segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fim das sacolinhas em BH?

Minha opinião: muita lei pra pouca ética. Mas vale a leitura infomativa e reflexiva.

Lei que proíbe uso de sacolas plásticas entra em vigor em BH cercada de dúvidas
Flávia Ayer
Publicação: 18/04/2011 06:05

As sacolas plásticas entram, a partir desta segunda-feira, para a lista de produtos ilícitos em Belo Horizonte. Começa a valer, nesta segunda-feira, a Lei 9.529/2008, que determina a substituição dos modelos convencionais, à base de petróleo, pelos feitos de material biodegradável ou retornável. A medida promete mudar radicalmente os hábitos dos 2,3 milhões de moradores da capital e levanta uma pergunta que não quer calar: será que ela vai pegar? A dúvida se justifica por um gordo histórico de leis adormecidas no papel. Minas Gerais, se consideradas somente as normas estaduais, ganhou 660 novas regras apenas no período entre 2007 e 2010, que se somaram às mais de 12 mil já existentes.

Grande parte desse calhamaço de leis certamente passa em branco na vida da população, outra parcela é conhecida mas ignorada e um pequeno número cumprido à risca. Pisar em cocô de cachorro na rua desperta ódio em qualquer mortal, ainda mais ao saber que, além de ato de cidadania, recolher as fezes do animal é lei que não decolou na capital mineira. Os donos de cães em BH figuram também entre os que ignoram a norma que obriga o uso de focinheiras e coleiras pelos bichos de estimação, como é possível comprovar num passeio em pistas de cooper e parques da cidade. As letras da lei também ainda não foram capazes de equilibrar o conflito entre barulho e sossego em BH.

Mas, desrespeito total às regras é o que ocorre nas agências bancárias: 15 minutos é o tempo máximo determinado na capital para o atendimento ao cliente nas filas de bancos. Por outro lado, em meio à pilha de deveres e obrigações de um mundo do papel, há normas totalmente incorporadas ao dia a dia do cidadão. A saúde falou mais alto e o fumo saiu de vez dos ambientes coletivos públicos e privados. A batalha contra a obesidade também conseguiu transformar cardápio das cantinas dos colégios e a lei da merenda saudável barrou coxinhas, refrigerantes e balas dos lanches de estudantes mineiros. Motoristas usufruem, no Faixa Azul, do tempo adicional de 30 minutos acrescentados por lei em BH.
Resta saber agora em qual time a proibição das sacolas plásticas vai entrar. O secretário municipal de Serviços Urbanos, Pier Giorgio Senesi Filho, à frente da pasta que regulará a matéria, está confiante: “Essa lei já pegou. A população comprou a ideia e está imbuída da responsabilidade de transformar a cidade em exemplo para o mundo.” Ele promete que a determinação não vai empacar na falta de fiscais. “Estamos agregando essa competência à rotina dos fiscais de meio ambiente e aos de posturas das nove regionais. A multa inicial é de R$ 1 mil e a reincidência, de R$ 2 mil. Se houver persistência, o alvará de funcionamento e localização do empreendimento pode ser cassado”, ressalta.
Divergências

Se depender do aposentado Vander Cruz, de 65 anos, as sacolas plásticas não terão mais vez. Há cerca de três meses ele adotou e aprovou o modelo ecológico, de pano. “É melhor, porque evita que carreguemos muitas sacolas”, diz, durante compras no sacolão, no Bairro Nova Floresta, na Região Nordeste da capital. O gerente do estabelecimento, Eli Fernandes, também está preparado para as mudanças. “A partir de segunda vamos ter bacias para pesar as frutas, como era feito antigamente”, conta. O advogado Alcides Teixeira, de 66, vê problemas na nova norma. “O consumidor vai ter que pagar pela sacola plástica”, afirma, certo de que a lei só será cumprida com “mão pesada sobre comerciante”.

Para o presidente do Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos, que batalha pelo descarte responsável do produto, Miguel Bahiense, do ponto de vista ambiental a lei já nasce fadada ao fracasso. “Estudo inglês mostra que, na produção de sacolas de plástico comum é produzido menos gás carbônico do que na de alternativas. Pesquisa Ibope mostra que 75% dos consumidores preferem a sacola convencional e 100% deles a usam para acondicionar o lixo. A questão é garantir a qualidade das sacolas de plásticos e educar o consumidor a usar apenas o necessário”, afirma Bahiense. “Acredito que uma lei sai do papel quando tem embasamento técnico para isso e, nesse caso, a lei de BH não faz o menor sentido.”

A partir desta segunda-feira, consumidores na capital mineira deverão buscar soluções alternativas para carregar compras. Carrinhos, sacolas de pano, TNT, sisal e caixas são algumas das opções. Esquecidos podem recorrer às sacolas biodegradáveis, ao valor de R$ 0,19 cada. Feita à base de amido, ela se decompõe em 180 dias, enquanto o modelo convencional demora 400 anos. A lei das sacolas plásticas foi sancionada em 2008 pelo prefeito Fernando Pimental e é originária de projeto do vereador Arnaldo Godoy (PT).

Respeitadas

Lei Antifumo (nº 12.903)

Proíbe fumo em ambientes fechados de uso coletivo, públicos e privados em Minas Gerais

Lei da Merenda Saudável (nº 15.072)

Proíbe o fornecimento e comercialização de produtos e preparações com alto teor de caloria, gordura saturada, gordura trans, açúcar livre e sal ou com poucos nutrientes

Lei do Faixa Azul (nº9.372)

Altera a folha do Estacionamento Rotativo e permite segundo uso por período de 30 minutos adicionais

Desrespeitadas

Lei das focinheiras e correntes (nº 8.198)

Obriga o uso de focinheiras e correntes pelos cães que circulam com os donos nas ruas e praças de Belo Horizonte

Lei da fila de banco (nº7.617)

Determina o prazo máximo de 15 minutos para o atendimento de clientes em filas de bancos situados na capital

Lei do Silêncio (nº 9.505)

Dispõe sobre o controle de ruídos em BH e proíbe, por exemplo, sons que causem perturbação ao sossego ou ao bem-estar públicos

Lei das fezes de cães*

Obriga condutores de animais, em BH, a recolher fezes depositadas em local público. O recolhimento deve ser feito com saco de lixo e o material deve ser jogado na lixeira

Lei do Cardápio em Braile*

Obriga hotéis, restaurantes, lanchonetes, bares e similares a fornecer cardápio em Braile a cegos em BH

Lei do lixo e panfleto*

Proíbe jogar lixo e a distribuição de panfletos nas ruas e avenidas da capital
*Essas regras estão contidas no Código de Posturas (nº9.845)

Fonte: Estado de Minas. Clique aqui pra ler a matéria.

