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terça-feira, 19 de julho de 2011

7º Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia - São Paulo

Bienal do Ibirapuera recebe feira orgânica e natural

       A Bienal do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, de 21 a 24 de julho, será palco do maior evento profissional do mundo orgânico e natural. A Bio Brazil Fair – 7ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e a Natural Tech – 7ª Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde irão trazer novidades do setor e disponibilizar, gratuitamente, palestras ao público visitante.

 
      A Bio Brazil Fair é a maior vitrine de negócios do setor orgânico. Fabricantes, produtores, distribuidores e importadores vão expor produtos, como laticínios, frutas e vegetais, cereais e massas, carnes e ovos, refeições congeladas e desidratadas, geléias, doces e sorvetes, bebidas, ração para animais, entre outros, todos orgânicos. Expositores de todas as regiões do Brasil e de países visitantes, como Bolívia, Canadá, Chile, Estados Unidos, França, Inglaterra, Peru, Portugal devem comparecer. A feira sedia, ainda, a 7ª edição do Fórum Brasileiro de Agricultura Orgânica e Sustentável que, neste ano, discutirá o “Brasil Orgânico”.

          Já a Natural Tech vai trazer novidades em produtos naturais para nutrição, beleza e saúde. Esse é a único evento de negócios do setor, e vai apresentar alimentos funcionais, probióticos e integrais, fitoterápicos, suplementos, linhas diet e light, mel e derivados, cosméticos naturais, óleos essenciais e velas e terapias complementares. Nos dias 23 e 24 de julho, a Natural Tech oferecerá um ciclo de palestras dos expositores que abordará assuntos relacionados às práticas saudáveis. Aromaterapia, terapia floral, ginástica cerebral, energia renovável e lecitina em soja estão entre os temas.
Bio Brazil Fair e Natural Tech

Data: de 21 a 24 de jullho

Local: Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

Mais informações: no site http://www.biobrazilfair.com.br/

Fonte: Portal Apas

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Enquanto isso, fora do Brasil...

Suécia em breve estará livre de alimentos transgênicos

 
Desde que a União Europeia, após forte lobby das indústrias de transgênicos, permitiu que a regulamentação de rotulagem não obrigasse a identificação dos produtos derivados de animais alimentados com ração transgênica, a Coalizão dos Consumidores da Suécia começou um árduo trabalho para convencer os criadores de animais a assinar compromissos públicos de não utilizar ração transgênica.
Como resultado, todas as organizações de criadores de aves, ovelhas, bovinos para carne e gado leiteiro estabeleceram regras para não permitir o fornecimento de ração transgênica a seus animais. Os únicos que não aderiram ao movimento foram alguns grandes produtores de suínos, incluindo o ex-presidente da organização dos criadores.
Os ativistas começaram então uma campanha de boicote à carne de porco da Suécia. A campanha teve início em março de 2010, inicialmente limitada a 3 meses para iniciar um processo de diálogo. Como este diálogo não teve resultado no curto prazo, a campanha foi prolongada.
Finalmente, o maior matadouro do país, chamado SCAN, decidiu não mais aceitar porcos alimentados com ração transgênica. Pela nova regra, divulgada no dia 01 de maio, a partir de 01 de setembro de 2011 nenhum suíno alimentado com transgênicos será aceito. Em seguida, outros matadores declararam que vão seguir a mesma decisão do SCAN.
Isto significa, na prática, que nenhum grão transgênico será mais importado por criadores suecos ou processadores de alimentos e, assim, todos os alimentos suecos serão, enfim, livres de transgênicos. Exceção apenas para alguns alimentos importados e para os 5 hectares de batata transgênica para fins industriais (não alimentares) que a Basf cultivará no norte do país.

 
Fonte: Sweden will soon be GM-free! - GMWatch, 28/04/2011.


