o tema com a presença da Anvisa, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), órgão favorável ao uso dos venenos nos cultivos. De acordo com a Agência Câmara, Anvisa e MPA divergiram radicalmente do representante da CNA. “Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu a modernização do uso desses insumos, um representante da Anvisa e uma deputada apontaram os efeitos negativos para a saúde humana. Já o representante dos pequenos agricultores defendeu o fim do uso dos agrotóxicos”, informou a Agência Câmara.

Riscos à saúde
O material da campanha alerta que os agrotóxicos causam uma série de doenças como câncer, problemas hormonais, problema neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças de pele, problemas de rim, diarréia, entre outras. Recentemente, uma pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul detectou a presença de agrotóxicos no leite materno. “Diante de tantas evidências de problemas, não há mais o que discutir. Este leite envenenado é muito grave, não dá mais para ter meio termo. Sabemos que é uma luta de Davi contra Golias, porque são empresas extremamente poderosas [as empresas produtoras de agrotóxicos]. Mas eu queria saber se eles comem estes produtos cheios de agrotóxicos”, questiona Rosany.
Além da proibição definitiva do uso de venenos, a campanha afirma ainda que a saída para uma alimentação saudável e diversificada está no fortalecimento da agricultura familiar e camponesa. Para isso, propõe uma série de ações, como a reforma agrária para acabar com os latifúndios, o fim do desmatamento, a geração de trabalho e renda para a população rural, o uso de novas tecnologias para acabar com a utilização de agrotóxicos e a produção baseada na agroecologia .

De acordo com Rosany, a Anvisa está muito disposta a discutir o uso destes produtos tóxicos, entretanto, existe uma resistência de setores do próprio governo e do legislativo. “Tem uma bancada ruralista que quer liberar a todo custo os agrotóxicos”, pontua. A pesquisadora destaca também as dificuldades de informação sobre os riscos de agrotóxicos no sistema de saúde. “Não estamos acostumados a trabalhar com casos crônicos, as redes de saúde não conseguem relacionar os sintomas com a exposição aos agrotóxicos, dificilmente as pessoas fazem essa relação e isso dificulta muito na hora da discussão porque eles [os defensores do uso de agrotóxicos] falam que não temos evidências. Temos que fazer um esforço maior nisso, fazer um treinamento melhor nos serviços de saúde, mas é preciso investimento”, afirma.
Para Fernando Carneiro, o Ministério da Saúde ainda é muito omisso em relação ao enfrentamento do problema de identificação das intoxicações, tanto no campo da saúde do trabalhador, quanto da saúde ambiental. “Eu quero que o Ministério da Saúde faça campanha sobre os riscos dos agrotóxicos. Como faz com a campanha contra a Aids, pelo uso da camisinha. O Ministério poderia investir também para fazer cartilhas e difundir informações sobre os riscos dos agrotóxicos. Hoje, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio, para fazer apologia ao uso”, alerta.