Enquanto isso no Brasil...

Governo fecha acordo sobre Código

Para pôr fim a impasse, margens degradadas dos rios terão proteção de 15 metros; as preservadas de desmatamento deverão se manter em 30 metros
15 de abril de 2011

 

Os ambientalistas e os ruralistas da Esplanada dos Ministérios fecharam na quinta-feira, 14, um acordo para negociar sem rachas internos a reforma do Código Florestal com o Congresso.
 
Na polêmica sobre as Áreas de Proteção Permanente (APPs), por exemplo, o Ministério do Meio Ambiente concordou em reduzir para 15 metros as APPs às margens já degradadas dos rios de até 10 metros de largura. Por sua vez, a Agricultura aceitou manter os 30 metros nas margens hoje preservadas do desmatamento.

Quem comandou a reunião que produziu o consenso técnico do Executivo foi o presidente da República em exercício, Michel Temer. "O governo tem de ter uma estratégia de diálogo com o Congresso", argumentou o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ao admitir que não seria possível negociar com ministros brigando entre si.

Os próprios aliados já vinham cobrando do governo que se acertasse internamente. Na semana passada, percebendo que havia "um conflito muito radicalizado" entre os vários ministérios envolvidos na polêmica e na iminência de uma derrota no Congresso, o PT deu um ultimato: "Só votamos o Código Florestal quando houver unidade no governo", disse o líder petista na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

Reserva Legal. Além das APPs às margens dos rios, o governo também se entendeu com os produtores rurais em outro conflito. A Reserva Legal (parcela da propriedade que deve manter a vegetação nativa) não precisará ser averbada em cartório. A proposta é que este processo seja simplificado, bastando uma declaração ao órgão ambiental.

A preservação das encostas também foi revista pelo governo. O tema apavorava a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que argumentava que o Código Florestal empurraria para a ilegalidade toda a produção nacional de café, uva e maçã. Pelo novo cálculo, ficarão preservados topos dos morros e encostas com inclinações acima de 45 graus, onde raramente se cultivam essas culturas.

Temer ponderou que era preciso fechar posições que servissem de parâmetro no diálogo com a base governista. O objetivo do consenso era garantir um marco regulatório que mantivesse intactas áreas hoje preservadas, ao mesmo tempo em que possibilitasse a recuperação de faixas degradadas, retirando os produtores rurais da ilegalidade.

"Agora temos o argumento técnico de que precisávamos para trabalhar a unidade da base", comemorou o líder Teixeira, ao informar que o PT destacou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para negociar as polêmicas com os partidos da base aliada, em busca de um consenso político para votar o novo Código.

PROPOSTA POLÊMICA x ACORDO

Moratória
A ideia de dar uma moratória de cinco anos para quem desmatou, proposta pelo relator Aldo Rebelo, foi abandonada.

Desmate autorizado
Novas autorizações para corte de vegetação nativa têm apoio de ruralistas, parte dos ambientalistas, governo e entidades estaduais da área.

Área de Proteção Permanente (APP)
O relatório aprovado na Câmara reduziu pela metade, para 15 metros, a área de proteção às margens dos rios de até 10 metros de largura. Governo, ambientalistas e entidades estaduais defendem a manutenção da APP em 30 metros.

O acordo: Ministério do Meio Ambiente concordou em reduzir para 15 metros as APPs às margens já degradadas dos rios de até 10 metros de largura. Por sua vez, a Agricultura aceitou manter os 30 metros nas margens hoje preservadas do desmatamento
Direito de não recompor

A dispensa da recuperação da reserva legal em áreas de até 4 módulos fiscais é a maior polêmica no texto. O relator Aldo Rebelo mantém a proposta, com apoio de ruralistas.

Mais pontos de acordo:
A Reserva Legal (parcela da propriedade que deve manter a vegetação nativa) não precisará ser averbada em cartório. A proposta é que este processo seja simplificado, bastando uma declaração ao órgão ambiental.

A preservação das encostas também foi revista pelo governo, para proteger a produção nacional de café, uva e maçã.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110415/not_imp706488,0.php

P.s.: Apesar de ser notícia do Estadão, considerei razoavelmente neutra, menos tendenciosa que o usual... :)




segunda-feira, 11 de abril de 2011

Campanha Nacional contra o uso de agrotóxicos



Enquanto se discutem as mudanças no Código Florestal (Lei Federal 4.771/65), continuamos a conviver com a triste realidade da guerra diária pela alimentação de qualidade. Tive a alegria de estar com amig@s querid@s no Rio, neste fim de semana, de tomar deliciosos sucos, comer coisinhas nordestinas maravilhosas, sabendo da procedência orgânica dos produtos. Sim, eles são, assim como eu, preocupad@s com o que comem, bebem, vestem, falam... Quando chego a Taubaté, de volta de lindos dias, a dificuldade de obter alimentos do bem volta junto. Isso aqui tem sido uma labuta!

Enfim, dando uma espiada nos blogs que sigo, achei uma notícia que me pareceu boa, inicialmente. Foi lançada a Campanha Nacional contra o uso de agrotóxicos no Brasil. Inicialmente, eu disse, e me explico: atuando dentro de um órgão ambiental, do governo, vejo que a guerra sangrenta ruralista x ambientalista está longe de terminar. De cada lado, interesses muitas vezes obscuros e pouco éticos. Dinheiro, poder, dinheiro, poder... egoísmo, desligamento do sagrado (em sua mais natural tradução), ignorância, preguiça de pensar, preguiça de agir, hedonismo exagerado, imediatismo. Todos os dias observo, consternada (às vezes nem tanto) as ações e reações de muitas pessoas que são, além de profissionais de extensão, especialistas ambientais, produtores, diretores de empresas e órgão públicos, pessoas! Pessoas humanas, perdidas nesse mundão... Difícil saber que rumo vai tomar essa campanha. Mas a esperança cutuca o tempo todo e eu gosto!

Pesquisando, também descobri um blog da campanha, onde há informações interessantes sobre o tema: http://mpacontraagrotoxicos.wordpress.com/
O link do Blog Em Pratos limpos, onde está o que li de primeira, você pode acessar aqui.

A publicação original está no Site da FioCruz (onde, por acaso já trabalhei) e copio aqui da forma em que se apresenta. De qualquer forma, o link para a chamada você acessa aqui.