Lima (Peru) diz não aos transgênico
A capital do Peru planeja se declarar “zona livre de transgênicos” depois que foi publicado um polêmico decreto que, segundo os críticos à transgenia, irá inundar o país com transgênicos.
Muitos municípios além de Lima (que tem mais de 8 milhões de habitantes), assim como grupos de agricultores, agrônomos e médicos denunciaram o decreto publicado em 15 de abril.
O vice-prefeito Eduardo Zagarra declarou esperar que o novo regulamento municipal seja aprovado “tão rápido quanto possível” pela nova administração socialista de Lima. “Não permitiremos a entrada de sementes transgênicas. Com esta declaração Lima está dizendo não à experimentação com sementes transgênicas. É uma medida de precaução, para preservar nossa biodiversidade, depois deste surpreendente decreto.”
O ministro de Agricultura do Peru, Rafael Quevedo, minimizou o decreto de abril e disse que a norma pretende apenas regulamentar os procedimentos de entrada para transgênicos entre as várias agências governamentais responsáveis pela biodiversidade. “É uma regulamentação que tenta eliminar erros, controlar o uso de transgênicos e assegurar que eles não entrem no país se for constatado que representam risco”, disse ele.
Campos experimentais de milho transgênico já foram autorizado no Peru e soja e milho transgênicos são importados para ração animal. Pela lei, alimentos contendo transgênicos devem ser rotulados. (...)
Fonte: Lima to declare itself a GMO-free zone - AFP, 28/04/2011 (em GMWatch).

Fonte geral: AS - PTA

O Brasil e os transgênicos


Projeto que acaba com rotulagem de transgênicos pode ir a votação na Câmara

O deputado Lincoln Portela (PR-MG) apresentou no último dia 4 requerimento para que entre na ordem do dia o projeto de lei que propõe fim da rotulagem dos produtos transgênicos. A proposta é de autoria do deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP/RS).

O que diz o PL 4148/08?

A proposta elimina a informação no rótulo se não for detectável a presença do transgênico no produto final - o que exclui a maioria dos alimentos (como óleos, bolachas, margarinas, enlatados, papinhas de bebê etc.); (2) não obriga a rotulagem dos alimentos de origem animal alimentados com ração transgênica; (3) exclui o símbolo T que hoje facilita a identificação da origem transgênica do alimento (como tem se observado nos óleos de soja); e (4) não obriga a informação quanto à espécie doadora do gene.

Resumo dos principais argumentos contra o PL:

1) Fere o direito à escolha e à informação assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, nos artigos 6º, II e III e 31 e desrespeita a vontade dos cidadãos que já declararam que querem saber se um alimento contém ou não ingrediente transgênico (74% da população - IBOPE, 2001; 71% - IBOPE, 2002; 74% - IBOPE, 2003; e 70,6% - ISER, 2005).

2) Representa um retrocesso ao direito garantido pelo Decreto Presidencial 4.680/03 (Decreto de Rotulagem de Transgênicos) que impõe a rastreabilidade da cadeia de produção como meio de garantir a informação e a qualidade do produto (vale lembrar que a identificação da transgenia já é feita para a cobrança de royalties).

3) Impedir a informação da característica não geneticamente modificada do produto é um desrespeito ao direito dos consumidores, dos agricultores e das empresas alimentícias que optam por produzir alimentos isentos de ingredientes transgênicos e tem como única finalidade favorecer a produção de transgênicos.

4) A rotulagem de transgênicos é medida de saúde pública relevante ao permitir o monitoramento pós-introdução no mercado e pesquisas sobre os impactos na saúde.

5) Pode impactar fortemente as exportações, na medida em que é grande a rejeição às espécies transgênicas em vários países que importam alimentos do Brasil.

6) Descumpre compromissos internacionais assumidos no âmbito do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, Acordo Internacional ratificado por 150 países, do qual o Brasil é signatário. De acordo com o Protocolo, os países membros devem assegurar a identificação de organismos vivos modificados nas importações/exportações, destinados à alimentação humana e animal (artigo 18. 2. a).

Veja o Projeto de Lei diretamente da Câmara dos deputados, clicando aqui. 

Fonte: AS - PTA

Foto retirada desse blog. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Campanha Nacional contra o uso de agrotóxicos



Enquanto se discutem as mudanças no Código Florestal (Lei Federal 4.771/65), continuamos a conviver com a triste realidade da guerra diária pela alimentação de qualidade. Tive a alegria de estar com amig@s querid@s no Rio, neste fim de semana, de tomar deliciosos sucos, comer coisinhas nordestinas maravilhosas, sabendo da procedência orgânica dos produtos. Sim, eles são, assim como eu, preocupad@s com o que comem, bebem, vestem, falam... Quando chego a Taubaté, de volta de lindos dias, a dificuldade de obter alimentos do bem volta junto. Isso aqui tem sido uma labuta!

