sábado, 10 de maio de 2014

Pão de queijo sem queijo


Fiz hoje e ficou muito bom. Comi fumegantes, delícia, acompanhados de uma xícara de leite de amêndoas quentinho, com cevada.

Para quem tem intolerância à lactose ou alergias a laticínios, é uma super boa!

A receita que fiz não é vegana, mas pode se tornar substituindo-se o ovo por 1/4 de xíc. de água.

O Mandiokejo é um produto natureba, sem aditivos químicos, feito à base de mandioca e feijão, que eu compro aqui:http://quebracabecaveg.com/mandiokejo/. Mas a receita do queijo vegetal da última postagem substitui o comprado (pode ser utilizado ralado em ralo grosso).

Ingredientes:

2 xíc. de Mandiokejo
1 e 1/2 xíc. de polvilho azedo
1 xíc. de polvilho doce
2 col. sopa de orégano seco
3/4 xíc. de óleo de girassol
2 xíc. de água
2 ovos caipiras

Misturar todos os ingredientes na ordem acima, com uma colher e depois misturando bem com as mãos. A consistência deve ser firme o suficiente para se enrolar, mas não dura ou seca.

Fazer as bolinhas e colocar para assar por cerca de meia hora em forno médio.

Bolinho de bagaço de milho verde (Ou o que sobrou do angu)



Fiz angu de milho verde para o almoço, Receita da minha avó, coisas de Goiás. Adoro e faço sempre que encontro milho verde fresco e orgânico. Hoje o milho estava tão tenro e doce e o bagaço tão aromático que fiquei com pena de descartar. Resolvi botar a mão na massa e criar.

Bagaço dos grãos de 3 espigas de milho verde batidos com água no liquidificador e coados em peneira (para fazer curau ou angu, por exemplo)
1 cenoura ralada
1/2 cebola ralada
3 raminhos de salsinha
1 ovo caipira
2 colheres de farinha de trigo
sal a gosto

Misture todos os ingredientes com uma colher. A farinha de trigo é para dar liga, portanto acerte a quantidade para que a massa não fique muito mole nem muito dura. Os bolinhos devem ser feitos retirando-se bocados da massa com uma colher e espalhando em forma untada com azeite de oliva (ou sobre papel manteiga).

Asse por cerca de 20 minutos em forno médio.

Sopa mediterrânea à minha moda

1 peito de frango caipira (ou outras partes)
alho e cebola a gosto
temperinhos preferidos (usei um pouquinho de açafrão, uma pitada de páprica e uma de pimenta-do-reino)
1 xíc. de arroz integral cozido
2 ovos caipiras
2 colheres de sopa de maizena
salsinha picada
suco de um limão grande
sal a gosto

Faça um caldo cozinhando o peito de frango com água que o cubra e sobre dois dedos acima, com a cebola e o alho, em panela de pressão, até que se desmanche e solte dos ossos. Retire a carne, desfie e volte à panela.

Bata à parte os ovos com a maizena e misture ao caldo. Deixe cozinhar por cerca de 15 minutos e acerte o sal.

Por último, acrescente a salsa picada e o suco de limão. Apague o fogo em seguida.

Fica muito, muito boa.

Farofa molhada de frutas e castanhas - Receita Vegana


Ai que vontade de comer doces... de vez em quando bate... fiz uma receitinha rápida e natureba, deliciosa.


1 punhado de amêndoas cruas
1 punhado de avelãs torradas
1 col sopa de tahine
2 punhados de ameixas secas sem caroços
1/2 col sopa de azeite de oliva extravirgem
2 col sopa cheias de cacau em pó bruto

Bater tudo no processador, até virar uma farofa úmida. 

Fica muito bom sobre um creme de polpa de açaí (ou juçara) batida com banana nanica madura.

Confit de pimentões - Receita Vegana


Adoro confits, coisinhas gostosas mergulhadas em azeite e assadas. É uma forma simples e saborosa de aproveitar coisas que estão na geladeira já precisando de encaminhamento (hehe) e de quebra ter acompanhamento para comidinhas e sanduíches que dura bastante tempo na geladeira.

Faço de tomates, pimentas, berinjela, abobrinha... mas dessa vez encontrei belos pimentões coloridos na feira e coloquei para fazer. Ficou muito bom!

3 pimentões vermelhos
3 pimentões amarelos
3 cebolas médias
5 dentes de alho picadinhos
temperinhos secos a gosto (usei sementes de coentro, pimenta do reino moída, tomilho e orégano)
sal a gosto
1/2 xíc de azeite de oliva extra-virgem

Corte tudo em tiras finas, misture todos os temperos e o azeite e leve ao forno médio por cerca de 1 hora.

Às vezes coloco pimentas biquinho, de cheiro ou dedo de moça para confitar junto. Fica divino.

Doritos* vermelhos naturebas


1 saco de 500g de Pão pitta (sírio, árabe, boina... aquele pãozinho chato e fino como chapati)
1 xíc de Azeite extravirgem
2 col sopa de Colorau (urucum)
2 col sopa de Páprica doce (e picante, se quiser)
Sal a gosto

Cortar o pitta em pedaços (pode ser triângulos do tamanho do Doritos, se quiser). Misturar à parte todos os outros ingredientes e passar os pedaços de pão pela mistura (ou pincelar sobre eles, diretamente numa assadeira).

Assar em forno médio por cerca de 15 minutos, ou até os pedaços ficarem crocantes.

Babaganuj (pasta de berinjela)



4 berinjelas (mais finas são melhores, pois tem menos sementes)
4 dentes de alho picados bem fininho
1 colher de sopa bem cheia de tahine (pasta de gergelim)
sal e azeite a gosto

Chamuscar as berinjelas na chama do fogão até torrarem por fora e ficarem cozidas por dentro. Pode demorar cerca de 10 minutos. Há quem faça no forno, berinjelas inteiras, mas não fica com o gostinho de defumado...
Abrir as berinjelas cozidas no sentido do comprimento e raspar a polpa com uma colher. Misturar bem a todos os ingredientes, batendo com a colher até ficar uma pasta espessa.