08/04/2011

Lançada campanha nacional permanente contra o uso de agrotóxicos

Raquel Júnia - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio - EPSJV/Fiocruz

Movimentos sociais e pesquisadores afirmam que é possível e urgente produzir sem venenos que afetam a saúde humana e do meio ambiente

Suco de frutas, verduras, legumes, cereais. Alimentação saudável? Nem sempre. Lançada nesta semana, no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Campanha permanente contra o uso de agrotóxicos e pela vida pretende alertar que o veneno usado nos cultivos agrícolas brasileiros prejudica muito a saúde das pessoas e do meio ambiente. De acordo com a organização da campanha, com os atuais níveis de utilização de agrotóxicos, cada brasileiro consome em média 5,2 kg de veneno por ano e o Brasil foi considerado em 2009, segundo o sindicato dos próprios produtores de defensivos agrícolas, o maior consumidor destas substâncias pelo segundo ano consecutivo. A campanha é organizada por mais de 20 entidades e movimentos sociais, que pretendem realizar atividades em todo o país para conscientizar sobre a necessidade de outro modelo de produção agrícola, sem utilização de veneno e baseado no respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, para aí, sim, produzir alimentos verdadeiramente saudáveis.
A campanha escolheu o Dia Mundial da Saúde para lançar oficialmente as atividades. Mas, mesmo antes da data, seminários, palestras e outros eventos tiveram como tema o prejuízo dos agrotóxicos à saúde. Em Brasília, uma passeata contra o uso de agrotóxicos e em defesa do código florestal reuniu mais de duas mil pessoas. A atividade fez parte da Jornada contra o Uso de Agrotóxicos, em Defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária, realizada nos dias 6 e 7 de abril. O professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília, Fernando Carneiro, presente nas atividades da jornada, conta que os eventos foram lotados. Para ele, lançar a campanha no Dia Mundial da Saúde é muito simbólico. “Quando se fala de saúde da nossa população sempre se associa à fila de hospitais, mas hoje [7 de abril] foi uma manhã histórica porque estávamos discutindo verdadeiramente o conceito ampliado de saúde, discutindo o modelo agrícola brasileiro, o que este modelo tem gerado em termos de impacto às populações e as dificuldades do próprio sistema de saúde em notificar os problemas decorrentes do uso de agrotóxicos”, detalha.
O professor explica porque as lutas contra o uso de venenos na agricultura e em defesa do código florestal são convergentes. “A bancada ruralista quer alterar a legislação para liberalizar os agrotóxicos. No código florestal, vemos o mesmo movimento. E quem está por trás destas duas articulações é o próprio agronegócio: querem desmatar mais áreas e querem ter isenção de impostos para agrotóxicos. Além disso, os temas se relacionam porque à medida que se limita a proteção das nascentes com a mudança no código florestal, por outro lado, se facilita a contaminação da água pelos próprios agrotóxicos. Então, são temas com interação muito grande, que significam ameaça à biodiversidade, à qualidade da água, elementos vitais para o nosso país”, diz.
Para a coordenadora do Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rosany Bochner, é necessário negar totalmente o uso dos agrotóxicos devido aos prejuízos que tem causado à saúde. “É preciso deixar claro que o que queremos com a campanha não é usar produtos menos tóxicos, não é nada paliativo. Nós não queremos mais agrotóxicos de nenhuma forma. É uma mudança de filosofia, temos que partir para produzir diversidade. Vamos ter que comer diferente, que fazer muita coisa e não depende só do agricultor, depende também da população, porque do jeito que está não é possível mais ficar”, reforça. Rosany, que também é consultora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), participou, junto à EPSJV/Fiocruz e a Via Campesina, de um seminário na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) sobre os impactos dos agrotóxicos.
No dia 7 de abril, também foram realizadas atividades no Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Sergipe e Goiás. Em Limoeiro do Norte, no Ceará, nos dias 19 e 20 de abril, serão realizadas várias mobilizações contra o uso de agrotóxicos e em protesto pela impunidade do assassinato do líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, que denunciou os impactos dos agrotóxicos na região. No dia 21 de abril faz um ano que o agricultor foi assassinado próximo de casa e as investigações, até o momento, não apontaram os autores do crime.
Também no Dia Mundial da Saúde, na Câmara Federal, uma subcomissão especial criada para avaliar as conseqüências do uso de agrotóxicos para o país realizou uma audiência pública sobre o tema com a presença da Anvisa, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), órgão favorável ao uso dos venenos nos cultivos. De acordo com a Agência Câmara, Anvisa e MPA divergiram radicalmente do representante da CNA. “Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu a modernização do uso desses insumos, um representante da Anvisa e uma deputada apontaram os efeitos negativos para a saúde humana. Já o representante dos pequenos agricultores defendeu o fim do uso dos agrotóxicos”, informou a Agência Câmara.

Riscos à saúde
O material da campanha alerta que os agrotóxicos causam uma série de doenças como câncer, problemas hormonais, problema neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças de pele, problemas de rim, diarréia, entre outras. Recentemente, uma pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul detectou a presença de agrotóxicos no leite materno. “Diante de tantas evidências de problemas, não há mais o que discutir. Este leite envenenado é muito grave, não dá mais para ter meio termo. Sabemos que é uma luta de Davi contra Golias, porque são empresas extremamente poderosas [as empresas produtoras de agrotóxicos]. Mas eu queria saber se eles comem estes produtos cheios de agrotóxicos”, questiona Rosany.
Além da proibição definitiva do uso de venenos, a campanha afirma ainda que a saída para uma alimentação saudável e diversificada está no fortalecimento da agricultura familiar e camponesa. Para isso, propõe uma série de ações, como a reforma agrária para acabar com os latifúndios, o fim do desmatamento, a geração de trabalho e renda para a população rural, o uso de novas tecnologias para acabar com a utilização de agrotóxicos e a produção baseada na agroecologia .

De acordo com Rosany, a Anvisa está muito disposta a discutir o uso destes produtos tóxicos, entretanto, existe uma resistência de setores do próprio governo e do legislativo. “Tem uma bancada ruralista que quer liberar a todo custo os agrotóxicos”, pontua. A pesquisadora destaca também as dificuldades de informação sobre os riscos de agrotóxicos no sistema de saúde. “Não estamos acostumados a trabalhar com casos crônicos, as redes de saúde não conseguem relacionar os sintomas com a exposição aos agrotóxicos, dificilmente as pessoas fazem essa relação e isso dificulta muito na hora da discussão porque eles [os defensores do uso de agrotóxicos] falam que não temos evidências. Temos que fazer um esforço maior nisso, fazer um treinamento melhor nos serviços de saúde, mas é preciso investimento”, afirma.
Para Fernando Carneiro, o Ministério da Saúde ainda é muito omisso em relação ao enfrentamento do problema de identificação das intoxicações, tanto no campo da saúde do trabalhador, quanto da saúde ambiental. “Eu quero que o Ministério da Saúde faça campanha sobre os riscos dos agrotóxicos. Como faz com a campanha contra a Aids, pelo uso da camisinha. O Ministério poderia investir também para fazer cartilhas e difundir informações sobre os riscos dos agrotóxicos. Hoje, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio, para fazer apologia ao uso”, alerta.

terça-feira, 29 de março de 2011

Paracetamol e dengue: quando o remédio se transforma em risco


Apesar de não concordar com a abordagem sobre a homeopatia e as considerações feitas no site sobre o assunto, acho interessante a discussão sobre o uso de paracetamol, já que por aqui a dengue é uma realidade cada dia mais palpável.