Enfim, dando uma espiada nos blogs que sigo, achei uma notícia que me pareceu boa, inicialmente. Foi lançada a Campanha Nacional contra o uso de agrotóxicos no Brasil. Inicialmente, eu disse, e me explico: atuando dentro de um órgão ambiental, do governo, vejo que a guerra sangrenta ruralista x ambientalista está longe de terminar. De cada lado, interesses muitas vezes obscuros e pouco éticos. Dinheiro, poder, dinheiro, poder... egoísmo, desligamento do sagrado (em sua mais natural tradução), ignorância, preguiça de pensar, preguiça de agir, hedonismo exagerado, imediatismo. Todos os dias observo, consternada (às vezes nem tanto) as ações e reações de muitas pessoas que são, além de profissionais de extensão, especialistas ambientais, produtores, diretores de empresas e órgão públicos, pessoas! Pessoas humanas, perdidas nesse mundão... Difícil saber que rumo vai tomar essa campanha. Mas a esperança cutuca o tempo todo e eu gosto!

Pesquisando, também descobri um blog da campanha, onde há informações interessantes sobre o tema: http://mpacontraagrotoxicos.wordpress.com/
O link do Blog Em Pratos limpos, onde está o que li de primeira, você pode acessar aqui.

A publicação original está no Site da FioCruz (onde, por acaso já trabalhei) e copio aqui da forma em que se apresenta. De qualquer forma, o link para a chamada você acessa aqui.

08/04/2011

Lançada campanha nacional permanente contra o uso de agrotóxicos

Raquel Júnia - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio - EPSJV/Fiocruz

Movimentos sociais e pesquisadores afirmam que é possível e urgente produzir sem venenos que afetam a saúde humana e do meio ambiente

Suco de frutas, verduras, legumes, cereais. Alimentação saudável? Nem sempre. Lançada nesta semana, no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Campanha permanente contra o uso de agrotóxicos e pela vida pretende alertar que o veneno usado nos cultivos agrícolas brasileiros prejudica muito a saúde das pessoas e do meio ambiente. De acordo com a organização da campanha, com os atuais níveis de utilização de agrotóxicos, cada brasileiro consome em média 5,2 kg de veneno por ano e o Brasil foi considerado em 2009, segundo o sindicato dos próprios produtores de defensivos agrícolas, o maior consumidor destas substâncias pelo segundo ano consecutivo. A campanha é organizada por mais de 20 entidades e movimentos sociais, que pretendem realizar atividades em todo o país para conscientizar sobre a necessidade de outro modelo de produção agrícola, sem utilização de veneno e baseado no respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, para aí, sim, produzir alimentos verdadeiramente saudáveis.
A campanha escolheu o Dia Mundial da Saúde para lançar oficialmente as atividades. Mas, mesmo antes da data, seminários, palestras e outros eventos tiveram como tema o prejuízo dos agrotóxicos à saúde. Em Brasília, uma passeata contra o uso de agrotóxicos e em defesa do código florestal reuniu mais de duas mil pessoas. A atividade fez parte da Jornada contra o Uso de Agrotóxicos, em Defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária, realizada nos dias 6 e 7 de abril. O professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília, Fernando Carneiro, presente nas atividades da jornada, conta que os eventos foram lotados. Para ele, lançar a campanha no Dia Mundial da Saúde é muito simbólico. “Quando se fala de saúde da nossa população sempre se associa à fila de hospitais, mas hoje [7 de abril] foi uma manhã histórica porque estávamos discutindo verdadeiramente o conceito ampliado de saúde, discutindo o modelo agrícola brasileiro, o que este modelo tem gerado em termos de impacto às populações e as dificuldades do próprio sistema de saúde em notificar os problemas decorrentes do uso de agrotóxicos”, detalha.
O professor explica porque as lutas contra o uso de venenos na agricultura e em defesa do código florestal são convergentes. “A bancada ruralista quer alterar a legislação para liberalizar os agrotóxicos. No código florestal, vemos o mesmo movimento. E quem está por trás destas duas articulações é o próprio agronegócio: querem desmatar mais áreas e querem ter isenção de impostos para agrotóxicos. Além disso, os temas se relacionam porque à medida que se limita a proteção das nascentes com a mudança no código florestal, por outro lado, se facilita a contaminação da água pelos próprios agrotóxicos. Então, são temas com interação muito grande, que significam ameaça à biodiversidade, à qualidade da água, elementos vitais para o nosso país”, diz.
Para a coordenadora do Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rosany Bochner, é necessário negar totalmente o uso dos agrotóxicos devido aos prejuízos que tem causado à saúde. “É preciso deixar claro que o que queremos com a campanha não é usar produtos menos tóxicos, não é nada paliativo. Nós não queremos mais agrotóxicos de nenhuma forma. É uma mudança de filosofia, temos que partir para produzir diversidade. Vamos ter que comer diferente, que fazer muita coisa e não depende só do agricultor, depende também da população, porque do jeito que está não é possível mais ficar”, reforça. Rosany, que também é consultora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), participou, junto à EPSJV/Fiocruz e a Via Campesina, de um seminário na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) sobre os impactos dos agrotóxicos.
No dia 7 de abril, também foram realizadas atividades no Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Sergipe e Goiás. Em Limoeiro do Norte, no Ceará, nos dias 19 e 20 de abril, serão realizadas várias mobilizações contra o uso de agrotóxicos e em protesto pela impunidade do assassinato do líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, que denunciou os impactos dos agrotóxicos na região. No dia 21 de abril faz um ano que o agricultor foi assassinado próximo de casa e as investigações, até o momento, não apontaram os autores do crime.
Também no Dia Mundial da Saúde, na Câmara Federal, uma subcomissão especial criada para avaliar as conseqüências do uso de agrotóxicos para o país realizou uma audiência pública sobre o tema com a presença da Anvisa, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), órgão favorável ao uso dos venenos nos cultivos. De acordo com a Agência Câmara, Anvisa e MPA divergiram radicalmente do representante da CNA. “Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu a modernização do uso desses insumos, um representante da Anvisa e uma deputada apontaram os efeitos negativos para a saúde humana. Já o representante dos pequenos agricultores defendeu o fim do uso dos agrotóxicos”, informou a Agência Câmara.