Com pão folha integral quentinho, meu bom Alá...

Chá de alho com limão (espanta gripe, resfriado, sinusite, diarreia e tudo que for esquisitice!)


Ferver durante 15 minutos 2 xícaras de água com 4 dentes de alho e 1 limão, tudo cortado em cruz, sem separar. Tomar bem quente antes de dormir, lembrando de não tomar friagem (como diz meu povo) depois, não mexer na água fria, não colocar os pés no chão, não tomar vento e tudo aquilo que todo mundo sabe bem.

É tiro e queda. No outro dia os sintomas estarão bem mais fracos. Pode repetir se precisar.

Leites Vegetais - Receitas do Coletivo Verde

Encontrei essas receitas maravilhosas na página do Coletivo Verde, um site cheio de dicas interessantes para o bem-viver. A publicação deles está aqui embaixo na íntegra.



Não sou muito entusiasta do leite de vaca, pertenço àquela corrente que acha que leite foi feito para bezerros e não para seres humanos. Mas, substituir o leite na alimentação é complicado, pois muitas receitas usam leite como ingrediente e como diz um amigo meu que tem intolerância à lactose, “Daqui a pouco eu vou viver de luz… Não posso comer nada!”
Cá entre nós deve ser complicado para os intolerantes à lactose encontrar alimentos compatíveis. Nada de manteiga, creme de leite, iogurte, queijos, leite condensado… Pesquisei então os leites vegetais, e descobri coisas interessantíssimas. Os industrializados além de lotados de aditivos químicos são caríssimos e fazer em casa, além de divertido (você já ordenhou grãos?) é muito mais econômico.
Vamos lá… Nada de preguiça ou comodismo, você pode ter um leite fresco, gostoso e nutritivo a partir de grãos com propriedades maravilhosas e que fazem muito bem à Saúde. Além disso, ao utilizar uma dessas opções em suas receitas habituais vai conseguir novos sabores.

Leite de Aveia:


O leite de aveia é muito fácil de preparar, só precisamos de uma peneira e um liquidificador e temos um leite bem gostoso e que não interfere no sabor dos alimentos.
Ingredientes:
  • 2 xícaras (chá) de aveia em flocos Orgânica
  • 3 xícaras (chá) de água mineral ou filtrada;
Modo de preparar:
Deixe a aveia de molho na água por uns 10 minutos apenas para amolecer.Bata tudo no liquidificador. Coe e leve para a geladeira. Durabilidade 3 dias.
O leite de aveia é rico em fibras, isento de colesterol e lactose, contém vitamina E, ferro, entre outras vitaminas e minerais. Rico em fitoquímicos, produtos químicos das plantas que ajudam a lutar contra doenças como o cancro, doenças cardiovasculares.

Variações e Sugestões:

Abaunilhado: adicione no liquidificador uma colher de café de essência de baunilha e açúcar orgânico a gosto. Com granola fica muito bom. Com cacau ou na vitamina: adicione 1 colher de sobremesa de cacau em pó e açúcar orgânico a gosto. Se quiser uma vitamina bata com banana.
Receitas salgadas: com o cozimento o leite de aveia tem o mesmo efeito do amido de milho, engrossa.
Que tal um estrogonofe feito com ele? Purês, sopas cremosas, já pensaram que legal poder aumentar as opções de cardápio?Variações de textura: mais ou menos aveia resultará em leites mais ou menos grossos de acordo com o que você precisa para fazer os pratos mais cremosos.

Leite de Inhame:

Assim como o leite de aveia o de inhame é neutro, não interfere no sabor da receita.
Cozinhe um inhame orgânico com casca. Depois de cozido, descasque e bata com uma ou duas xícaras de água de acordo com a textura que preferir. Coe e coloque em uma jarra ou garrafa de vidro. Pode ser adoçado ou saborizado com canela, cacau ou uma fruta de sua preferência.
O inhame é depurativo, desintoxicante e fortalece o sistema imunológico. Rico em amido e fibras solúveis, ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue e as taxas de colesterol sangüíneo. Auxilia na digestão e na fermentação do bolo alimentar, portanto no funcionamento dos intestinos. Fonte de Betacaroteno, vitaminas C e do complexo B, cálcio, fósforo, potássio e ferro.
Os médicos orientais recomendam a ingestão de inhame para fortificar os gânglios linfáticos. Na Índia, o sistema médico ayurvédico indica para restaurar as defesas orgânicas, principalmente como recurso para combater infecções e tumores.

Leite de Arroz:

Ingredientes
  • 2 xícaras de arroz orgânico, sem lavar
  • 10 xícaras de água mineral ou 2 litros e meio
  • ½ colher das de chá de sal
  • ½ fava de baunilha ou 1 canela em pau
Modo de preparar:
Leve tudo ao fogo por exatos 15 minutos, não mais que isso. Bata tudo no liquidificador ainda quente no modo pulsar, por 3 vezes rápidas para que não vire uma papa, queremos apenas quebrar os grãos. Se esperar esfriar ele absorve toda a água e teremos um leite muito grosso.
Peneire mexendo o arroz delicadamente apenas para sair o líquido, pronto é só levar à geladeira em um recipiente de vidro. Também neutro.

Leite de Coco

Delícia, de sabor suave pode ser bebido puro ou utilizado em receitas doces e salgadas. Livre de aditivos químicos presentes nos leites de coco industriais e ainda mantém todas as propriedades presentes na água, no fruto e na gordura.
Sua vantagem em relação aos outros leites vegetais é a presença do ácido láurico, existente no leite materno, ajudando a combater infecções e aumentando a imunidade do organismo. Contém calorias, hidratos de carbono, proteínas, gorduras, sais minerais, vitamina A,B1,B2,B5,C, fósforo, cálcio, ferro, magnésio, enxofre, silício. Muito bom para adicionar aos outros leites vegetais para saborizar ou aumentar o rendimento.
Ingredientes:
  • 1 coco de preferência Orgânico
  • 900 ml de água mineral morna
Modo de preparar:
Fure o coco e retire a água. Reserve. Quebre o coco e leve ao forno para que a polpa desprenda com facilidade. Retire a polpa com uma faca. Bata por 3 minutos a polpa no liquidificador com a água do coco reservada e mais a água mineral morna. Coe em um pano de algodão e esprema para retirar todo o leite. Guarde a polpa do coco para utilizar em receitas.