O uso do paracetamol é recomendado pelo Ministério de Saúde no tratamento dos casos de dengue. Mas será que o que parece consenso está, de fato, certo? Segundo Renan Marino, professor assistente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-FAMERP e professor do Instituto Homeopático François Lamasson, de Ribeirão Preto, a resposta é não. Em entrevista ao Ecomedicina ele explica os riscos do uso do paracetamol em pacientes com dengue e indica qual deve ser, na opinião dele, o tratamento da doença. Confira!

Ecomedicina: O uso do paracetamol é recomendado pelo Ministério de Saúde no tratamento da dengue. Por que esta recomendação?

Renan Marino: O paracetamol foi a única droga recomendada pelo Ministério da Saúde para tratamento dos sintomas da dengue até 2001, quando, em razão do aumento de graves lesões hepáticas em casos de dengue tratados com paracetamol, decidiu-se por acrescentar também a dipirona como opção. Sempre causou muita estranheza a indicação hegemônica por tantos anos do paracetamol na dengue, uma vez que se trata de conduta absolutamente aleatória, sem nenhuma base científica, até mesmo pelo fato de não existir sequer um único estudo no mundo mostrando a viabilidade e segurança desta orientação.

Ecomedicina: Em sua opinião, o medicamento é, de fato, indicado no tratamento da doença? Por quê?

Renan Marino: O paracetamol não pode ser dado a pacientes com dengue por uma razão muito simples: contraria a lógica mais elementar do raciocínio terapêutico administrar uma droga dotada da mais elevada hepatotoxicidade, responsável "número um" e, portanto, maior causa de transplantes de fígado nos USA e na Grã-Bretanha há vários anos, em uma patologia que tem como agente etiológico um flavivírus, cujo hepatotropismo causa importante inflamação hepática em 100% dos casos, como verificamos na ação de todos os quatro sorotipos virais da dengue. Aliás, outros flavivírus também são conhecidos por atacar o fígado, como é o caso do vírus da hepatite C e da febre amarela. Isto nos leva a esclarecer que a dengue é essencialmente uma hepatite viral, o que explica perfeitamente sua sintomatologia, bem como o curso habitual da doença e principalmente suas complicações.

Ecomedicina: Que efeitos o paracetamol pode causar em um organismo saudável e em uma pessoa com dengue? Quais os riscos?

Renan Marino: A diferença do efeito do paracetamol em um indivíduo "normal" ou em um paciente com dengue se deve ao seguinte fato: em pacientes sem lesão hepática a hepatoxicidade do paracetamol é dose-dependente, isto é, acima de 4g diárias, quando é excedida a capacidade de metabolização da droga via sulfatação, glicuronização e sistema do citocromo p-450; já no quadro de dengue a hepatoxicidade não é dose-dependente, uma vez que a depleção da glutationa, como é próprio e característico dos quadros virais, faz com que esta substância produzida em condições normais pelo fígado para tamponar os metabólitos reativos do paracetamol, uma vez inibida e ausente, deixe livre o para-amino benzoquinona-imina, resultante desta cadeia de reações, para fazer uma forte e irreversível ligação covalente com as paredes do hepatócito resultando em extensas áreas de necrose hepática.

Ecomedicina: Estudos indicam que o paracetamol, em grandes quantidades, pode afetar o fígado. Médicos dizem, também, que entre as possíveis complicações da dengue estão alterações hepáticas. Diante disso, a indicação do medicamento não é, portanto, incoerente?

Renan Marino: Do exposto resulta que, na verdade, os quadros atribuídos à "dengue hemorrágica" correspondem à iatrogenia desencadeada pelo uso do paracetamol nestas condições descritas, podendo ser perfeitamente controlados e evitados.

Ecomedicina: O emprego deste fármaco tem relação com a elevação da mortalidade em consequência da doença? Por quê?

Renan Marino: Não procede, diante das observações clínicas que temos acompanhado ao longo dos últimos dez anos, a famigerada teoria sequencial de Halstead, segundo a qual os casos graves e hemorrágicos ocorreriam em indivíduos com histórico anterior de dengue por um dos quatro sorotipos que, ao contrair a doença novamente, teriam risco elevado para complicações em decorrência da liberação de aminas vasoativas pelos monócitos previamente infectados por outro sorotipo, cujas reações em cascata levariam a graves alterações circulatórias e da coagulação. O que faz a diferença na dengue é tão-somente tomar ou não tomar paracetamol. Nada mais. Como orientação geral: ingerir grandes quantidades de líquidos para garantir a hidratação, repouso, alimentação leve e apenas dipirona para ajudar no controle da febre e dores.

Ecomedicina: Qual, em sua opinião, deveria ser a conduta adotada com pacientes com dengue? Como pode ser controlada a febre e amenizada as dores decorrentes da infecção?

Renan Marino: No seguimento da doença recomendamos hemograma completo, para monitorar os níveis de neutrófilos e contagem de plaquetas, bem como de ALT (TGP) e AST (TGO). O paciente somente se restabelece para voltar às suas atividades normais quando as transaminases caem abaixo de 100 UI, o que na minha opinião deve ser o critério de alta para o doente.

Fonte: Site Ecomedicina - www.ecomedicina.com.br

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tecnologias no mínimo muito interessantes - Biblioteca Digital Mundial

Recebi na lista de discussão que assino há tempos, Sociedade Alternativa, o link para a Biblioteca Digital Mundial, que promete acesso aos mais variados tipos de documentos de todo o mundo. Segundo o próprio site, a biblioteca disponibiliza na internet, gratuitamente e em formato multilíngue, importantes fontes provenientes de países e culturas de todo o mundo.

Sobre a Biblioteca Digital Mundial (retirado do próprio site):

A Biblioteca Digital Mundial possibilita descobrir, estudar e desfrutar de tesouros culturais de todo o mundo em um único lugar, de diversas formas. Estes tesouros culturais incluem - mas não estão limitados a - manuscritos, mapas, livros raros, partituras, gravações, filmes, gravuras, fotografias e desenhos arquitetônicos.
Os ítens da Biblioteca Digital Mundial podem ser facilmente pesquisados por lugar, período, tema, tipo de item e instituição contribuinte, ou podem ser localizados por uma pesquisa aberta, em vários idiomas. Características especiais incluem agrupamentos geográficos interativos, cronologia, sistema avançado de visualização de imagens, além de capacidades interpretativas. Descrições relacionadas aos ítens e entrevistas com curadores sobre os ítens apresentados fornecem informações adicionais.

