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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Basf desiste de transgênicos na Europa

E aí, será que vivendo em um paísão enorme e fértil como o nosso, seremos obrigados a importar não-transgênicos da Europa? 

Notícia da AS-PTA  
Número 570 - 20 de janeiro de 2012

A Basf, multinacional do setor químico com sede na Alemanha, anunciou esta semana a decisão de abandonar o mercado europeu de sementes transgênicas. Segundo um comunicado divulgado pela empresa, a decisão é devida ao fato de que “ainda existe uma falta de aceitação à tecnologia em muitas partes da Europa – por parte da maioria dos consumidores, agricultores e políticos”. A empresa irá concentrar seus esforços em “mercados mais atrativos para a biotecnologia de plantas na América do Norte, na América do Sul e nos mercados em crescimento na Ásia”.
A Basf é detentora da patente de uma das duas únicas variedades transgênicas aprovadas para cultivo na Europa: a batata transgênica Amflora, destinada à produção de amido para uso industrial. A produção de plantas alimentícias transgênicas para uso industrial é fortemente criticada em função do risco de contaminação de lavouras destinadas à alimentação. Desde que foi autorizada há dois anos, a Amflora foi cultivada em apenas algumas dezenas de hectares e já envolveu um escândalo em 2010, quando um campo experimental da própria empresa, na Suécia, foi contaminado por uma outra variedade de batata transgênica não autorizada, chamada Amadea. Um porta-voz da empresa declarou à AFP que, desde o episódio sueco, o cultivo da Amflora se limitou a uma parcela de dois hectares na Alemanha e que as vendas em 2011 foram “praticamente nulas” (UOL, 16/1/12).
Com a saída da Europa, a Basf interromperá a comercialização e o desenvolvimento de todos os produtos transgênicos destinados ao mercado Europeu, incluindo as batatas transgênicas para a produção de amido industrial (Amflora, Amadea e Modena), uma batata resistente a uma doença conhecida como requeima e uma variedade de trigo resistente a doença fúngica. A empresa apenas dará continuidade aos pedidos de autorização comercial que já estão em curso.
A notícia é, sem sombra de dúvida, uma grande vitória de todo o movimento anti-transgênicos na Europa e da forte resistência manifesta por consumidores e produtores. Não se pode deixar de observar, entretanto, que isso se deve, em parte, ao fato de que a biotecnologia não trouxe nenhum benefício real à população. Os consumidores não só não obtêm nenhuma vantagem ao adquirirem produtos transgênicos como, ao consumi-los, expõem-se a riscos ainda não devidamente avaliados. E os produtores, amplamente bombardeados com propagandas prometendo aumentos de produtividade e redução de custos de produção, atestam, na prática, que essas vantagens, quando ocorrem, são passageiras e que as lavouras transgênicas logo começam a provocar problemas antes inexistentes (que a indústria sempre promete resolver com seus novos lançamentos).
É evidente que se os transgênicos trouxessem benefícios reais (além dos benefícios econômicos para as empresas que os comercializam), a resistência europeia não se consolidaria. E é também verdade que nos países onde os transgênicos se difundiram (lembrando que o cultivo mundial está concentrado em apenas 4 países: EUA, Canadá, Brasil e Argentina) também existe forte objeção por parte de agricultores e consumidores – que infelizmente ainda não foi capaz de vencer o poder de lobby das indústrias sobre as instâncias decisórias dos governos, e nem o efeito provocado pela extrema concentração do mercado de sementes, que retira de circulação a maior parte das variedades convencionais e disponibiliza aos agricultores prioritariamente as transgênicas.

Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

O engodo das datas comemorativas

Hoje, 28 de julho é dia do produtor rural. Cômico, se não fosse trágico. Com tanto desrespeito pelo verdadeiro produtor, o massacre dos agrotóxicos, dos transgênicos, das 'terminator' das multinacionais, da produção em massa, da política pública nó cego desse país...

E a frase brinde que recebo logo de manhã: 'Se você já comeu hoje, agradeça a um produtor rural'... ahã. Sem mais comentários.

terça-feira, 19 de julho de 2011

7º Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia - São Paulo

Bienal do Ibirapuera recebe feira orgânica e natural

       A Bienal do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, de 21 a 24 de julho, será palco do maior evento profissional do mundo orgânico e natural. A Bio Brazil Fair – 7ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e a Natural Tech – 7ª Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde irão trazer novidades do setor e disponibilizar, gratuitamente, palestras ao público visitante.