Leite feito com frutas oleaginosas

Nozes, amêndoas, avelãs, castanhas do caju ou do Pará…
As frutas oleaginosas são excelentes para combater o envelhecimento celular, ajudam a diminuir o colesterol ruim e aumentar o colesterol bom, potentes antioxidantes, combatem os radicais livres, fontes de cálcio e magnésio.
Modo de preparar:
Deixe de molho durante 8 horas ( de um dia para o outro), ½ xícara de chá das sementes de sua preferência com 2 xícaras de chá de água. Para quem prefere o leite mais doce deixe de molho junto 2 tâmaras sem caroço.
Na manhã seguinte coe em uma peneira as sementes e passe embaixo da água. Bata no liquidificador as sementes (com as tâmaras, se for o caso) com 1 litro de água. Coe a mistura em um pano de algodão e coloque numa jarra ou garrafa de vidro, dura 1 semana na geladeira. Este leite pode ser bebido ao natural ou em receitas que usam leite de vaca.

Algumas dicas importantes:

Os resíduos podem ser aproveitados para fazer sopas, mingaus, pães, bolos e tortas.
Utilize um saquinho e reserve apenas para coar o leite. Tem uma coisa meio lúdica aqui, você estará ordenhando os grãos, uma sensação especial garanto.
Os leites vegetais não podem ser fervidos que talham.

Creme de Confeiteiro:

Sabe aquele creminho que vem dentro de sonhos, carolinas ou nos pães doces. Pois é, ele normalmente é cheio de corantes para ficar com aquela corzinha amarela. Aqui temos um creme na versão sem glúten, corante ou leite. Bom também para rechear e cobrir bolos e tortas.
Ingredientes:
  • 2 gemas de ovo caipira
  • ¼ de xícara de açúcar orgânico
  • ¼ de xícara de farinha ou creme de arroz (veja se não tem o símbolo dos transgênicos como a Arrozina)
  • 1 e ¼ de xícara do leite vegetal preferido
  • 1 colher das de chá de baunilha
Modo de Preparar:
Misture as gemas com o açúcar em uma panela grande fora do fogo. Adicione a farinha de arroz, mexendo bem para agregar. Junte o leite vegetal e a baunilha. Mexa até formar uma mistura homogênea. Leve ao fogo baixo mexendo sempre até engrossar. Deixe esfriar e empregue. Pode misturar cacau em pó se desejar fazer de chocolate

Creme de Leite Vegetal

Sempre procurei uma receita de creme de leite caseiro, mas em todas encontrava a famigerada gordura vegetal hidrogenada. Descobri então que para fazer o creme de leite vegetal é só engrossar o leite vegetal de sua preferência, aumentando a quantidade de sólidos na receita (castanhas, amêndoas, aveia etc) e, se desejar que fique mais encorpado ainda, adicionando uma colherinha de agar-agar e outra de azeite de oliva. Bom não é?

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mingau de aveia com água de coco - receita vegana

Aproveitando a inspiração do outono e o friozinho que chega manso...


Muito, muitooooo bom esse mingauzinho feito com água de coco. Fica leve, docinho e muito saudável. 

Mingau não precisa levar leite. Vale lembrar aqui que o leite de vaca é um alimento que causa algum tipo de intolerância em grande parte da população humana, além de ser alergênico e indigesto. Leite de vaca é ótimo para BEZERROS!

Coloque em uma panelinha a água de um coco (tirada na hora, claro. As 'águas de coco' de caixa, contem conservantes e estabilizantes, não são legais!), 3 a 4 colheradas de aveia em flocos finos (se quiser mais grossinho, coloque mais) e uma banana nanica (ou caturra para os mineiros) picada. Leve ao fogo mexendo bem até engrossar e deixe cozinhar por cerca de 5 min em fogo bem baixinho. 

Adoro de manhã, no desjejum. Ou no lanche das tardes frias.

Polpa de Juçara (Euterpe edulis) - O nosso açaí da Mata Atlântica



Pode ser consumida como o conhecido açaí, alimento importantíssimo no norte do país e que chega congelado e meio maltratado até nós, curiosos do sudeste. O açaí, lá no norte, é consumido fresco, cremoso e aromático, misturado à farinha de mandioca e, se der, um pedaço de peixe frito. Uma descrição da Neide Rigo do Blog Come-se: imagine mergulhar pedaços de peixe em um azeite extra-virgem, cremoso e aromático. Penso sempre no açaí assim agora. 

Pena que aqui a polpa já nos chegue daquele jeito, rançosa, adulterada com sabe deus que tipos de coisas. É tão real essa condição, que costuma-se batê-lo com xaropes de guaraná dulcíssimos para tapear um pouco o gosto. 

A polpa dos frutos da Juçara (palmiteiro muito conhecido na Floresta Atlântica e super ameaçado de extinção, graças à ganância de muitos e à fraqueza de tantos outros em resistir ao seu doce e macio palmito) dá origem a um creme muitíssimo semelhante ao extraído dos frutos do açaizeiro (Euterpe oleracea). Além de estar mais perto de nós, no sudeste, podendo chegar mais fresca às nossas mesas, a polpa tem sido entendida como uma possibilidade de geração de renda para as comunidades tradicionais e de pequenos produtores no Litoral Norte Paulista e nos meandros da Serra do Mar.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sopa creme de abóbora - Receita Vegana



Deliciosa, excelente vermífuga e nutritiva para corpo e alma nas noites frias.

1/2 abóbora japonesa (Kabotia ou Hokkaido)
1 c/c de sementes de coentro trituradas
1 c/c de massala (a gosto)
4 dentes de alho
2 cebolas médias picadas
1 c/s de azeite de oliva

Cozinhe a abóbora (se for orgânica, pode ser com a casca) na panela de pressão com o alho e água que cubra tudo (10 minutos).
Frite no azeite em uma panela à parte as sementes de coentro e a massala por 30 segundos e acrescente a cebola picada. Frite até que a cebola fique transparente. Reserve.