Ferramentas de navegação e descrições de conteúdos são fornecidas em árabe, chinês, inglês, francês, português, russo e espanhol. Muitos outros idiomas estão representados nos livros, manuscritos, mapas e fotografias reais e em outros materiais essenciais, que são fornecidos em seus idiomas originais.
A Biblioteca Digital Mundial foi desenvolvida por uma equipe da Biblioteca do Congresso dos EUA, com contribuições de instituições parceiras em muitos países, o apoio das Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO); e o apoio financeiro de uma série de empresas e fundações privadas.

Acesse o site da Biblioteca Digital Mundial aqui e boas pesquisas!

Soberania alimentar nos EUA

Cidade nos Estados Unidos declara soberania alimentar

Com a medida, os produtores podem vender produtos locais sem esbarrar em regulamentações federais ou estaduais

por Globo Rural Online
ThinkStock
Produção de abóbora no estado do Maine, nos Estados Unidos

Os cerca de mil moradores da cidade de Sedgwick, em Maine, nos Estados Unidos, aprovaram em reunião municipal uma iniciativa intitulada de soberania alimentar. Com a medida, os produtores podem vender produtos locais sem esbarrar em regulamentações federais ou estaduais, por considerar um direito do cidadão a escolha da própria comida.

O decreto diz que produtores e processadores de alimentos locais estão isentos de licenciamento e fiscalização quando o produto é comercializado para consumo doméstico.

A portaria está sendo considerada revolucionária pela mídia do país, na medida em que repassa para o consumidor a responsabilidade de se educar e escolher os produtos que consome, mesmo com o risco de ingerir alimentos que podem comprometer sua saúde como leites, queijos, carnes e legumes. Neste caso, não cabe mais ao estado prevenir a população dos alimentos que consome.

A cidade alcançou o direito com base nas próprias normas regulatórias do país que concedem aos municípios o direito de regular a saúde, a segurança e o bem-estar do povo.

Sedgwick foi a primeira cidade a declarar o ato e inspirou mais três localidades do condado de Hancock, no estado, que estão agora à beira da adoção de medidas similares. A ideia é alcançar a permissão de comercializar alimentos que não cumpram inspeções e regras de processamento, segundo informações da publicação americana Abas Journal.

A medida, em inglês, pode ser acessada clicando aqui e a matéria pode ser acessada aqui.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Receitas Muito Legais - Salada Quilombola de Flor de Bananeira (Receita Vegana)

A bananeira (acho que essa é nanica). Foto: Eliana Moraes


Essa postagem vai pra Vera Falcão do blog www.cozinhanatureba.blogspot.com e para quem mais curtir! Oba e axé!


Aprendi essa receita na comunidade quilombola da Casa de Farinha, em Ubatuba, em uma das festas de azul marinho preparadas pelo próprio povo da comunidade, anualmente. O azul marinho é um prato tipicamente africano, preparado com peixe e banana verde cozidos em panela de barro. Serve-se com arroz e uma salada deliciosa, feita com a flor da bananeira. Envio a receita da salada, vegan, sustentável e gostosa.

Salada Quilombola de Flor de Bananeira

2 corações (umbigos) de bananeira prata
2 cebolas médias picadinhas ou em rodelas fininhas
2 colheres de azeite de oliva
Algumas azeitonas picadas ou alcaparras
Bastante cheiro-verde picadinho
Sal, vinagre ou limão e folhinhas de temperos a gosto


Foto 1: Particularmente prefiro as rodelas mais fininhas, mas o negócio é experimentar!

Corte em rodelas fininhas os corações de bananeira começando pela ponta. Coloque tudo em uma panela e cubra com água. Leve para ferver. Assim que levantar fervura, escorra na pia (vai desprender um caldo roxo-amarronzado, cheio de tanino). Encha de água fria novamente e repita o processo por mais duas vezes (as três fervuras tiram o amargo). Você pode usar uma peneira ou escorredor de macarrão ou arroz. Esfrie com água fria e coloque em uma tigela juntamente com a cebola picadinha, o vinagre ou limão, o azeite, os temperos e o sal. Deixe tomar gosto por algumas horas, essa é daquelas receitas que quanto mas curtidas melhor...



Foto 2: A salada pronta fica mais ou menos assim.

Observações:
- Aprendi a fazer com o umbigo da bananeira tipo prata. A caturra ou nanica não dá certo, segundo os quilombolas. As outras variedades nunca testei nem perguntei, mas podemos tentar.
- O caldo que sai da primeira fervura é um indicador químico de Ph. Uso para brincar com as crianças, colocando bicarbonato de sódio em um copo de caldo e vinagre ou limão em outro. Ficam lindas as cores!
- Tem gente que incrementa a receita e coloca tomates, pimentões, alho... fica bão também.
- Ás vezes eu faço um refogado com as fibras em um pouco de azeite e alho, sem os temperos da salada. Fica excelente e descobri que é uma receita comun nas roças mineiras.
- Essa salada é rica em fibras e minerais.

Bon apetit! :-)

Em tempo: como eu não tinha fotos da salada ou do processo, retirei a foto 1 do http://cozinhadacrala.blogspot.com/2010/07/umbigo-de-banana.html e a foto 2 do http://marisafosiq.bloguepessoal.com

sexta-feira, 11 de março de 2011

Receitinhas naturebas - Quibe de abóbora! (Receita Vegana)

Resolvi postar uma receitinha super natureba, vegan e deliciosa que enviei por email hoje para a Angela do blog http://cafezinhocombiscoito.blogspot.com . Vai então a receita do Quibe de Abóbora:
  
Ingredientes

1 xíc. chá de trigo para quibe (triguilho)
 2 xíc chá de abóbora cozida e amassada (deve ser a de polpa vermelha ou alaranjada, tipo moranga)
2 dentes de alho picadinhos
1 cebola média picadinha ou ralada
1 col sopa de azeite de oliva
1/2 maço de hortelã fresca ou a gosto e sal a gosto

Observações:
* A quantidade de triguilho e abóbora dão o ponto mais seco ou mais massudo para o quibe. Eu particularmente prefiro com mais abóbora.
* Se a abóbora tiver a casca macia (é o caso da Kabotia, Hokkaido ou abóbora japaosesa, de casca escura, mas há outras morangas de casca macia tb), não descasque! Cozinhe e amasse tudo junto, tb fica ótimo e mais nutritivo.
* A hortelã, reza a lenda, deve ser a pimenta. Mas sabe que até prefiro a outra, aquela verde-vivo, com cheio de menta. se gostar muito ponha muito, se não gostar, não precisa nem de colocar.
* Essa quantidade de alho é para um quibe mais suave. Eu às vezes ponho mais, às vezes menos, depende da situação.