 
      A Bio Brazil Fair é a maior vitrine de negócios do setor orgânico. Fabricantes, produtores, distribuidores e importadores vão expor produtos, como laticínios, frutas e vegetais, cereais e massas, carnes e ovos, refeições congeladas e desidratadas, geléias, doces e sorvetes, bebidas, ração para animais, entre outros, todos orgânicos. Expositores de todas as regiões do Brasil e de países visitantes, como Bolívia, Canadá, Chile, Estados Unidos, França, Inglaterra, Peru, Portugal devem comparecer. A feira sedia, ainda, a 7ª edição do Fórum Brasileiro de Agricultura Orgânica e Sustentável que, neste ano, discutirá o “Brasil Orgânico”.

          Já a Natural Tech vai trazer novidades em produtos naturais para nutrição, beleza e saúde. Esse é a único evento de negócios do setor, e vai apresentar alimentos funcionais, probióticos e integrais, fitoterápicos, suplementos, linhas diet e light, mel e derivados, cosméticos naturais, óleos essenciais e velas e terapias complementares. Nos dias 23 e 24 de julho, a Natural Tech oferecerá um ciclo de palestras dos expositores que abordará assuntos relacionados às práticas saudáveis. Aromaterapia, terapia floral, ginástica cerebral, energia renovável e lecitina em soja estão entre os temas.
Bio Brazil Fair e Natural Tech

Data: de 21 a 24 de jullho

Local: Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo

Mais informações: no site http://www.biobrazilfair.com.br/

Fonte: Portal Apas

sexta-feira, 10 de junho de 2011

E. coli e Gurts - será coincidência?

Muita coisa acontecendo nesse mundão de meu deus, nesse Brasil nosso também. Tanto assunto me deixa assim, paralisada. Foi Belo Monte pra cá e pra lá, Código Florestal, a suspensão dos kits anti-homofobia, metrô de Higienópolis e eu aqui, boquiaberta, sem saber o que postar sobre tudo isso. A verdade é que essa politicagem e desrespeito me chocam ainda.

Mas eis que surgiu um assunto que me chamou a atenção, em particular: a tal estirpe resistente de E. coli na Europa. Quando comecei a ver as chamadas, achei a história mal contada. Alimentos vegetais contaminados por uma cepa muito virulenta da bactéria (uma comensal inofensiva na maior parte do tempo, que vive nos nossos intestinos) e pessoas morrendo de infecção no continente referência em saúde, alimentação e saneamento? No mínimo estranha essa idéia. E começa o bombardeio de informações truncadas, a cada dia um novo dado, mais estranho que o primeiro. Colocaram a culpa no pepino, depois no broto de feijão, orgânicos, diga-se de passagem. Se tem interesse de grandes multinacionais por trás dessa conversa? Vai saber, conspiração é o que não falta nesse mundo. E considerando-se que o continente Europeu é o MAIOR importador de orgânicos do mundo e que houve, há poucos dias (17 de abril) em Bruxelas, na Bélgica, o International Days of Action (Dia de ação internacional para as sementes livres), acho que é para se pensar...

Outro assunto, ligadíssimo a esse, acontece no Brasil: tramita em regime de prioridade um projeto de lei do líder do governo na câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT - SP) que revoga o artigo da Lei de Biossegurança que proíbe a utilização das chamadas Gurts - Tecnologias Genéticas de Restrição de Uso. Uma das Gurts consiste na  'Tecnologia Terminator' e suas famosas 'Sementes Suicidas' que germinam uma única vez, obrigando os produtores a comprarem sempre as sementes que vão plantar, já que não poderiam mais guardar parte da safra para o replantio. Uma enorme afronta à soberania alimentar nacional.

O que Europa e Brasil tem em comum, nesse caso? É a pergunta que não cala.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Enquanto isso, fora do Brasil...