Quando a abóbora estiver cozida, bata tudo no liquidificador ou mixer dentro da própria panela. Acrescente o refogado de temperos e sal a gosto. Tá pronta. Pode servir com cheiro-verde picadinho por cima, aqui utilizei salsa e cebolinha.

Obs.: Coloquei uns raminhos de manjericão no final, ficou ótimo.

Obs.2: A massala que usei fiz em casa: um pouco de cúrcuma seca, pimentas da jamaica (pode trocar por cravos da índia) e pimenta do reino preta, tudo batido no liquidificador e guardado em potes para quando for usar.

Leites Vegetais - Receita Vegana - Sem lactose

Leite de castanhas

1 punhado de castanhas demolhadas (deixe de molho em água fria durante a noite para fazer pela manhã)
2 xíc. de água fervente

Descarte a água do molho e bata no liquidificador as castanhas com a água fervente. Coe em peneirinha fina ou coador de pano.

Utilizo geralmente castanhas-do-Pará, nozes, amêndoas cruas ou coco seco (da casca marrom). Às vezes faço um mix delas.

Pra que comprar leites vegetais em caixa, em geral caríssimos, cheios de conservantes e saborizantes? Você pode fazer seu leite em casa, natural e fresco em poucos minutos. O resto é preguiça pura.

Lembrando: soja nunca!

Sobre ovos, frangos e derivados

Sempre que aparece alguém com disfunções hormonais, enxaqueca, TPM, dismenorreia, disfunções da tireoide, queda de cabelos excessiva, logo fico pensando nos hormônios que normalmente são ingeridos junto com frangos e ovos de granja. Aconselha-se sempre as pessoas (não vegetarianas, claro) a comerem ovos e frangos caipiras ou, pelo menos, orgânicos. Não é fácil para quem come automaticamente (conheço quem coma peito de frango grelhado (arght!) diariamente!), mas a manutenção da saúde depende de hábitos alimentares mais saudáveis.

Capuccino de leite de coco - Receita vegana - Sem cafeína, sem lactose, sem açúcar adicionado

Capuccino maravilhoso de fim de tarde  

1 xícara de leite de coco (natural, claro)
1 colher de chá de cacau em pó solúvel
1 colher de chá de cevada solúvel
1 pitada de canela em pó

Há quem prefira substituir a cevada por café em pó solúvel. 
Mas desse jeito ficou perfeito pra mim.
Sem lactose, sem gluten, sem açúcar. 

E delicioso.

De volta e a tempo

Comecei postando minhas doidices aqui. Depois abri a página lá no facebook, onde repostava o que aparecia no Blog. Resolvi inverter, que a vida é isso: de um lado para o outro, das melhores formas. Vou repostar aqui o que posto lá. O "search" daqui salva a gente! E assim caminhamos. :-)


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Greenwashing é isso aí: Monsanto e Syngenta recebem o Nobel da Agricultura (By Carol Daemon)




"A sociedade compõe-se de duas grandes castas: a dos que têm mais comida do que apetite e a dos que têm mais apetite do que comida." , Nicolas Chamfort


Quando se premia aos que geram fome


Vivemos em um mundo ao contrário, no qual se premia as multinacionais da agricultura transgênica enquanto acabam com a agricultura e a agrodiversidade. O Prêmio Mundial da Alimentação 2013, o que alguns chamam de Nobel da Agricultura, foi concedido este ano para os representantes da indústria transgênica: Robert Fraley, da Monsanto e Mary-Dell Chilton, da Syngenta. O terceiro premiado foi Marc Van Montagu, da Universidade de Gante (Bélgica). Todos eles distinguidos por suas investigações a favor de uma agricultura biotecnológica.

E me pergunto: Como pode ser que se conceda um prêmio que, teoricamente, reconhece "as pessoas que têm feito avançar (...) a qualidade, a quantidade e o acesso aos alimentos” aos que promovem um modelo agrícola que gera fome, pobreza e desigualdade. Os mesmos argumentos, imagino, que levam a conceder o Prêmio Nobel da Paz aos que fomentam a guerra. Como diz o escrito Eduardo Galeano, em seu livro "Patas arriba” (1998), "se premia ao contrário: se despreza a honestidade, se castiga o trabalho, se recompensa a falta de escrúpulos e se alimenta o canibalismo”.

Querem que acreditemos que as políticas que nos conduziram à presente situação de crise alimentar serão as soluções; porém, isso é mentira. A realidade, teimosa, nos demonstra, apesar dos discursos oficiais, que o atual modelo de agricultura e alimentação é incapaz de dar de comer às pessoas, cuidar de nossas terras e daqueles que trabalham no campo. Hoje, apesar de que, segundo dados do Instituto Grain, a produção de alimentos multiplicou-se por três desde os anos 60, enquanto que a população mundial desde então apenas duplicou, 870 milhões de pessoas no mundo passam fome. Fome, pois, em um planeta da abundância de comida.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reconhece que nos últimos cem anos desapareceram 75% das variedades agrícolas. Nossa segurança alimentar não está garantida, se depender de um leque cada vez mais reduzido de espécies animais e vegetais. Definitivamente, são promovidas as variedades que mais se adequam aos padrões da agroindústria (que podem viajar milhares de quilômetros antes de chegar ao nosso prato, que tenham um bom aspecto nas prateleiras do supermercado etc.), deixando de lado outros critérios como a qualidade e a diversidade do que comemos.

Nos dizem que temos que produzir mais alimentos para acabar com a fome no mundo e, em consequência, que é necessária uma agricultura transgênica. Porém, hoje, não falta comida; sobra! Não temos um problema de produção, mas de acesso. E a agricultura transgênica não democratiza o sistema alimentar; ao contrário, privatiza as sementes, promove a dependência camponesa, contamina a agricultura convencional e ecológica e impõe seus interesses particulares ao princípio de precaução que deveria prevalecer.