Modo de preparar
Deixe o triguilho hidratar (eu coloco água bem quente até cobrir um pouquinho só o trigo, em 10 minutos terá dobrado de volume e estará pronto para uso).
Misture a abóbora, o trigo hidratado, a cebola e o alho, o azeite, o sal e por último a hortelã bem picada. Se não estiver dando boa liga (se a abóbora for muito fibrosa ou for muito suculenta, acontece), coloque umas 2 colheres de farinha de trigo branca 9integral não dá boa liga, geralmente). Mas não coloque farinha demais, pois deixa o gosto estranho.
Unte uma forma retangular média (para um quibe mais baixo) ou pequena (para um mais altinho) e enfarinhe (farinha branca, integral, farelo de trigo, gérmem de trigo, tudo dá certo).
Abra metade da massa no fundo da forma, cobrindo tudo, com cuidado para não soltar a farinha do fundo. Escolha um dos recheios abaixo e cubra a camada de massa. Por cima do recheio, mais uma camada com o restante da massa. Acerte a superfície com uma colher. Faça riscos cruzados (tipo um gradeado ou xadrez) e regue esses riscos com azeite de oliva. Leve ao fogo médio por uns 20 minutos e tcharammmmm.... sirva com salada verde ou com qualquer coisa, que vai bem tb.

Recheios

De tomate e cebola
2 tomates maduros
1 cebola grande
Sal a gosto
Temperos a gosto (folhinhas verdes, pimenta, sementinhas, cominho, coentro, cheiro-verde)
Refogue rapidamente tudo junto em um pouco de azeite e reserve.


De tomate seco e azeitonas
100g de tomates secos hidratados ou conservados no óleo
50g de azeitonas
Pique tudo e misture. Reserve.

De ricota ou tofu
1/2 bloco de tofu ou 1/2 ricota de 500g
Temperos a gosto (folhinhas verdes, pimenta, sementinhas, cominho, coentro, cheiro-verde)
Amasse a ricota/tofu e misture os temperos. Reserve.

De Homus tahine (esse é supimpa!)

300g de homus tahine pronto ou
300g de grão de bico cozido, descascado e amassado misturado com duas colheres de sopa de tahine e a mesma quantidade de azeite de oliva. Misture bem até ficar cremoso (pode bater no liquidificador) e misture sal, alho e limão a gosto. Reserve.

Assado no forno à lenha fica com um gostinho defumado bão demais. Mas no a gás tb fica ótimo!

Gente, claro que existem mil recheios diferentes para o quibe, é usar a criatividade que dá certo. E aos poucos a gente vai aprendendo como gosta mais, variando os temperos, as abóboras e fazendo mais sucesso! ;) 




quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Coletores menstruais



O coletor mensatrual é uma alternativa ecológica, saudável e higiênica aos absorventes femininos. Trata-se de um pequeno copo cônico, produzido em material atóxico (silicone médico ou plático elástico) que, ao ser inserido no canal vaginal, recolhe o sangue menstrual através do vácuo formado. O coletor pode ficar inserido por até 12 horas seguidas (!), não causa incômodo se utilizado corretamente, não causa alergias, ao contrário dos absorventes internos e externos, pode ser usado á noite e durante qualquer prática esportiva e não polui o meio ambiente, além de durar até 10 anos!

Ou seja, é um achado. E foi achado, aliás, desenvolvido, lá atrás, na década de 1920, por uma mulher (claro!) de vanguarda.

Segundo pesquisas, o coletor menstrual é produzido industrialmente desde a década de 1930 (há registros de coletores rudimentares circulando desde 1867). O primeiro coletor patenteado era assinado por Leona Chalmers e foi concebido nos Estados Unidos com o nome de Tass-ette; a idéia era fabricá-lo em borracha vulcanizada. Houve uma venda e divulgação significativa do coletor nesta década, e se seguiu um longo silêncio acerca do assunto.
Na década de 1950, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial foram fabricados coletores nos Estados Unidos; a fabricação foi interrompida sem lucros anos depois, em 1963, por carência de látex, e por não ter se tornado muito popular, devido à opinião das mulheres: o achavam muito grande, rígido e pesado, além da questão cultural que envolve a manipulação da genitália e das secreções vaginais.


Há alguns meses descobri o coletor, pesquisei mil, comprei um e estou feliz e contente com ele. Fiquei até meio mal por ter passado longos 15 anos menstruando sem saber que ele existia... hahahaha

Enfim, para quem quiser saber mais, vão links que podem ajudar:


http://www.meluna.com.br/ (comprei o meu aqui)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lugares Peculiares! Costa Norte de Ubatuba

 Há tempos quero postar sobre Ubatuba por aqui. Lindo litoral norte do Estado de São Paulo. Praias limpinhas, paisagens maravilhosas, mar verde e calmo e se o céu estiver azul e iluminado, não existe lugar mais lindo. É bom de ficar na pousada da querida Eliane Penna Firme, a Pousada Betânia, com seus chalés confortáveis e astral lá no alto. A pousada fica em frente à entrada da Praia do Estaleiro e pertinho das praias mais lindas da região, exatamente no meio dos 70 km que separam Ubatuba de Paraty. A Praia da Fazenda, na minha opinião top total, fica ali pertinho, a uns 6 km da pousada. Ali, existe o Camping Caracol que, gerenciado pelo nosso amigo Mayr, é também uma ótima pedida para quem quer dormir e acordar com o mar.

Claro, sempre conhecemos pessoas interessantes e interessadas quando passamos nossas temporadas por lá. Afinal, não é lugar comum, é especial, assim como as pessoas que frequentam.

Ainda tem muita história pra postar sobre esses lugares lindos e essa gente maravilhosa. E assim será, aos poucos.

Vale a pena.

Praia do Prumirim



Praia da Fazenda

Praia da Fazenda e Símbolo da Picinguaba ao fundo






 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Receitinhas Naturais - Inseticida para cachorro!

Estudando a Convenção de Estocolmo sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes - ou POPs - descobri que a partir da sua ratificação pelo Brasil, ela tornou-se decreto por aqui (Decreto Federal 5.472/2005). A Convenção determina que os governos promovam as melhores tecnologias e práticas no campo tecnológico para substituição dos POPs utilizados e previnam o desenvolvimento de novos POPs, tendo como objetivo final sua eliminação total.

São conhecidos hoje doze POPs, sendo oito agrotóxicos, dois produtos industriais e dois produzidos não-intencionalmente a partir da incineração de matéria orgânica em presença de cloro (dioxinas e furanos).