Suécia em breve estará livre de alimentos transgênicos

 
Desde que a União Europeia, após forte lobby das indústrias de transgênicos, permitiu que a regulamentação de rotulagem não obrigasse a identificação dos produtos derivados de animais alimentados com ração transgênica, a Coalizão dos Consumidores da Suécia começou um árduo trabalho para convencer os criadores de animais a assinar compromissos públicos de não utilizar ração transgênica.
Como resultado, todas as organizações de criadores de aves, ovelhas, bovinos para carne e gado leiteiro estabeleceram regras para não permitir o fornecimento de ração transgênica a seus animais. Os únicos que não aderiram ao movimento foram alguns grandes produtores de suínos, incluindo o ex-presidente da organização dos criadores.
Os ativistas começaram então uma campanha de boicote à carne de porco da Suécia. A campanha teve início em março de 2010, inicialmente limitada a 3 meses para iniciar um processo de diálogo. Como este diálogo não teve resultado no curto prazo, a campanha foi prolongada.
Finalmente, o maior matadouro do país, chamado SCAN, decidiu não mais aceitar porcos alimentados com ração transgênica. Pela nova regra, divulgada no dia 01 de maio, a partir de 01 de setembro de 2011 nenhum suíno alimentado com transgênicos será aceito. Em seguida, outros matadores declararam que vão seguir a mesma decisão do SCAN.
Isto significa, na prática, que nenhum grão transgênico será mais importado por criadores suecos ou processadores de alimentos e, assim, todos os alimentos suecos serão, enfim, livres de transgênicos. Exceção apenas para alguns alimentos importados e para os 5 hectares de batata transgênica para fins industriais (não alimentares) que a Basf cultivará no norte do país.

 
Fonte: Sweden will soon be GM-free! - GMWatch, 28/04/2011.


Lima (Peru) diz não aos transgênico
A capital do Peru planeja se declarar “zona livre de transgênicos” depois que foi publicado um polêmico decreto que, segundo os críticos à transgenia, irá inundar o país com transgênicos.
Muitos municípios além de Lima (que tem mais de 8 milhões de habitantes), assim como grupos de agricultores, agrônomos e médicos denunciaram o decreto publicado em 15 de abril.
O vice-prefeito Eduardo Zagarra declarou esperar que o novo regulamento municipal seja aprovado “tão rápido quanto possível” pela nova administração socialista de Lima. “Não permitiremos a entrada de sementes transgênicas. Com esta declaração Lima está dizendo não à experimentação com sementes transgênicas. É uma medida de precaução, para preservar nossa biodiversidade, depois deste surpreendente decreto.”
O ministro de Agricultura do Peru, Rafael Quevedo, minimizou o decreto de abril e disse que a norma pretende apenas regulamentar os procedimentos de entrada para transgênicos entre as várias agências governamentais responsáveis pela biodiversidade. “É uma regulamentação que tenta eliminar erros, controlar o uso de transgênicos e assegurar que eles não entrem no país se for constatado que representam risco”, disse ele.
Campos experimentais de milho transgênico já foram autorizado no Peru e soja e milho transgênicos são importados para ração animal. Pela lei, alimentos contendo transgênicos devem ser rotulados. (...)
Fonte: Lima to declare itself a GMO-free zone - AFP, 28/04/2011 (em GMWatch).

Fonte geral: AS - PTA

segunda-feira, 28 de março de 2011

Soberania alimentar nos EUA

Cidade nos Estados Unidos declara soberania alimentar

Com a medida, os produtores podem vender produtos locais sem esbarrar em regulamentações federais ou estaduais

por Globo Rural Online
ThinkStock
Produção de abóbora no estado do Maine, nos Estados Unidos

Os cerca de mil moradores da cidade de Sedgwick, em Maine, nos Estados Unidos, aprovaram em reunião municipal uma iniciativa intitulada de soberania alimentar. Com a medida, os produtores podem vender produtos locais sem esbarrar em regulamentações federais ou estaduais, por considerar um direito do cidadão a escolha da própria comida.

O decreto diz que produtores e processadores de alimentos locais estão isentos de licenciamento e fiscalização quando o produto é comercializado para consumo doméstico.

A portaria está sendo considerada revolucionária pela mídia do país, na medida em que repassa para o consumidor a responsabilidade de se educar e escolher os produtos que consome, mesmo com o risco de ingerir alimentos que podem comprometer sua saúde como leites, queijos, carnes e legumes. Neste caso, não cabe mais ao estado prevenir a população dos alimentos que consome.

A cidade alcançou o direito com base nas próprias normas regulatórias do país que concedem aos municípios o direito de regular a saúde, a segurança e o bem-estar do povo.

Sedgwick foi a primeira cidade a declarar o ato e inspirou mais três localidades do condado de Hancock, no estado, que estão agora à beira da adoção de medidas similares. A ideia é alcançar a permissão de comercializar alimentos que não cumpram inspeções e regras de processamento, segundo informações da publicação americana Abas Journal.

A medida, em inglês, pode ser acessada clicando aqui e a matéria pode ser acessada aqui.