Marie Monique Robin, autora do livro e do documentário "O mundo segundo a Monsanto” (2008), deixa claro: essas empresas querem "controlar a cadeia alimentar” e "os transgênicos são um meio para conseguir esse objetivo”. Prêmios como os concedidos a Monsanto e a Syngenta são uma farsa ante a qual somente há uma resposta possível: a denúncia. E ressaltar que outra agricultura somente será possível à margem dos interesses dessas multinacionais.


Outras decisões da FAO:

FAO afirma que agricultura é fundamental para sobrevivência humana
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que a agricultura é fundamental para a humanidade.
Segundo o vice-diretor-geral da FAO, Dan Gustafson, a adaptação do setor agrícola, não é somente uma opção, mas sim, imperativo para a sobrevivência humana.
A FAO explica que 80% da dieta do ser humano é composta por plantas. Aproximadamente 30 tipos de colheitas correspondem a 95% das necessidades de alimentos das pessoas.
Os especialistas dizem que dessas 30 colheitas, cinco, arroz, trigo, milho, painço, que é uma derivado do milho, e o sorgo, tipo de cereal usado para fazer a farinha, fornecem 60% dos alimentos.

A má nutrição custa ao mundo cerca de US$ 500 (aproximadamente R$ 1 mil) por indivíduo ou US$ 3,5 trilhões (R$ 7 trilhões) por ano, valor equivalente ao PIB da Alemanha, a maior economia da Europa, de acordo com cálculo publicado em um novo relatório FAO - O Estado da Alimentação e da Agricultura 2013. O montante também equivale a 5% do PIB mundial e foi calculado com base nos custos relativos à perda de produtividade e gastos com a saúde gerados por uma dieta deficiente.
Os dados constam de relatório publicado ontem (04/06/13) pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). No documento, o diretor do órgão, o brasileiro José Graziano, pediu esforços mais consistentes para erradicar a má nutrição.

O estudo assinala que a alimentação precária das mães e das crianças continua a reduzir a qualidade e a expectativa de vida de milhares de pessoas, assim como problemas relacionados à obesidade, como doenças cardíacas e diabetes.

"Atores e instituições devem trabalhar conjuntamente em todos os setores para reduzir mais efetivamente a desnutrição, a deficiência nutricional, o sobrepeso e a obesidade", diz o relatório.

O órgão alerta ainda que, embora cerca de 870 milhões de habitantes do planeta ainda passem fome, segundo dados do biênio 2010-2012, outros bilhões sofrem com a má ingestão de alimentos.

A FAO estima que 2 bilhões de pessoas têm deficiências de um ou mais micronutriente, enquanto outras 1,4 bilhão estão com sobrepeso, das quais 500 milhões já são obesas.

Além disso, 25% de todas as crianças abaixo de cinco anos sofrem com baixa estatura e outras 31% possuem deficiência de vitamina A.

FAO recomenda alimentação com insetos para combater a fome
“Comer insetos” para reforçar a segurança alimentar: esta é a orientação da FAO, que lançou nesta segunda-feira (13) um programa para incentivar a criação em larga escala de insetos, alimento rico em nutrientes, de baixo custo, ecológico e “delicioso”.
Dois bilhões de pessoas em culturas tradicionais já os consomem, mas o potencial de consumo é muito maior, considera a Agência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.
“Nossa mensagem é: comer insetos, os insetos são abundantes, eles são uma rica fonte de proteínas e minerais”, declarou Eva Ursula Müller, diretora do Departamento de Política Econômica Florestal na apresentação deste relatório em Roma.
Os trilhões de insetos, que se reproduzem sem parar na terra, no ar e na água, “apresentam maiores taxas de crescimento e conversão alimentar alta e um baixo impacto sobre o meio ambiente durante todo o seu ciclo de vida”, defendem os especialistas.
De acordo com seus cálculos, cerca de 900 espécies de insetos são comestíveis. A FAO enumera os benefícios da produção de insetos em larga escala: são necessários 2 kg de ração para produzir 1 kg de insetos, enquanto o gado requer 8 kg de alimento para produzir 1 kg de carne. Além disso, os insetos “são nutritivos, com um elevado teor de proteínas, gorduras e minerais” e “podem ser consumidos inteiros ou em pó e incorporados noutros alimentos”.
A criação de insetos é simples, pois pode ser feita a partir de resíduos orgânicos, tais como restos de alimentos, e também a partir de compostos e estrume. Os insetos são extremamente ecológicos: usam muito menos água e produzem menos gases do efeito estufa do que o gado.
O consumo de insetos, chamado de entomofagia, já é difundido e praticado há muito tempo entre culturas tradicionais em regiões da África, Ásia e América Latina. “Um terço da população mundial come insetos, e isso é porque eles são deliciosos e nutritivos”, ressalta Eva Ursula Müller.
“Insetos são vendidos nos mercados de Kinshasa, nos da Tailândia ou em Chiapas, no México, e eles começam a aparecer nos menus de restaurantes na Europa”, argumentou. Alguns criadores de vários continentes entenderam as vantagens e começam a tirar proveito: eles começaram a usar os insetos como ingredientes alimentares, incluindo na aquicultura e na criação de aves.
De acordo com Müller, os insetos oferecem muito mais do que apenas nutrição. Eles também são usados para dar cor e formam uma das bases da medicina tradicional em muitos países. Para garantir a nutrição dos animais, os insetos são suscetíveis de proporcionar um complemento a outros recursos utilizados como soja e farinha de peixe.
Gabril Tchango, ministro das Florestas do Gabão, elogiou o consumo de insetos que “faz parte da vida cotidiana”. Os “cupins grelhados são considerados uma iguaria em nossas florestas”, declarou, considerando que os insetos, em todas as categorias, contribuem com cerca de 10% da proteína animal consumida no Gabão.
De acordo com a FAO, “até 2030, mais de 9 bilhões de pessoas vão precisar ser alimentadas, assim como os bilhões de animais criados a cada ano” para atender diversas necessidades, num momento em que “a poluição do solo e da água devido a produção intensiva de animais de pastoreio levam a degradação das florestas”.
Outro argumento a favor da criação de insetos é que eles “podem ser colhidos em seu estado natural, cultivados, processados e vendidos pelos mais pobres da sociedade, como as mulheres e agricultores sem-terra. Os insetos podem ser coletados diretamente e facilmente em seu estado natural. Os gastos ou investimentos necessários para a colheita são mínimos”.