Bem, sou avessa aos agrotóxicos e adepta da agroecologia, apesar de ser constantemente criticada e injustamente acusada de utópica. Mas poucos críticos possuem argumentos realmente convincentes sobre sua posição.

Chorumelas à parte, crio aqui um espaço para divulgar receitinhas naturais, orgânicas, não prejudiciais ao ambiente e, claro, que funcionam! 

Vai então uma receita de inseticida natural para cães (uso também nos meus gatos, principalmente porque não me sinto à vontade ao vê-los lambendo veneno insistentemente para se limpar). Essa receita foi me passada pela minha querida amiga Lu Spinelli, que por sua vez, recebeu de alguma outra amiga querida.

Inseticida Tópico Bom pra Cachorro

1 litro de álcool
1 copo americano de vinagre
30 pedras de cânfora de farmácia (usei em pó, uns 100g)
1 saquinho de cravos-da-índia

Misture todos os ingredientes, deixe em local escuro por 3 dias no mínimo, assim os ativos do cravo são liberados. Coe e coloque em um borrifador (pode ser qualquer um, aqueles de produtos de limpa-vidros ou "passe-bem", por exemplo). Borrife em todo o bichinho, da cabeça à cauda, de preferência levantando os pelos, até encharcar bem. Borrife também no ambiente, na casinha, nas roupinhas do animal. O remedinho mata pulgas, carrapatos e ovos, com sucesso.

O ideal é reaplicar ao menos uma vez por mês se a infestação é muita. Para animais mais comportados, pode-se alargar o tempo de aplicação.

Observação: No início, já que os parasitas em geral picam e irritam a pele, o animal pode ficar um pouco desesperado (imagine a sensação de passar álcool e vinagre em machucadinhos!!). Sendo assim, segure firme, ou peça que alguém segure. Lembre que apesar de não parecer, isso será bem melhor para seu bichinho do que envenená-lo! Lembre-se também que só na primeira ou quem sabe na segunda aplicação será mais difícil. As próximas aplicações serão apenas preventivas, já que o animal estará, então, livre de picadas!

Dica: É bom arranjar um lugarzinho para seu bichinho no dia da aplicação. A cor do remédio é escura e o bicho VAI QUERER se esfregar em todo canto da casa, para tentar tirar, portanto, há grandes chances de sujar e manchar sofás, paredes, roupas, camas... Além disso, no primeiro dia o cheiro pode ser meio forte para narizes mais sensíveis. Nada de dar banho no amiguinho durante pelo menos uns três ou quatro dias após aplicar o remédio.

E viva o mundo livre de pesticidas venenosos!

Camille Claudel odeia "intervenções" humanas em sua vida. Aplicar remédios é uma aventura.

Bituca e Rodin são mais calminhos. Se irritam menos e acabam esquecendo rápido o incômodo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Arte! - Os Filtros dos Sonhos

Hoje estava ali na sala admirando a Borboleta-Filtro dos Sonhos que ganhei há poucos dias, da minha querida amiga Tita. 

Coisa dela essa invenção. E das mais lindas, já que o Filtro dos Sonhos simples (se é que se pode chamar um mimo desses de "simples") já é tão inspirador. 

Foi essa mesma amiga que, há alguns anos, me ensinou a fazer essas lindas teias. Na beira de um fogão à lenha, um frio de dar medo, lá em Rio Acima, pertinho de BH... Fiz o primeiro ainda lá, com a ajuda e os retoques dela... depois não parei mais, fiz tantos que já perdi a conta, ensinei tantas pessoas, dei tantos deles de presente... Mudei tamanho, cores, materiais. 

E uma vez, no auge da filtração, me aparece a Tita, com sua novidade: as tais Borboletas-Filtro dos Sonhos. Ainda são mais lindas, delicadas e leves. Coloridas, asas abertas, fechadas... muitas em um fio, uma só grande e voadora...

Apaixonei-me, são mesmo deslumbrantes. 

Hoje existem os Filtros em vários modelos, já vi quadrados, triangulares (belíssimos esses, com lindas tramas e simbolizando o Sagrado Feminino), arqueados. Mas ainda estou para ver algum que se compare e beleza às Borboletas da Tita!

História dos Filtros dos Sonhos: 


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lugares Peculiares! - A tulipa de Paraibuna

Algumas coisas me deixam realmente impressionada, como a capacidade humana para arquitetar, calcular e produzir estruturas. Estruturas. Várias formas, várias funções. 

  Visitando a trabalho a represa da CESP (Companhia Energética de São Paulo) em Paraibuna, Vale do Paraíba, descendo a Serra do Mar para cair lá em Caraguatatuba... (deu pra saber mais ou menos onde é?)... me deparei com uma novidade (para mim, pois já descobri que é comum e antiiiiiiiigo): a tulipa. A tulipa serve para auxiliar evitando a inundação. Sim, em tempos de chuva (como agora, que cai água que não acaba), a lâmina d'água se levanta, muitos metros acima do seu nível normal. Assim, a água escorre através da tulipa, por baixo da terra (morro de medo dessas coisas por baixo da terra) e finalmente dá num vertedouro fortíssimo, lá do outro lado, engossando o rio abaixo...

É lindo de ver (alguns acham estranho achar aquela imagem linda) a água descendo, como num rodamoinho gigante, que leva a gente pras lembranças dos medos da infância. 
A Tulipa
Naquele dia, placas de terra e grama se desprenderam das margens e pudemos observá-las sendo tragadas pelo ralo gigantesco. Foi, digamos, pitoresco. ;)

Coisas Simples da Vida (e lindas!) - A história do Araçá


Psidium myrtoides (Myrtaceae): Araçá-roxo



E eis que caminhando meio assim, perdida, pela cidade, encontro um carregadíssimo pé de Araçá-roxo. Muito prazer, não conhecia, como filha do cerrado que sou e obviamente devido à ameaça de extinção que há tempos cerca a frutinha.

A verdade é que senti de longe o cheiro doce e azedo que vinha do arbusto que possivelmente foi plantado ali para ajudar na arborização urbana. Muitos frutinhos verdes, roxos e pretos, lisos - os verdinhos pareciam goiabinhas mini - e cheirosos. Pensei que só poderia ser alguma de nossas abençoadas espécies da Mata Atlântica e certamente preciosa. Assim, colhi um montão.

Perguntei pra um e pra outro, nada. ninguém  soube, ninguém identificou. Recorri, logicamente, ao meu amigo de todo tempo, Harri Lorenzi, que me indicou umas dez possibilidades. De todas, fiquei com o Araçá-roxo.

Mais uma descoberta, mais um mimo desse lugar onde escolhi viver por um tempo. E dessa forma, vou conhecendo a vida e o mundo. E vou lá apanhar mais araçá!