Riscos à saúde
O material da campanha alerta que os agrotóxicos causam uma série de doenças como câncer, problemas hormonais, problema neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças de pele, problemas de rim, diarréia, entre outras. Recentemente, uma pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul detectou a presença de agrotóxicos no leite materno. “Diante de tantas evidências de problemas, não há mais o que discutir. Este leite envenenado é muito grave, não dá mais para ter meio termo. Sabemos que é uma luta de Davi contra Golias, porque são empresas extremamente poderosas [as empresas produtoras de agrotóxicos]. Mas eu queria saber se eles comem estes produtos cheios de agrotóxicos”, questiona Rosany.
Além da proibição definitiva do uso de venenos, a campanha afirma ainda que a saída para uma alimentação saudável e diversificada está no fortalecimento da agricultura familiar e camponesa. Para isso, propõe uma série de ações, como a reforma agrária para acabar com os latifúndios, o fim do desmatamento, a geração de trabalho e renda para a população rural, o uso de novas tecnologias para acabar com a utilização de agrotóxicos e a produção baseada na agroecologia .

De acordo com Rosany, a Anvisa está muito disposta a discutir o uso destes produtos tóxicos, entretanto, existe uma resistência de setores do próprio governo e do legislativo. “Tem uma bancada ruralista que quer liberar a todo custo os agrotóxicos”, pontua. A pesquisadora destaca também as dificuldades de informação sobre os riscos de agrotóxicos no sistema de saúde. “Não estamos acostumados a trabalhar com casos crônicos, as redes de saúde não conseguem relacionar os sintomas com a exposição aos agrotóxicos, dificilmente as pessoas fazem essa relação e isso dificulta muito na hora da discussão porque eles [os defensores do uso de agrotóxicos] falam que não temos evidências. Temos que fazer um esforço maior nisso, fazer um treinamento melhor nos serviços de saúde, mas é preciso investimento”, afirma.
Para Fernando Carneiro, o Ministério da Saúde ainda é muito omisso em relação ao enfrentamento do problema de identificação das intoxicações, tanto no campo da saúde do trabalhador, quanto da saúde ambiental. “Eu quero que o Ministério da Saúde faça campanha sobre os riscos dos agrotóxicos. Como faz com a campanha contra a Aids, pelo uso da camisinha. O Ministério poderia investir também para fazer cartilhas e difundir informações sobre os riscos dos agrotóxicos. Hoje, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio, para fazer apologia ao uso”, alerta.