FAO e Slow Food assinam acordo de cooperação
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e a organização internacional ‘Slow Food’ firmaram um acordo em 15 de maio para desenvolver ações conjuntas para melhorar os meios de subsistência de pequenos agricultores que vivem em áreas rurais.
Segundo o memorando de entendimento assinado pelas duas organizações, por um período de três anos, a união de forças promoverá sistemas alimentares e agrícolas mais inclusivos localmente, nacionalmente e internacionalmente.

As iniciativas destacarão o valor dos alimentos e dos cultivos locais esquecidos, além de abordar o acesso ao mercado para os pequenos produtores, melhorando a conservação e uso da biodiversidade, a redução de perdas e desperdícios alimentos e a melhoria do bem-estar animal. Ao assinar o documento, o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, disse que a “Slow Food e a FAO compartilham a mesma visão de um mundo sustentável e sem fome, salvaguardando a biodiversidade para as gerações futuras”. Segundo Graziano, o acordo é mais um passo em direção a esse objetivo.





“A fome existe devido a escolhas políticas”

CANAL IBASE: A FAO divulgou em meados de maio um relatório afirmando que insetos podem ser um fonte de alimentação para populações que passam fome. O que o senhor achou desta afirmação, replicada por jornais e outras mídias no mundo inteiro?
FRANCISCO MENEZES: Todos os pesquisadores da área ficaram indignados com este estudo. Acho que temos que ter cuidado ao tornar pública esta indignação, porque é preciso debater qual o principal objetivo deles com isso. Mas, de qualquer forma, foi uma infelicidade. As pessoas têm que ter acesso à alimentação e ponto. Pensar em alimentá-las com restos é completamente descabido. Há populações que já comem insetos, mas é outra história, faz parte da cultura delas. Introduzir esse consumo é levar o olhar para uma perspectiva errada. Alimento há, o que falta é acesso.

CANAL IBASE: De fato, o alimento só pode ser acessado atualmente por meio da compra ou do plantio. Quando não há dinheiro ou terra, a pessoa está excluída desse sistema, certo?
MENEZES: Exato. As corporações hoje tomam conta da maior parte dos alimentos produzidos no mundo e elas lidam com a comida como uma mercadoria qualquer.Embora o alimento tenha sido reconhecido como um direito básico dos brasileiros em 2010 (quando foi incluído na constituição do país), na prática pouca coisa mudou. Mas é preciso entender o sistema. Se as empresas do setor trabalham com a alimentação como mercadoria, é porque há permissão do estado para isso. O poder público permite que as corporações, nacionais e internacionais, lucrem com um direito tão fundamental à vida de qualquer pessoa. 

CANAL IBASE: Por isso o senhor afirma que a fome é uma questão política
MENEZES: Sim, certamente ela é. Isso não é novidade, mas nunca foi assumido de verdade. Josué de Castro (médico e geógrafo, autor do livro “Geografia da Fome”) já dizia que deixar as pessoas morrerem de fome é uma escolha. Ele estava completamente certo. É um problema ligado à história da humanidade. A segurança alimentar, por exemplo, é um termo herdado dos militares, que foi transformado e usado pelo movimento social. Na guerra, cortar a alimentação é uma das maiores armas que se pode ter. Pode parecer dramático, mas, se você for pensar com cuidado, as corporações também têm nas mãos todos aqueles que não produzem seu próprio alimento. O preço do alimento mexe com a estrutura de uma sociedade.

CANAL IBASE: Há situações de fome extrema no Brasil hoje que podem ser exemplificadas como uma escolha política?
MENEZES: Sim. Os indígenas são exemplo disso. A não demarcação de terras indígenas é um fator que leva à morte. Não olhar para isso é uma escolha do poder público, porque, embora esse fenômeno seja pouco falado, milhares pessoas, especialmente crianças, morrem de inanição na beira de estradas. Isso ocorre por falta de terra, pois etnias foram expulsas de seus territórios. O caso dos Guarani-Kaiowa (que veio à tona ano passado após a divulgação de uma carta anunciando um suicídio coletivo) é um exemplo disso. A Justiça leva seu tempo, mas enquanto isso não se define as pessoas morrem.

CANAL IBASE: Além da inclusão das pessoas no sistema econômico, com geração de renda como possibilidade para comprar o próprio alimento, o senhor acha que a agricultura familiar é uma saída? 
MENEZES: A agricultura familiar é uma das soluções. A segurança alimentar só será atingida com uma série de políticas conjuntas. É preciso reconhecer que o governo atual, desde o início do governo Lula, na verdade, avançou bastante nesse sentido. Hoje, 30% da alimentação escolar tem que ser comprada de pequenos produtores, o que representa um grande mercado que alimenta 48 milhões de crianças por dia. Mas há muito a se fazer. A agricultura familiar continua em risco. 

CANAL IBASE: Por quê?
MENEZES: Atualmente, a agricultura familiar ainda é responsável pela maior parte dos alimentos de consumo das famílias. A estimativa é que ela represente 70% da alimentação das famílias brasileiras. Mas o agronegócio ameaça a agricultura familiar. Como as pessoas buscam uma forma de alimentação cada vez mais rápida, mais prática, as compras são feitas em grandes mercados, e muitas famílias buscam grandes marcas do setor alimentício. Não se pode dizer que isso é saudável, mas é o que ocorre. As pessoas buscam enlatados, comidas congeladas e em saquinhos. As grandes empresas estão entrando na casa de cada vez mais gente. O que pouco se discute é a queda na qualidade dessa alimentação.

CANAL IBASE: O encontro do Fórum de Segurança Alimentar vai tratar esta questão? 
MENEZES: Essa é uma das principais questões. É preciso ampliar o acesso ao alimento, isso é um ponto-chave. Mas não se pode dizer que qualquer alimento tem o mesmo teor nutricional. Aí mora a questão, a qualidade da alimentação. É preciso não só comer, mas comer bem.