Blogs legais

Estou em plena pesquisa e procura por Blogs e sites realmente interessantes e bem feitos. A busca é árdua e o caminho tortuoso.... mas vamo tentando!

Minha maior emoção dos últimos tempos foi encontrar blogs da Sônia Hirsch, minha salvadora da pátria de tantas horas desesperadas. Segui o DEIXA SAIR e posto aqui os endereços dos três que encontrei:

http://www.soniahirsch.com/
http://cartilhaleitedemae.blogspot.com/
http://candidiaseapraga.blogspot.com/

Esses três sítios trazem dicas de saúde, alimentação, cultura da melhor qualidade!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lugares Peculiares!

Bonito - Mato Grosso do Sul
Piraputangas no Rio Formoso - Balneário Municipal (Foto: Kenia Bahr)

Em primeiro lugar: beleza natural extraordinária! 

Água limpíssima, transparente, temperatura agradável, fauna rica, principalmente a ictiofauna. Tudo calcáreo, o que além de filtrar a água e torná-la tão límpida, resseca a pele e o cabelo. Nada que bons hidratante e condicionador não resolvam, por alguns dias...

Existem formas mais interessantes (do meu ponto de vista, claro) de se conhecer Bonito, alternativamente aos sistemáticos "pacotes" e "passeios" oferecidos (para não dizer empurrados) pelas agências de turismo da cidade e da região. Voltei de lá com uma impressão de tentativa de exploração muito grande. As agências, hotéis, pousadas, motoristas e todo mundo envolvido de alguma forma na exploração do turismo (e do turista, diga-se de passagem), tentam exaustivamente nos convencer a fazer todos os passeios possíveis, de preferência dois ou três no mesmo dia. Os passeios são previamente programados e organizados por uma espécie de "máfia" composta pelos donos de agências/pousadas, guias turísticos e donos das propriedades. Por incrível que pareça, todos os lugares de visitação, com excessão do balneário municipal, encontram-se dentro de propriedades particulares e pagamos em peso de ouro para acessá-los (R$ 25 a R$ 360 :0). Além disso, os pacotes são tão assépticos, que o que se consegue ver com tantas filas e pessoas faladeiras, são macacos pregos super treinados a conseguir alguma comida e pobres araras vermelhas (belíssimas!) que derrubam as lixeiras dos banheiros para comer o lixo :'(.  O mesmo vale para passeios com mergulho, obviamente a fauna "nada correndo" quando toda aquela gente aparece. 
Arara cevada, coitada. (Foto: Eliana Moraes)

Outro problema grave em Bonito: transporte. Ou você aluga um carro pela bagatela de R$ 100/dia ou aluga um táxi (com motorista) por R$ 120. Como é tudo metodicamente organizado para o turismo, não há risco de se perder, existem placas indicativas para todos os lados.  


O bom é que SEMPRE existem alternativas ao sistema! Então fizemos o seguinte (por sinal nossa atitude foi vista com péssimos olhos pelos interessados nos pacotes): alugamos bicicletas e fizemos um mapa dos passeios que conseguiríamos realizar pedalando! Nada de motores roncantes, muito exercício físico e Bonito mostrou uma cara que os "turistas padrão" não vêem. Foi a mais sábia decisão. 

 A lista de passeios está disponível em vários sites da internet, vou postar uns links mais pro final. De todos os lugares visitei alguns que valeram a muito a pena, pude me deslocar de pedal e não tive que vender minhas roupas pra pagar (tsc tsc...)... 
- Balneário Municipal: é entrecortado pelo Rio Formoso, há pouca variedade de peixes porém grande densidade - milhares de piraputangas, muitos dourados e corimbas, entre outros menores. Há uma lontra enorme que mora na parte mais funda do rio e que pela manhã, antes do barulho mais intenso e dos movimentos mais fortes dos banhistas, pode ser avistada nadando e caçando ( tem o comprimento aproximado de uma criança de 12 anos!) A entrada custa R$ 15 na alta temporada (leia-se dezembro, janeiro e feriados nacionais) e R$ 10 na baixa, durante o restante do ano. Pode-se alugar um snorkel e um colete (opcional) por cerca de R$ 3,00 a hora ou R$ 5,00 pelo dia todo. Aí é só flutuar e observar. Lindo!


No balneário há três lanchonetes que vendem todo tipo de alimentos e bebidas. Aliás, falando em comida, fiquei um pouco assim com as típicas de lá. O povo lá bate na tecla de que carne de jacaré é comida típica de bonito, achei meio forçado. Acho que é mais um "impressiona turista", já que um espetinho de jacaré custa a bagatela de R$ 48,00. 
Apesar do toda aquela pecuária extensiva - milhares e milhares de cabeças de nelore por todo canto - as carnes de gado não são boas, experimentei em uns três restaurantes e fiquei só no experimento. Peixes também não se encontram com facilidade, apesar de ter comido pintado na brasa em um restaurante... não foi satisfatório. 


Da região há algumas frutas, como a guavira, o que aqui chamamos gabiroba. Clique aqui para mais informações sobre a  Guavira.

Outra que me chamou à atenção foi o  Jaracatiá, árvore da qual se aproveitam, a princípio, os frutos, aos quais chamamos aqui mamãozinho-bravo, para fazer doces e o palmito que pode ser retirado aos poucos, sem que a árvore pereça pois o tecido é aos poucos reconstituído. Faz-se com esse palmito ralado doces, sorvetes e recheios para bombons. O sabor lembra o do coco.


- Projeto Jibóia: é um programa noturno que rola na própria cidade. O dono do espaço, Henrique, é um criador de cobras não peçonhentas, mais especificamente jibóias e pítons.

Assistimos uma palestra bizarra sobre as cobras e de quebra podemos tirar uma fotinho com a bichinha enrolada no pescoço. Claro que é pago... hehehe




- Aquário natural: é a tradução mais perfeita de bonito. Fauna aquática riquíssima, nascentes no fundo do rio. É tão límpido que não parece que estamos dentro da água. Por cerca de R$ 120 vc pega um snorkel e flutua durante uma meia hora.


- Ilha Bonita, Ilha do Padre: muito bom esse passeio. Vamos até a ilha bonita, um balneário meio artificializados, mas ótimo para banhos. Ali, pegamos um bote e fazemos um rafting pelo rio, por cerca de 7 km. O rio é aquele mesmo rio formoso, lindíssimo. No caminho podem ser vistos biguás enormes, tucanos e vários outros tipos de aves, além de répteis, quatis e macacos. Desembarcamos na Ilha do Padre, balneário mais natural, muito lindo, cachoeiras e infraestrutura bem interessante.