‘Os transgênicos estão destruindo o tecido social’. Entrevista com Percy Schmeiser, agricultor e ativista canadense


Como começou sua luta contra a Monsanto?
Minha esposa e eu éramos produtores de sementes de canola (cultivada para produzir forragem, óleo vegetal para o consumo humano e biodiesel). Pesquisamos este cultivo durante mais de 50 anos. Em 1998, dois anos depois que introduziram os transgênicos no Canadá, a empresa Monsanto entrou com um processo contra nós. Nos processou por violação de patente, porque diziam que a nossa canola era fruto de suas sementes transgênicas. Foi uma surpresa para nós porque nunca compramos sementes geneticamente modificadas nem sabíamos da existência da Monsanto. O que tornou famoso o nosso caso em todo o mundo foi o fato de mostrar que podia acontecer a qualquer agricultor caso seu campo fosse contaminado com as sementes transgênicas. Nesse momento, o juiz decretou que não importava como havia ocorrido a contaminação com as transgênicas: se por polinização cruzada, polinização por abelhas, por sementes que entraram levadas pelo vento ou pelo próprio transporte de outros agricultores. Se isso acontece, então já não se é mais dono de suas sementes nem de suas plantas, pela lei de patentes. Também nesse momento foi decretado que não poderíamos usar as nossas sementes de novo por estarem contaminadas e que os nossos lucros por esse cultivo deviam ir para a Monsanto. Outra questão que o juiz decretou foi que o nível de contaminação não era importante: dá no mesmo se houve 1% ou 90% do campo contaminado, de qualquer forma já não se é mais o dono das suas plantas. A base da nossa luta foi pelos direitos dos agricultores, para que cada um tenha direito a plantar suas sementes ano após ano.
O que fizeram diante do processo movido pela Monsanto?
O que mais nos doeu é que todo o nosso trabalho de 50 anos com a semente de canola agora pertencia completamente à Monsanto pela lei das patentes. Por isso decidimos continuar brigando, e recorremos à Corte de Apelação. Esta Corte federal manteve quase a mesma posição, inclusive a Monsanto tratou de nos prender de outras maneiras. Demandaram-nos novamente por um milhão de dólares. Trataram de nos destruir financeira e mentalmente. Vigiavam-nos quando estávamos trabalhando no campo, vinham à saída da garagem da nossa casa, a observar o que a minha esposa fazia, ela recebia telefonemas com ameaças e também acontecia o mesmo aos nossos vizinhos. E ainda hoje vivemos com medo. Então decididos ir à Suprema Corte. A Suprema Corte disse que não tínhamos que pagar nada à Monsanto, mas que ela teria que pagar os nossos custos legais. A Monsanto aceitou que nós não havíamos comprado sementes deles, no entanto, tínhamos que pagar a eles a licença pelas sementes. Se nós tivéssemos que pagar à Monsanto tudo o que eles queriam, teríamos que pagar com a nossa casa, a nossa terra e todos os equipamentos. Assim que foi uma vitória para nós ouvir a Corte sentenciar que nós não precisávamos pagar nada àMonsanto. Mas de todas as formas, é muito difícil para um agricultor lutar na Corte contra uma multinacional. Foi a Monsanto que nos processou e, no entanto, tivemos que pagar os custos legais deste processo. Isso não foi justo para nós, porque a Monsanto deveria ter pagado também os nossos custos.
Quanto tiveram que pagar e como enfrentaram esses gastos?
Os gastos foram um pouco mais de 500.000 dólares. O pagamos com grande parte do nosso fundo de aposentadoria, hipotecas sobre nossas terras e também recebemos doações de muitas pessoas de todo o mundo que estão preocupadas com o tema das patentes de sementes e, sobretudo, o que diz respeito à nossa alimentação.
Como a sua lavoura foi contaminada com as sementes transgênicas?
Porque meus vizinhos estavam utilizando sementes da Monsanto e ao soprar o vento as trazia para o meu campo e o contaminavam. Eu nunca utilizei as sementes da Monsanto nem o Roundup (herbicida da Monsanto) na minha lavoura. Por isso apresentei uma contrademanda baseada na contaminação ambiental, destruição de sementes e calúnia. Desde esse momento a Monsanto nos espiou e tratou como criminosos. Detetives daMonsanto se instalaram perto do campo e controlavam cada passo que dávamos. A primeira coisa que dissemos à Corte é que um agricultor tem que ter o direito de utilizar suas sementes ano após ano. Para minha esposa e para mim, o mais importante é que ninguém, nenhum indivíduo nem uma corporação têm o direito de patentear formas superiores de vida, seja uma ave, uma abelha ou uma planta.
O que aconteceu depois deste episódio da demanda da Monsanto?
Nós pensamos nesse momento que estava tudo terminado com a Monsanto. Decidimos mudar de cultivo e fazer pesquisa com mostarda, mas um tempo depois descobrimos que havia plantas de canola no campo em que estávamos pesquisando, que era de 50 acres. Nós comunicamos a Monsanto que acreditávamos que havia canola transgênica em nosso campo de mostarda. Então a Monsanto veio ao nosso campo e fez algumas pesquisas. Depois nos notificaram que havia canola de sementes da Monsanto em nosso campo de mostarda. Perguntaram-nos o que queríamos que fosse feito. Pedimos que toda essa canola fosse retirada manualmente. A Monsanto concordou. Dois dias antes do dia combinado para a retirada das plantas, enviaram-nos uma carta para que a assinássemos. E nessa carta aMonsanto estabelecia que minha esposa e eu estávamos proibidos de falar sobre aMonsanto com qualquer pessoa. Ou seja, que minha liberdade de expressão estava anulada, e se tivesse aceitado não poderia estar aqui falando com você.
O que responderam?
Dissemos a eles que muitas pessoas morreram em nosso país lutando pela liberdade de expressão e que nós não pensávamos em entregá-la a uma corporação. Assim que respondemos à Monsanto que, com a ajuda de nossos vizinhos, iríamos retirar essas plantas. Com a ajuda dos nossos vizinhos removemos todas as plantas contaminadas e lhes pagamos 600 dólares. A verdade é que não foi muito dinheiro por três dias de trabalho. Mas mandamos a conta para a Monsanto e a Monsanto se recusou a pagá-la. Então mandamos a Monsanto àCorte, desta maneira, tivemos uma multinacional milionária na Corte por 600 dólares. Pode-se imaginar a vergonha da Monsanto, uma corporação internacional, ser chamada à corte por 600 dólares. Então, finalmente, tiveram que pagar os 600 dólares mais os custos legais e chegamos a um acordo de que não haveria mordaça legal. O importante não foi o dinheiro que tiveram que pagar, obviamente, mas importa a consequência legal. Porque se agora a lavoura de qualquer agricultora é contaminada, a empresa tem que pagar por essa contaminação. Esta foi uma vitória, não somente para nós, mas para os agricultores de todo o mundo, porque abre um precedente.
Você costuma dizer que no Canadá há vários cultivos, entre eles a canola, que já são completamente transgênicos. Por que os agricultores canadenses optaram por este tipo de sementes patenteadas?
Em 1996 foram introduzidas quatro sementes transgênicas no Canadá: o algodão, o milho, a canola e a soja. E os agricultores se entusiasmaram porque a Monsanto dizia no começo que com as sementes deles iríamos ter uma produção maior, lucros maiores, seriam mais nutrientes, e teríamos que utilizar menos químicos para obtê-lo. Mas aconteceu todo o contrário; estamos utilizando mais químicos que antes, e fazem tanto mal à saúde humana como ao meio ambiente. Também repetiram uma série de lugares comuns como esse que através destas sementes iríamos alimentar um mundo cheio de fome. Mas creio que se há algo que vai nos levar a ter mais fome no mundo, isso são os transgênicos. Nós, no Canadá, tivemos transgênicos durante 16 anos e cremos que o prejuízo já está feito. Agora é preciso fazer o que é possível para não permitir que entrem mais transgênicos em nossos países.
O que aconteceu com as plantações de canola transgênica que se espalharam pelo Canadá?
Imediatamente depois que se começou a utilizar estas sementes os lucros começaram a baixar. Mas o pior foi o aumento massivo no uso dos químicos, porque depois de alguns poucos anos as ervas daninhas se tornaram resistentes, causando enormes problemas às plantações de canola. Para eliminar esta super erva daninha, requer-se dos tóxicos mais fortes que já se teve notícia. A Monsanto produziu um tóxico, o mais tóxico que se conhece na face da Terra. Há outro químico que é o 2,4-D, que usam para matar esta super erva daninha, e este novo tóxico contém 70% do agente laranja, aquele que foi usado na guerra do Vietnã, em decorrência do qual milhares de pessoas morreram de câncer. Estes são os químicos poderosos que estamos usando hoje no Canadá, tóxicos massivos. Outra coisa que trataram de trazer ao Canadá é o gene terminator. O gene terminator é posto em um gene, a semente se converte em uma planta, mas a planta produz uma semente que é estéril, razão pela qual não pode ser usada para um novo plantio, e isso faz com que se tenha que comprar novamente as sementes da companhia.
Que implicações tem o uso de sementes transgênicas?
Temos uma questão econômica, de saúde, devido ao aumento do uso de químicos e ao veneno espalhado sobre os transgênicos, e um prejuízo para o meio ambiente devido ao uso dos químicos. Os transgênicos nunca foram concebidos para aumentar os lucros. O padrão dos genes introduzidos nas sementes pela Monsanto é para manter o controle do fornecimento de sementes e de alimentos em todo o mundo. Também se toma o controle do direito que o agricultor tem de usar suas sementes, perde sua capacidade de escolha e fica refém da compra das sementes todos os anos e a pagar um custo alto, além do fato de que tem que comprar mais químicos.

Como são as sementes que você utiliza hoje, depois de todo este processo?
Mudamos as sementes, não trabalhamos mais com a canola, estamos trabalhando com trigo, aveia e feijão. No Canadá a soja e a canola são totalmente transgênicas, não se pode ter uma fazenda orgânica destes cultivos. A Monsanto é hoje a companhia que administra totalmente o mercado das sementes para estes cultivos. Uma vez introduzidos os transgênicos, não existe a coexistência; o gene transgênico é um gene dominante, porque não se pode controlar o vento nem impedir que o pólen se desloque. Então, uma vez que as sementes transgênicas são introduzidas, não há possibilidade de que um agricultor continue com um desenvolvimento próprio de sementes.
Como vê o futuro da agricultura?
Os transgênicos estão destruindo o tecido social do país, nunca vi isso antes, os agricultores brigam entre si. Antes nos ajudávamos uns aos outros; agora isto está desaparecendo porque há desconfiança. Instalam o medo processando os agricultores. Esta nova tecnologia é ciência perversa e não é ciência comprovada. As corporações querem o controle total sobre as sementes, o que lhes dará o controle total sobre o abastecimento de alimentos. É disto que tratam os transgênicos e não para ter mais alimentos para acabar com a fome no mundo. Se os agricultores perdem o direito de cultivar sua própria semente, convertem-se em serventes da terra, regressando à época do sistema feudal. De certa forma, os agricultores já são serventes da terra, porque têm que comprar as sementes de determinada companhia, têm que comprar a licença do alimento, têm que comprar os químicos da mesma companhia, têm que pagar um direito para cultivar em sua própria terra, assim que penso que já somos serventes em nossa própria terra por uma corporação multinacional como a Monsanto. Caso a propagação de organismos geneticamente modificados continuar, o controle total do fornecimento de sementes e de alimentos do mundo estará nas mãos de corporações como aMonsanto, e isto acarretará problemas para a saúde, questões ambientais e perda de biodiversidade. Com os organismos geneticamente modificados já não haverá agricultura, mas agronegócio.


Pelo resto do mundo:




Agricultores quenianos deitam fora 40% da comida que cultivam para mercado europeu




Para doar: Banco de Alimentos




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